Somos Tropicália: Clara Gurjão, Bruno Cosentino e Paulo Sabino

Para comemorar os 50 anos da Tropicália o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresentará uma série de encontros poético-musicais ao longo de 2017 

Nesta penúltima edição a cantora e compositora Clara Gurjão une-se ao também cantor e compositor Bruno Cosentino para apresentar músicas do repertório tropicalista, com intervenções do poeta Paulo Sabino

 

No dia 22 de novembro (quarta-feira), a partir das 20h, acontece a décima (10ª) etapa do ciclo de encontros “Somos Tropicália – 50 anos do movimento”, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, em homenagem aos 50 anos da Tropicália: as surpreendentes e eletrificadas apresentações de Caetano Veloso e Gilberto Gil no Festival da TV Record em 1967 são consideradas o marco inicial do movimento na música, que se consolidou com a gravação de “Tropicália Ou Panis Et Circenses”, álbum-manifesto lançado no ano seguinte.

Para a nova edição inédita desta celebração poético-musical, os artistas foram convidados a montar um roteiro no qual interpretarão alguns clássicos da Tropicália, incluindo, também, obras autorais que se inspiram ou conversem com as influências do movimento. Junto às canções, poemas onde percebemos o legado constituído pelo Tropicalismo.

Desta vez o projeto traz a cantora e compositora Clara Gurjão, que considera a Tropicália uma das suas grandes fontes de inspiração e aprendizado. A Tropicália foi provavelmente o movimento artístico que mais me ensinou e me formou enquanto pessoa e enquanto artista. De Zé Celso Martinez a Tom Zé, de Hélio Oiticica a Torquato Neto, em todas as áreas em que a Tropicália se manifestou eu sentia a presença de um fogo vital que me atraia de maneira inexplicável, e continua atraindo”, declara a artista, que possui grande intimidade com a obra dos tropicalistas; em seu trabalho autoral, “ELA”, Clara canta “Muito”, do Caetano Veloso, e possui uma versão toda sua de uma canção mais recente do baiano, “Abraçaço”, mas com o espírito tropicalista já no título. 

Cresci ouvindo de tudo um pouco em casa: admirava Tom e a bossa-nova, os cantores do rádio e seus sambas-canções e boleros românticos, curtia o pagode e o pop radiofônico dos anos 1990, mas o que me instigava mesmo era a irreverência, a ousadia e a liberdade estética de Caetano, Gil, Gal e seus companheiros”, recorda-se.

Junto com ela estará o cantor e compositor Bruno Cosentino, que, assim como a Clara, tem o movimento tropicalista como uma grande escola em termos estético, comportamental e musical. E Bruno, que também gravou Caetano no seu trabalho autoral, a canção “Tem que ser você”, acredita que precisamos continuar o legado e o aprendizado da Tropicália: “Um dos aspectos principais da Tropicália e negligenciado hoje em dia foi sua negatividade mordaz. Precisamos então negá-la para fazê-la recuperar o brilho intenso do seu centro. A nova canção brasileira deve vir a ser 50 anos depois a Retropicália”, dispara o artista.

Com eles, fazendo as intervenções poéticas, estará o poeta e jornalista Paulo Sabino. Além de textos e poemas tropicalistas e que inspiraram o movimento, Sabino lerá alguns dos seus poemas, fazendo uma costura entre as músicas apresentadas e os textos e poemas escolhidos: “queria deixar no projeto, além da minha assinatura como produtor e curador, a minha assinatura como poeta e admirador de um movimento que me formou”, explica o Paulo que, junto com o jornalista Rafael Millon, realiza o Somos Tropicália.

OS ARTISTAS
Clara Gurjão começou a se aventurar no mundo musical ainda na adolescência, participando de saraus e festivais de música em São Paulo, cidade onde morou durante 10 anos. Entrou em contato desde muito cedo com o repertório dos grandes compositores e intérpretes da música brasileira. Também bebeu na fonte do jazz, da soul music e do pop norte-americano. Mais recentemente apaixonou-se pela música cubana e passou uma temporada em Havana, estudando in loco os ritmos populares afro-cubanos. Esse caldeirão de paixões musicais teve um papel decisivo na formação estética de Clara Gurjão, uma artista que tem a curiosidade e a inquietação como características marcantes de sua personalidade. Com vasta experiência acadêmica na área musical – é bacharel em MPB pela Unirio e estudou interpretação musical na Universidade de Örebro, Suécia -, além de incursões nas áreas de letras e política internacional, Clara Gurjão traz para seu fazer musical uma rica bagagem artística e intelectual. Trilhando seus caminhos dentro de um amplo espectro musical, Clara já foi violonista do grupo de samba “Cabide de Molambo”, cantora de samba-jazz na Lapa com o “Clara Gurjão Trio”, integrante do grupo “Violeiros Urbanos” e assistente de arranjo e produção musical do projeto “Nívea Viva Tom Jobim”, ao lado do maestro Eumir Deodato. Participou da produção do show do projeto, que viajou pelas principais capitais brasileiras, e do CD “Vanessa da Mata canta Tom Jobim”. Neste projeto Clara teve a oportunidade de trabalhar junto a grandes nomes da música brasileira, como Caetano Veloso, Maria Bethânia e Wagner Tiso. Foi nessa ocasião também que Clara conheceu um dos mais expoentes produtores musicais da atualidade, Kassin, que acabou tornando-se parceiro e figura fundamental na concepção e elaboração de seu disco de estreia, intitulado “Ela”.

Bruno Cosentino é cantor e compositor. Em 2012, lançou seu primeiro álbum com a banda Isadora. Desde então, integrou a banda “Panamericana”, composta por Dado Villa-Lobos, Dé Palmeira, Charles Gavin e Tony Platão. Participou da regravação do primeiro disco de Jards Macalé e do disco/show/documentário “Projeto Agenor: canções de Cazuza”. Participou do show comemorativo em homenagem a Marina Lima, que contou com a presença da própria Marina. Em março de 2015, Bruno Cosentino lançou “Amarelo”, seu primeiro trabalho solo, com canções compostas especialmente para o álbum. Em 2016, lançou “Babies”, disco com estética pop em parceria com a jovem banda “Exército de Bebês”. Em maio de 2017, saiu seu terceiro disco, “Corpos são feitos pra encaixar e depois morrer”, misturando a sonoridade de banda com orquestra e produzido pelo renomado Chico Neves. 

Paulo Sabino é poeta. Edita o site literário “Prosa Em Poema” (https://prosaempoema.com/), onde seleciona e analisa as obras de autores nacionais e estrangeiros de todos os estilos e gerações. O site é um dos mais lidos da área, com mais de 100 mil visitantes individuais em 2015 e 2016. O trabalho do Paulo no site literário é acompanhado por muitos nomes importantes da área da literatura, como Nelson Ascher, Antonio Carlos Secchin, Geraldo Carneiro, Elisa Lucinda, Moraes Moreira, Eucanaã Ferraz, Salgado Maranhão, Nélida Piñon, Francisco Bosco, Carlos Rennó, Fabiano Calixto, Péricles Cavalcanti e Carlito Azevedo, só para citarmos alguns. Coordena o projeto “Ocupação Poética”, no teatro Cândido Mendes de Ipanema, onde leva ao palco os mais importantes poetas da poesia contemporânea para a leitura de poemas autorais, inéditos e consagrados, e de outros autores, que revelam, ao espectador, a importância dos textos selecionados. Em suas edições o projeto já reuniu nomes como Antonio Carlos Secchin, Antonio Cicero, Paulo Henriques Britto, Salgado Maranhão, Claufe Rodrigues, Geraldo Carneiro, Martinho da Vila, Elisa Lucinda, Moraes Moreira, entre outros. Coordena o projeto “Somos Tropicália” ao longo de 2017, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, em Ipanema, promovendo encontros poético-musicais entre artistas da nova geração e poetas consagrados para apresentarem sob novos olhares os clássicos do movimento tropicalista e para leitura de textos e poemas de bossa tropicalista. Bem Gil, Mãeana, Jorge Salomão, foram alguns dos participantes do projeto. Organiza e promove o “Sarau do Largo das Neves”, em Santa Teresa, que acontece na penúltima ou na última quinta-feira de cada mês.

Fan Page: www.facebook.com/somostropicalia/
Evento: www.facebook.com/events/138779330216431/

Serviço

Gabinete de Leitura Guilherme Araújo
SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento
Novembro (10ª edição): com Clara Gurjão, Bruno Consentino e Paulo Sabino/ Pocket-show e leitura de poesias     
Dia 22/11 (4ª-feira)
A partir das 20h
Rua Redentor, 157 Ipanema
Informações: 21-2523-1553
Entrada: R$ 1,00
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.