1.7 C
New York
janeiro 20, 2019
Featured Teatro & Dança

Uma história que não deve ser esquecida

Foto: Brunno Dantas
Foto: Brunno Dantas

Espetáculo “Meus Duzentos Filhos” estreia no Teatro Municipal Maria Clara Machado

Quando educar é um propósito de vida acima da própria vida. Esse é o norte do espetáculo “Meus duzentos filhos”, de Miriam Halfim, com direção de Ary Coslov, que estreia dia 2 de novembro no Teatro Municipal Maria Clara Machado, na Gávea (RJ). A peça, estrelada pelo ator Marcelo Aquino, retrata a vida e a obra de Janusz Korczak (1879-1942), médico e pedagogo judeu polonês que fundou o orfanato modelo Dom Sierot, onde trabalhou durante 30 anos e desenvolveu um método pedagógico inovador, até ter a sua trajetória interrompida pelos horrores da guerra e do nazismo, assim como as dos cerca de 200 órfãos que ali aprendiam disciplina, ganhavam instrução e força moral para enfrentar a vida.

– Quem primeiro me apresentou o texto da Miriam Halfim foi a produtora Maria Alice Silvério. Fiquei fascinado pela vida de Janusz Korczak, sua dedicação a uma causa e todo o impacto que sua trajetória poderia provocar, por se tratar de uma história verídica, repleta de significados e, mais do que tudo, uma história que não deve ser esquecida – fala o diretor Ary Coslov.

Afirmando que “não existem crianças, existem pessoas”, Korczak esforçava-se para assegurar a elas uma infância despreocupada, mas não isenta de obrigações. Elas deveriam compreender e experimentar emocionalmente situações, tirar conclusões por elas mesmas e eventualmente prevenir prováveis consequências. Rejeição à violência física e verbal, interação educativa entre adultos e crianças, a individualidade de cada criança e o conhecimento de que o processo de desenvolvimento de uma criança é um trabalho difícil eram os elementos de seu método, a Pedagogia do Amor, que influenciou pensadores importantes, como Paulo Freire e Jean Piaget.

Com a guerra, o orfanato é transferido para o Gueto de Varsóvia. Várias tentativas foram feitas para salvar sua vida, mas ele nunca admitiu separar-se de suas crianças, pois “um pai não abandona seus filhos em momentos difíceis”, repetia sempre.

Em 1942, Janusz e seus duzentos “filhos” são levados para o campo de extermínio em Treblinka. A marcha é relembrada pela sua dignidade e coragem: ele liderou as crianças e, com elas, embarcou, mantendo-as calmas e tranquilas, protegendo-as acima da própria vida.

– O processo de construção do espetáculo foi muito especial, começou com leituras abertas da primeira versão do texto escrito pela Miriam, no Midrash. A partir desta experiência direta com o público é que partimos para o processo de ensaio que demandou alguns ajustes e adaptações ao texto original, sempre procurando preservar a essência da dramaturgia. Juntou-se ao processo o trabalho de direção de movimento de Ana Vitória, que foi fundamental para ajudar a definir a linguagem da encenação proposta pelo Ary Coslov, e, por fim, a colaboração de grandes profissionais como Thiago Sacramento, responsável pela edição do material audiovisual, e do sofisticado desenho de luz de Paulo Medeiros – diz Marcelo Aquino.

O objetivo do projeto é revelar ao público a imagem de Janusz Korczak, médico, pedagogo, escritor de histórias infantis e um ser humano de primeira grandeza, que, infelizmente, é ainda desconhecido para a maioria das pessoas. Além disso, o tema se mostra bastante atual no Brasil e no mundo.

– A ameaça do totalitarismo está presente nos dias atuais, com tudo de nocivo que isso pode provocar no comportamento do ser humano. É lamentável que o homem não tenha assimilado como deveria as lições deixadas pelo combate ao nazismo. “Meus duzentos filhos” é, entre outras coisas, um contundente sinal de alerta – completa Coslov.

Além da temporada no Maria Clara Machado, o espetáculo, que estreou em 8 de agosto no Midrash Centro Cultural, prorrogou sua temporada lá até 13 de dezembro, todas as quintas, às 20h30

Ao todo, o monólogo já fez 32 apresentações até hoje e foi visto e aplaudido por mais de 2 mil pessoas.

“Meus duzentos filhos”

Teatro Municipal Maria Clara Machado
Temporada: de 2 até 25 de novembro
Sessões: sextas e sábados, 21h, e domingos 19h
Av. Padre Leonel Franca, 240 – Gávea, Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2274-7722
Ingressos: R$ 40
117 lugares
Classificação: 12 anos
Gênero: Drama
Duração: 75 minutos

Midrash Centro Cultural
Temporada: Até 13 de dezembro
Sessões: Quintas às 20h30
Rua General Venâncio Flores 184, Leblon – Rio de Janeiro
Telefone: (21) 2239-2222
Ingresso – R$ 40 (inteira) / R$ 20 (meia)
42 lugares
Classificação: 12 anos
Gênero: Drama
Duração: 75 minutos

Ficha Técnica
Texto: Miriam Halfim
Direção: Ary Coslov
Interpretação: Marcelo Aquino
Cenário e trilha sonora: Ary Coslov
Iluminação: Paulo César Medeiros
Figurino: Rosa Ebee
Produção: Maria Alice Silvério
Preparação corporal: Ana Vitória
Assistente de direção: Bernardo Peixoto
Assistente de produção: Mayara Voltolini
Montagem/operação de luz: Renato Lima
Operador técnico: Gabriel Lessa

Posts relacionados

“Em uma manhã de Sol” estreia no SESC Tijuca

Redação

Arlindo Cruz no KM de Vantagens Hall com a turnê “60 anos de vida, 40 anos de samba”

Redação

Jão no Teatro Riachuelo Rio

Redação

‘Camille Claudel – Uma mulher’ estreia sexta na Casa de Cultura Laura Alvim

Redação

Zeca Baleiro chega ao Rio de Janeiro com show que comemora seus 21 anos de carreira

Redação

Chega ao Rio de Janeiro Turma da Mônica e Hello Kitty em um espetáculo musical inédito

Redação

Deixe um comentário