Somos Tropicália – Marcela Mangabeira, Elisio Freitas, Ivo Senra e André Vallias

Nesta edição de encerramento a cantora Marcela Mangabeira une-se aos músicos Elisio Freitas e Ivo Senra em uma homenagem à Tropicália e à grande musa do movimento, Gal Costa, com intervenções dos poemas, traduções e vídeos-poemas do poeta e designer gráfico André Vallias

No dia 20/12 (quarta-feira), a partir das 20h, acontece a décima primeira (11ª)  e última etapa do ciclo de encontros “Somos Tropicália – 50 anos do movimento”, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, em homenagem aos 50 anos da Tropicália: as surpreendentes e eletrificadas apresentações de Caetano Veloso e Gilberto Gil no Festival da TV Record em 1967 são consideradas o marco inicial do movimento na música, que se consolidou com a gravação de “Tropicália Ou Panis Et Circenses”, álbum-manifesto lançado no ano seguinte.

Para a última edição, inédita, desta celebração poético-musical, os artistas foram convidados a montar um roteiro no qual interpretarão alguns clássicos da Tropicália, incluindo, também, obras do trabalho autoral que se inspiram ou conversem com as influências do movimento. Junto às canções, poemas onde percebemos o legado constituído pelo Tropicalismo.

Neste encerramento o projeto traz a cantora e compositora Marcela Mangabeira, que está em turnê com o show SOBREGAL, onde presta sua homenagem cantando canções do repertório da musa da Tropicália, Gal Costa. Marcela promete misturar as canções do seu novo projeto às canções do movimento tropicalista. Fiquei muito feliz com o convite para participar desse projeto que vem ganhando cada vez mais destaque na cena alternativa e por onde já passou tanta gente talentosa. Presenciar os 50 anos da Tropicália é quase um alerta para nós artistas. Sinal de que precisamos nos inspirar na ousadia e na verdade que eles tiveram naquela época. É preciso transgredir de novo, sair da zona de conforto, inovar”, declara a cantora. Na aventura tropicalista, junto com a Marcela estão os músicos Elisio Freitas, na guitarra, e Ivo Senra, nos sintetizadores, que acompanham a artista no seu projeto SOBREGAL. Eu e os meninos (meus músicos) estamos encarando isso de uma forma muito séria. É o chamado que a gente ouviu e atendeu. Estamos partindo pra cima com tudo”, diverte-se a cantora. 

Elisio Freitas (guitarra), inclusive, já fez a sua passagem pelo Somos Tropicália, apresentando-se na oitava (8ª) edição, ao lado da cantora Aline Paes, do tecladista Antonio Guerra e do poeta Nuno Rau. “De tempos em tempos surge algum movimento que implode as barreiras entre gêneros artísticos. A Tropicália foi um dos mais importantes nesse sentido, deixando claro que a hierarquização dos gêneros artísticos era, como bem diria Caetano, algo ‘burro’. Nunca consegui abraçar um só estilo musical. Rock, sertanejo, jazz, frevo, soukous, música contemporânea ou qualquer outra expressão musical que já tenha passado pela minha vida constituem o que eu sou, sem ordem de importância. Por essa e por diversas outras razões, minha identificação com o movimento é muito profunda e fico imensamente feliz em participar deste lindo projeto pela segunda vez”, diz Elisio.

Junto com eles estará o poeta e designer gráfico André Vallias, que vai apresentar alguns dos seus poemas e vídeos-poemas. Um dos grandes criadores da poesia em suporte digital, o paulistano radicado no Rio morou durantes alguns anos na Alemanha e ao voltar para o Brasil tornou-se um dos pioneiros da web brasileira, destacando-se com a criação do site de Gilberto Gil, um dos grandes nomes do Tropicalismo. Até hoje Vallias é o grande responsável pela manutenção da página do artista baiano, e também é o criador da logo do projeto. Sobre a homenagem ao movimento, ele diz estar contente em participar “porque, na desmemoriada Geleia Geral brasileira,  relem(cele)brar a Tropicália sempre vem a calhar!”.

OS ARTISTAS
Totalizando mais de 5 milhões  de visualizações em seus vídeos no Youtube, reconhecida e elogiada por personalidades da música e da crítica brasileira – de Roberto Menescal a Nelson Motta -, Marcela Mangabeira vem desenvolvendo notoriedade ao longo dos anos. Já excursionou pela Ásia (Tailândia e China) com seu trabalho solo, abriu show de artistas como Zélia Duncan e Paulinho Moska e dividiu o palco com grandes nomes da música, como Andy Summers (The Police), Roberto Menescal e Sérgio Britto (Titãs), com quem gravou dueto no álbum solo do mesmo (“Purabossanova”) e viajou na turnê do compositor durante 3 anos. Possui 3 álbuns solo lançados: “Simples” (2005), “Colors of Rio” (2011) e “Closer Project” (2017), além de estar presente em mais de 40 compilações lançadas ao redor do mundo. Recentemente iniciou seu novo projeto “SOBREGAL”, onde a obra de Gal Costa é revisitada de uma forma contemporânea e cheia de personalidade. Com cotação de 4 estrelas na crítica de Mauro Ferreira (G1) e direção do premiado ator e diretor Emilio de Mello (indicado ao Emmy), o show vem enchendo os teatros por onde passa e crescendo a cada apresentação.

Elisio Freitas é multi-instrumentista e produtor musical. É bacharel em “Música e Tecnologia” com especialização em produção musical pelo Conservatório Brasileiro de Música. Cursou “Música para TV e Cinema”, pela Musimagem, onde estudou com nomes como Tim Rescala e David Tygel, além de ter feito diversos cursos livres, como, por exemplo, “Composição e Orquestração”, com Me Armando Lobo, e curso de guitarra com Nelson Faria. Atua ativamente na nova cena da música brasileira, tendo produzido álbuns de César Lacerda (Porquê da Voz), Aline Lessa (Aline Lessa) e Flavio Tris (Sol Velho, Lua Nova), todos muito bem recebidos pela crítica especializada. Já trabalhou com nomes como Lenine, Marcos Suzano, Paulinho Guitarra, Moska, entre outros. Constam também trabalhos em trilha sonora, como, por exemplo, a composição (em parceria com João Schimid) e mixagem da trilha da peça “Vestido de Noiva”, na montagem de Caco Coelho, de 2012, no CCBB, além da trilha dos curtas-metragens “Nos Escuro” e “Lição de Casa”, de Pedro Murad, muito premiados em festivais dentro e fora do Brasil. Atualmente participa como guitarrista das bandas de apoio de César Lacerda, do projeto “Iara Ira”, ao lado de Duda Brack, Juliana Linhares e Julia Vargas, e do projeto SOBREGAL, de Marcela Mangabeira. É professor na graduação do Conservatório Brasileiro de Música.

Pianista, sintesista, acordeonista, compositor, arranjador, produtor musical e professor, Ivo Senra atua como músico de forma muito eclética. Foi arranjador e músico convidado da FUNARTE para participar da XXI Bienal de Música Contemporânea, no concerto em homenagem a Mário de Andrade, realizado pelo Coletivo Chama, o que foi um fato histórico, uma vez que nenhum grupo de músicos populares havia sido convidado para a Bienal. Foi vencedor do 23º Prêmio da Música Brasileira como produtor musical do disco “Lá onde eu moro”, de João Hermeto, na categoria “álbum eletrônico” (2012). Atualmente trabalha com ECO, projeto instrumental e autoral, gravado e lançado em janeiro de 2015, em Nova York, tendo feito duas turnês pelos EUA e Canadá. Como instrumentista, já trabalhou/trabalha no projeto “Iara Ira”, e com Ney Matogrosso, Thiago Amud, Arthur Maia, Pery Ribeiro, UFRJazz, Fernanda Abreu, Seu Jorge, Zé Paulo Becker, Marcos Susano, entre outros.

André Vallias nasceu em 1963, São Paulo, onde se formou em Direito pela Universidade de São Paulo. Começou a criar poemas visuais serigráficos em 1985, sob influência da poesia concreta. Viveu de 1987 a 1994 na Alemanha, onde, instigado pelas ideias do filósofo tcheco-brasileiro Vilém Flusser, orientou suas atividades para a mídia digital. Em 1992 organizou, com Friedrich W. Block, a primeira mostra internacional de poesia feita em computador:“p0es1e-digitale dichtkunst” (Annaberg-Buchholz). De volta ao Brasil, tornou-se um dos pioneiros da web brasileira, destacando-se com a criação do site de Gilberto Gil e de diversos outros artistas brasileiros, atuando pela produtora que fundou com a empresária Flora Gil em 1995: a Refazenda. Em 1996 muda-se para o Rio de Janeiro, cidade que veio a inspirar uma de suas obras mais conhecidas: “ORATORIO – Encantação pelo Rio”, poema interativo pelo qual recebe o Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia, em 2003. Vem realizando, desde 2007, espetáculos multimídia de poesia, solo ou com outros performers: Poema Falado (Itaú Cultural, 2007), Sybabelia (com Lica Cecato: Oi Futuro RJ, 2010; Teatro Itália SP, 2015), BrasilBabel (com Lira: Sesc Rio Preto, 2015), Do Oratorio ao Totem (Sesc BH, 2016), Numa Ciro & André Vallias (Casa Rio, 2017). Em 2013, expôs o poema TOTEM, feito a partir dos nomes de 222 etnias indígenas brasileiras, no Projeto Poesia Visual II do Oi Futuro Ipanema. Em 2017, participou da série Frutos Estranhos, da FLIP, com um trabalho inédito sobre Lima Barreto. Na tradução de poesia, André Vallias organizou a maior antologia já feita em português da obra do poeta e pensador judeu-alemão Heinrich Heine: Heine, hein? – Poeta dos contrários (Perspectiva, 2011). Traduziu também poemas de Paul Verlaine, Jules Laforgue, Osip Mandelstam, Marina Tsvetáeva, W. B. Yeats, entre outros. Algumas de suas obras digitais podem ser vistas no site www.andrevallias.com e na revista online que edita desde 2004: www.erratica.com.br.

Fan Page: www.facebook.com/somostropicalia/
Evento no Face:  www.facebook.com/events/146882922627647/

 

Serviço
Gabinete de Leitura Guilherme Araújo
SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento
Dezembro (11ª edição): com Marcela Mangabeira, Elisio Freitas, Ivo Senra e André Vallias/ Pocket-show e leitura de poesias     
Dia 20/12 (4ª-feira)
A partir das 20h
Rua Redentor, 157 Ipanema
Tel infos. 21-2523-1553
Entrada: R$ 1,00
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre

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