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novembro 15, 2018
Música

Valeria Sattamini lança “Os Olhos da Menina”, seu terceiro disco, com show no Teatro Solar de Botafogo

foto: Denise Cathilina
foto: Denise Cathilina

Álbum nasceu no Nepal, como o Buda Sakyamuni
Ao todo, são 13 faixas, com seis regravações
Disco tem pegada roqueira, novidade na carreira da artista 

“Os Olhos da Menina” (LAB 344) é o terceiro álbum da cantora, compositora, instrutora de meditação e monja zen budista Valeria Sattamini – os anteriores são “Samba Blim” (2004) e “La Vie en Bossa” (2014). Nasceu no Nepal, durante uma viagem de peregrinação espiritual e ajuda humanitária da artista às vítimas do terremoto que devastou aquele país em 2015. A aventura começou na Índia e passou por Lumbini, onde nasceu o Buda Sakyamuni, antes dela visitar as principais cidades e algumas aldeias afetadas, em sua maioria na região do Vale de Catmandu. Valeria diz que começou a cantarolar a melodia e alguns versos que dariam origem à faixa título, durante um longo e contemplativo passeio de bicicleta.

O Nepal realmente abalou minhas estruturas! Como um povo que havia passado por uma tragédia daquele tamanho conseguia manter o coração aberto? O disco fala de resiliência, amor e compaixão, qualidades que eles têm de sobra”, relembra. “Os Olhos da Menina” é uma espécie de autobiografia espiritual musicada da cantora, no qual ela também conta um pouco dessa viagem que marcou a sua vida. O fio condutor está nos ensinamentos do Dharma, que ela apresenta sob a forma de canções autorais inéditas e músicas de outros compositores.

Das 13 faixas, seis são releituras que dialogam com o universo de suas composições. Estão no disco versões de “O Quereres” (Caetano Veloso), “Samsara” (Antonio Saraiva), “Mistério do Planeta (Moraes Moreira / Galvão), “Senhor da Dança” (Luiz Fernando Kirsch), “Uma Vida” (Arnaldo Medeiros / Dom Salvador), e “Quando Olho Para o Mar” (Alceu Valença).

Músicos e sonoridade
Com produção musical e arranjos de Flavio Mendes, que toca violões, guitarra e faz as programações em várias faixas, Valeria, responsável também pela direção artística, cercou-se de grandes músicos nos estúdios Tenda da Raposa e Áurea. Alexandre Caldi, Diogo Gomes, Marlon Sette e Zé Carlos Bigorna se alternam nos sopros, Alberto Continentino e Gastão Villeroy no baixo, Domenico Lancellotti e Cesinha na bateria. Carlos César assume as percussões e Cecilia Spyer assina os arranjos vocais e reforça coro.

A surpresa está na pegada rock’n roll, que fica a cargo dos arranjos de algumas faixas com guitarras que, às vezes, lembram sons de cítara ou veena executadas por Carlos Pontual. O resultado dessa fusão tem o equilíbrio perfeito entre tradição e contemporaneidade, sagrado e profano, leveza e profundidade.

Repertório com abordagem pop
Através de canções populares, a cantora e compositora nos leva a refletir sobre temas profundos, como sabedoria, compaixão e iluminação, numa abordagem totalmente pop e secular. “Película”, por exemplo, fala das projeções narcísicas que surgem quando nos apaixonamos, com as nossas próprias sombras e luzes, provocadas pelo fogo de uma atração. Em “Papo de Elefante”, um animado samba de gafieira, Valeria fala sobre o Buda, numa metáfora lúdica e bem humorada, comparando-o com um sábio e tranquilo elefante, inspirada num capítulo de um antigo sutra (Dhammapada – O Elefante) em que o próprio buda faz a mesma coisa ao se comparar ao grande animal. “Não se cansa nunca do caminho / Mas às vezes para pra sentar / Numa posição um tanto estranha / Para um elefante se aquietar”.

Escolhida para ser o single que pavimentou a chegada do disco, “Seu Nome é Música” nasceu com a força que se ouve na faixa. Acordei por volta das 3h da manhã meio inquieta e com uma alegria que eu não sabia de onde vinha, e escrevi a música de uma vez. Fiz ela inteira, letra e melodia, que registrei num gravador portátil. Foi há cerca de 12 anos e fala exatamente sobre esse processo de fazer música, seja compondo, cantando, tocando, dançando… Sim, porque música é algo que crio com o corpo todo e com tudo que me inspirar. É uma entrega, um ato de amor, quase uma devoção. Na verdade, não sou eu quem faz a música. Ela acontece, eu apenas testemunho“, revela.

De sua prática espiritual, Valeria Sattamini musicou uma prece muito antiga do budismo tibetano, “Barched Lamsel”, adaptada pela própria para ser gravada num arranjo super pop que lembra algumas canções do mestre George Harrison, seu Beatle favorito. Única composição em inglês, “Live To Love” fala do amor incondicional por todos os seres. Em seus versos a artista conclama o ouvinte a inspirar e expirar profundamente, olhando para dentro de si e deixando a luz de seu coração brilhar e se espalhar mundo afora.

Os Olhos da Menina” será lançado nas plataformas digitais e lojas físicas no dia 20 de julho, e a estreia da turnê de lançamento será dia 10 de agosto, no Teatro Solar de Botafogo.

No show, Valeria conta com a participação especial da cantoa Cecilia Spyer, que participou também das gravações do CD. E será a companhada pelos músicos Flavio Mendes – violão, arranjos e direção musical, Carlos Pontual – guitarras, Gastão Villeroy – baixo, Cesinha – bateria, Letícia Dias & Mariana Lima – vocais, Marlon Sette – trombone, Rodrigo Revelles – sax e flauta, e Aquiles Moraes – trompete. A direção de arte e direção cênica são de Denise Cathilina.

Escute o álbum e siga a artista nas redes sociais: https://valeriasattamini.lnk.to/FOLLOW

Serviço

SHOW DE LANÇAMENTO DO ÁLBUM OS OLHOS DA MENINA
VALERIA SATTAMINI
Data – 10/08/2018 (sexta-feira)
Horário – 21h
Local – Solar de Botafogo
Rua General Polidoro, 180 – Botafogo | Rio de Janeiro – RJ

Preço: 60 reais / 30,00 (meia para estudantes, idosos e professores)
Ingresso solidário na bilheteria: 40 reais com 1 kg de alimento não perecível

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