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New York
julho 21, 2019
Exposição

“Uma contínua transformação”

RENATA ADLER - foto: André Nazareth
RENATA ADLER - foto: André Nazareth

Em nova fase, com esculturas feitas com tornos de madeira, a carioca Renata Adler faz exposição-instalação na Casa de Cultura Laura Alvim

Finas colunas de madeira torneada que recebem diferentes formas e anéis de cores vão impactar o público da Casa de Cultura Laura Alvim e convidá-lo a pensar num mundo em constantes e profundas mudanças. São os “camaleões” de Renata Adler, artista carioca, escultora, que faz sua nova exposição individual no Rio, “Uma contínua transformação”, de 19 de fevereiro a 31 de março. Por vezes, aparecem nestas esculturas elementos metálicos ou pequenos espelhos que vêm a interferir na sua verticalidade. Elas surgem do chão, caem em chuva do teto ou parecem perfurar muros, lembrando uma batalha de lanças. 

Nesta fase de Renata, as esculturas são criadas predominantemente com madeira, mas ela também usa aço, cobre e cerâmica. Ela respeita o “DNA” do material, mas a transformação faz parte da performance. 

“O nosso poder de transmutação é incrível, como os camaleões na metamorfose da cor, tudo em função da sobrevivência.  Nos meus camaleões, ouso evocar livremente a ‘Anima e Animus’ de que fala Carl Gustav Jung em sua obra ‘Eu e o Inconsciente’. Como artista, como mulher, falo aqui do meu lado masculino e de meu prazer de me confrontar com um trabalho físico de escultor, mesmo se no resultado final minha obra com suas madeiras torneadas e roliças, sublinhadas por anéis de cores pintados, seja francamente feminina”. 

Em seu texto crítico, o curador da exposição Marc Pottier diz que “os “camaleões” de Renata compõem, pelas paralelas, perpendiculares e oblíquas que formam em sua apresentação, uma construção de retas, cujo ponto de fuga desaparece à vista do espectador, imergindo-o nesta exposição-instalação”: 

“As transformações propostas por Renata Adler fazem parte de suas interrogações artísticas e filosóficas: movimento, mudança, integração e sincronização, com todos os riscos e incertezas que produz este tipo de trabalho. O movimento tem um lugar essencial na ontologia aristotélica que a inspira, pois é através do movimento que o filósofo será levado a reconhecer “a diversidade das acepções do ser”, acrescenta Pottier. 

A exposição se divide em ambientes brancos e claros e salas escuras, onde uma projeção numa tela tramada de bronze falará sobre o processo de transformação da água. A coordenação geral da exposição é de Kátia d´Avillez.

Uma contínua transformação ǀ Renata Adler

Curadoria: Marc Pottier

Coordenação geral: Kátia d´Avillez
Abertura: 19 de fevereiro, das 18h às 22h
De 20 de fevereiro a 31 de março, de terça a domingo, de 13h às 20h
Casa de Cultura Laura Alvim (espaço da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa/FUNARJ) –  Av. Vieira Souto, 176, Ipanema – tel: (21) 2332-2016
Entrada Franca 

RENATA ADLER
Em seu ateliê, a artista plástica Renata Adler opera um torno e outros maquinários, num trabalho braçal que poderia ser encarado como masculino. Dali saem suas mais recentes esculturas com madeiras torneadas e roliças, sublinhadas por anéis de cores pintados. 

A oficina fica na ensolarada casa de Renata no Jardim Botânico, projeto dos arquitetos Thiago Bernardes e Miguel Pinto Guimarães. Pela residência, espalham-se as obras da artista – incluindo seu autorretrato, uma escultura de ferro em tamanho real, para o qual fez um estudo das cores dos chakras – e de artistas que ela e o marido, o empresário e velejador Alan Adler, admiram.

Jornalista por formação, Renata Adler atuou em redações de grandes veículos, como a Veja Rio e a TV Globo, por mais de 10 anos. Mas flerta com o mundo da arte desde a infância e, paralelamente à carreira de jornalista, foi se aprimorando como artista. Ela se formou bacharel em artes pela Universidade em Boston, Massachusetts (EUA), fez International Baccalaureate (IB) em fotografia e complementou os estudos de artes visuais na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, tendo como mentor o professor João Carlos Goldberg.

No fim de 2017, a artista chamou atenção com a instalação interativa “Camaleões e o Caminho da Transformação” no festival Marina Monumental, na Marina da Glória, ao incentivar o público a cruzar um túnel “entre dois mundos”, da inércia para o sucesso, segundo ela. Os efeitos visuais ficavam por conta das estruturas de madeira penduradas na árvore ao lado.

Renata diz que, diferentemente de outros artistas, não é do caos que sua inspiração chega.

“Preciso estar leve, tranquila, para criar. Minhas obras têm a ver com natureza e felicidade. Se estou bem, a inspiração vem”, diz a artista de 45 anos, mãe de Sophie, de 10 anos. “Minha filha, por exemplo, me inspira muito, já que o amor e o bem-estar influenciam meu trabalho”.

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