Somos Tropicália com Letícia Novaes, Arthur Braganti e Luís Turiba no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo

Nos dias 31 de maio e 01 de junho (quarta e quinta-feira), a partir das 19h30, acontece a quarta etapa do ciclo de encontros poético-musicais “Somos Tropicália – 50 anos do movimento”, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, em homenagem aos 50 anos da Tropicália: as surpreendentes e eletrificadas apresentações de Caetano Veloso e Gilberto Gil no Festival da TV Record em 1967 são consideradas o marco inicial do movimento na música, que se consolidou com a gravação de “Tropicália Ou Panis Et Circenses”, álbum-manifesto lançado no ano seguinte.

Nesta edição de maio o projeto tem como participantes a cantora, compositora e atriz Letícia Novaes, o músico e compositor Arthur Braganti, o poeta e jornalista Luís Turiba. A noite também conta com a participação especial de Natália Carrera, guitarrista e produtora musical do novo álbum de Letícia, “Letrux Em Noite de Climão”, que será lançado em breve.

Para esta celebração poético-musical inédita os artistas foram convidados a montar um roteiro com sabor tropicalista no qual misturam textos, canções e referências de diferentes épocas e estilos e no qual entrarão sucessos de Caetano, Mutantes, Carmem Miranda, Torquato Neto e Edu Lobo e até Berlin (aquela do Take My Breath Awaaaay, hit do New Wave nos anos 80). Sem deixarem, é claro, de incluir músicas e poesias autorais que se inspiram ou conversem com as influências do movimento, como o samba “Mistura Tropicalista”, enredo que o Turiba compôs para o carnaval do bloco Mistura de Santa.

Letícia e Arthur são destaques da cena da música independente. Até pouco tempo atrás Letícia foi líder da recém extinta banda Letuce, um dos principais grupos deste cenário na última década, e do qual Arthur também foi integrante nos últimos anos. Multiartista reconhecida e de personalidade marcante, Letícia sempre demonstrou ter espírito tropicalista, conferindo uma assinatura própria aos seus trabalhos. “Minha carreira sempre foi uma miscelânea curiosa entre literatura, teatro e música. Sempre brinquei com as coisas mais tradicionais e “clássicas” brasileiras, como o próprio pagode, que fiz versões dentro da “nova mpb”. Sempre me utilizei de referências cinematográficas ou teatrais, mesmo para fazer um show musical. E além disso, nunca tive nenhum temor às referências ‘gringas’, pelo contrário, abraço tudo que me emociona, seja na língua mãe ou numa língua amiga”, se diverte a artista.

E Turiba, que possui cinco livros de poesia publicados, entre eles o mais recente, “QTais”, é ganhador de dois prêmios Esso de jornalismo, e é um importante nome da literatura e do jornalismo brasileiros. Entusiasta e freqüentador de saraus poéticos, suas atuações em leituras de poesias são sempre potentes e cativantes, transmitindo a alegria e a animação que lhe são características. Seu bloco de carnaval no Rio de Janeiro, o Mistura de Santa, desfilou no carnaval com o enredo Mistura Tropicalista, um samba de sua autoria que ele apresentará ao público do projeto. Além disso, ele também é idealizador do Café Tropicália na 33ª Feira de Livro de Brasília, em 2017. “O Tropicalismo foi o mais importante movimento cultural da última metade do século passado. Combateu a ditadura esteticamente e revolucionou a linguagem poética brasileira com Torquato Neto à frente, como letrista de Gil, Caetano, Edu Lobo. Foi um movimento que misturou tudo: passado, presente, cinema, teatro, poesia e artes plásticas. Foi reprimidíssimo, durou pouco, mas seus ecos podem ser ouvidos até hoje”, explica Turiba.  

Em junho o projeto, que tem entrada franca e se realiza de forma totalmente independente, receberá a cantora Zabelê e o cantor, compositor e poeta Moraes Moreira.

Fan Page: www.facebook.com/somostropicalia/
Evento: www.facebook.com/events/1948758825346169 

Somos Tropicália
Até dezembro serão programados encontros poético-musicais que ressaltam a importância da Tropicália na música popular brasileira, com influências que reverberam até hoje no cenário do cancioneiro contemporâneo. As noites vão misturar leituras de poemas e participações musicais em releituras do repertório tropicalista por artistas e poetas de diferentes gerações – entre novos e consagrados – que de alguma forma ecoam a Tropicália em seus trabalhos e carreiras.

Os encontros ocorrerão, justamente, no primeiro andar da casa onde morou o irreverente e festivo Guilherme Araújo, célebre empresário e produtor musical dos baianos no final da década de 60, considerado uma espécie de co-criador do movimento. Por vontade do próprio Guilherme, após sua morte a casa foi transformada em gabinete de leitura, funcionando também como centro cultural.

O projeto, sob coordenação, curadoria e produção do jornalista Rafael Millon e do poeta Paulo Sabino (também jornalista), é realizado em parceria com o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, e estreou oficialmente em fevereiro, reunindo a cantora Mãeana, o músico e compositor Bem Gil, e o poeta e agitador cultural Jorge Salomão. Em março o projeto recebeu os cantores e compositores Lila e Matheus VK junto com o ator e poeta Eber Inácio, e em abril se apresentou o quarteto composto pela cantora Juliana Linhares junto com cantor e compositor Mihay, o ilustre poeta Salgado Maranhão, e o músico Hélio Moulin. 

Os artistas de Maio
Cantora, compositora, poeta e também atriz formada pela CAL, na última década Letícia se consolidou como um dos destaques na cena da música independente: ao lado do multiinstrumentista Lucas Vasconcellos, durante quase dez anos foi integrante-líder da banda Letuce, um dos grupos de maior sucesso neste cenário, com três discos lançados e diversas turnês realizadas no Brasil e no exterior. Sua veia artística multifuncional também a levou para diferentes direções para além da música e nesse período também atou em filmes, escreveu colunas em veículos como o blog Onitorrinco e o jornal O Globo, e com os músicos Arthur Braganti e Thiago Vivas, e o cantor Paulo Ho, montou o projeto cênico-musical “Tru e Tro: desfrute ou frite”, com o qual fez temporadas e apresentações em alguns teatros do Rio e São Paulo. Em 2015, Letícia lançou seu primeiro livro de poesias intitulado “Zaralha – Abri Minha Pasta” (Ed. Guarda-Chuva), e com o término da banda Letuce, a artista atualmente se prepara para lançar seu primeiro disco solo, “Letrux Em Noite de Climão”, dando continuidade à carreira musical.

O tecladista e compositor Arthur Braganti, grande amigo parceiro de Letícia, integrou a banda Letuce nos últimos cinco anos, e hoje integra o grupo Séculos Apaixonados, outro destaque da cena indie carioca. Arthur também atua como músico e produtor musical do novo trabalho solo de Letícia, com lançamento previsto para julho deste ano. 

Poeta, jornalista e produtor cultural, Luis Turiba é criador e ex-editor da revista literária Bric-a-Brac. Tem cinco livros de poesia publicados, o último pela editora7Letras, do Rio de Janeiro, com o título de “QTAIS”. Como jornalista trabalhou em importantes veículos de comunicação e ganhou dois prêmios “Esso de Jornalismo”, um na categoria “Regional” e outro na categoria “Cultural”.  Morou recentemente por cinco anos no Rio de Janeiro, onde toca cuíca na bateria da São Clemente. Participa de recitais de Poesia em todo o país e tem um livro inédito, “Desacontecimentos Sagrados”, que será publicado no final deste ano.

Tropicália e o Gabinete de Leitura
Em 1967 – no mesmo ano em que o público se impactava com a exposição da instalação “Tropicália”, de Hélio Oiticica, no Museu de Arte Moderna do Rio, com a montagem da peça “O Rei da Vela”, de Oswald de Andrade, pelo Teatro Oficina, e com a exibição do filme “Terra em Transe”, de Glauber Rocha – as eletrificadas apresentações de Caetano Veloso com “Alegria, alegria”, e de Gilberto Gil com “Domingo no Parque” no Festival da TV Record marcariam o rompimento com os padrões musicais da época. Surgia então a Tropicália, um novo movimento estético-musical inspirado pelas proposições antropofágicas de Oswald de Andrade, que fascinou o país, e revolucionou a cultura brasileira a partir do final dos anos 60.

Através da incorporação de elementos da cultura de massa internacional, misturadas a referências nacionais, somadas à sofisticação musical característica nossa, o movimento ganhou a adesão de diversos artistas e transformou a produção cultural brasileira a partir do novo patamar criativo-comportamental proposto pelo grupo. Na música, liderado por Caetano Veloso e Gilberto Gil, e tendo Gal Costa como eterna grande musa, e integrantes como Nara Leão, Tom Zé, Rogério Duprat e Torquato Neto, as influências tropicalistas seguiram pelos anos 70 adentro e agora, em 2017, o movimento celebra 50 anos.

Por trás de parte disso tudo estava Guilherme Araújo, o visionário empresário e produtor musical dos três baianos à época, conduzindo as produções de suas apresentações, turnês e álbuns, e unindo-os também a novos artistas. No caminho aberto por eles em plena ditadura militar, logo em seguida surgiriam nomes como os Mutantes, Novos Baianos, Secos e Molhados, Ney Matogrosso, A Cor do Som, e tantos outros. Nasciam, assim, artistas que colocavam em cheque uma elitizada imposição do que era tido como “bom gosto”, e combatiam a caretice e a sisudez do período para darem lugar à irreverência, à liberdade e à diversidade nos modos de viver e criar.

A presença e a influência de Guilherme Araújo nos bastidores da Tropicália foram decisivas, e por isso o Gabinete de Leitura organizará uma série de eventos que celebram o tropicalismo ao longo de 2017. Serão realizados shows, saraus, leituras e montagens de peças com participações de artistas ligados ao movimento na época e também de novos talentos que nele se inspiram e/ou que possuem espírito criativo semelhante. 

De maneira informal, o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo deu início a essas comemorações nos dias 26 de janeiro e 02 de fevereiro, com as apresentações da cantora e compositora Georgeana Bonow, que dividiu ambas as noites com o poeta, letrista e filósofo Antônio Cícero.

Serviço

Gabinete de Leitura Guilherme Araújo

SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento

Maio: com Letícia Novaes, Arthur Braganti e Luis Turiba / Pocket-show e leitura de poesias
Dias 31/05 (4ª-feira) e 01/06 (5ª-feira)
A partir das 19h30
Rua Redentor, 157 Ipanema
Tel infos. 21-2523-1553
Entrada franca c/ contribuição voluntária
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre

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