Somos Tropicália – 50 anos de movimento

Juliana Mihay, Salgado, Helio (foto: Moccagatta)
Juliana Mihay, Salgado, Helio (foto: Moccagatta)

Juliana Linhares, Mihay, Salgado Maranhão com participação de Hélio Moulin

Para comemorar os 50 anos da Tropicália o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo apresentará uma série de encontros poético-musicais ao longo de 2017

Nesta edição a cantora Juliana Linhares e o cantor e compositor Mihay apresentarão músicas do repertório tropicalista acompanhados pelo músico Hélio Moulin, e dividem a noite com o poeta e compositor Salgado Maranhão, que lerá poesias que fazem referência ao movimento

Nos dias 26 e 27 de abril (quarta e quinta-feira), a partir das 19h30, acontece a terceira etapa do ciclo de encontros “Somos Tropicália – 50 anos do movimento“, no Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, em homenagem ao cinquentenário da Tropicália. As surpreendentes e eletrificadas apresentações de Caetano Veloso e Gilberto Gil no Festival da TV Record de 1967 são consideradas o marco inicial do movimento na música, que se consolidou com a gravação de “Tropicália Ou Panis Et Circenses”, álbum-manifesto lançado no ano seguinte.

Para este mês de abril o projeto tem como participantes a cantora e atriz Juliana Linhares, destaque na cena da música independente, integrante da banda Pietà e do show Iara Ira, projeto no qual divide o palco com as cantoras Júlia Vargas e Duda Brack; o músico, cantor e compositor Mihay, que possui um trabalho solo onde figuram importantes parcerias com artistas que vão de João Donato a Mariana Aydar, passando por Kassin e Chico César, entre muitos outros; e o ilustre poeta e compositor Salgado Maranhão, vencedor do prêmio Jabuti em 1999 e em 2016, e com mais de 50 canções gravadas por nomes como Elba Ramalho, Ney Matogrosso, Paulinho da Viola e outros. Acompanhados pelo músico violonista Hélio Moulin, o quarteto prepara uma apresentação inspirada nas músicas e poesias tropicalistas, que ganharão suas assinaturas em arranjos e interpretações!

Em maio o projeto receberá a cantora, compositora e atriz Letícia Novaes, o tecladista e compositor Arthur Braganti e o poeta Luis Turiba.

Fan Page: www.facebook.com/somostropicalia/

Evento: www.facebook.com/events/1881892262099199/

Os artistas de Abril
Nascida em Natal e radicada no Rio de Janeiro, Juliana Linhares é uma das boas revelações da nova geração da MPB. Vinda do teatro, a atriz que virou cantora solta sua voz potente em interpretações arrebatadoras à frente banda Pietà, que há cerca de quatro anos vem se destacando no cenário da música independente, com apresentações por todo o Brasil. Juliana também integra o belíssimo projeto Iara Ira, show que apresenta ao lado das igualmente talentosas cantoras Júlia Vargas e Duda Brack. Entre suas principais influências figuram ícones da música pop, sempre presentes em seu dia a dia, como Gal Costa, Bjork, Maria João, Concha Buika, Ivete Sangalo, Amy Winehouse, Adriana Calcanhotto e Karina Buhr.

Também vindo do teatro, onde atuou por mais de 15 anos como ator, o cantor, compositor e videomaker Mihay é um dos nomes mais ativos na nova cena da música independente. Além de trabalhar como diretor de fotografia e editor, recentemente dirigiu clipes de Elba Ramalho, Chico César, Mariana Aydar e Rômulo Fróes, e em sua trajetória Mihay coleciona duetos e parcerias com nomes de diferentes vertentes e gerações da MPB. Além de Rômulo e Mariana, João Donato, Gui Amabis, Tulipa Ruiz, Luisa Maita, Passo Torto e Kassin são alguns dos convidados do artista para participações e parcerias em segundo álbum, “Gravador e Amor”, lançado no ano passado. Suas influências passam pela Tropicália e seus símbolos – Tom Zé, Mutantes, Torquato Neto – e artistas como o também multifacetado Sérgio Ricardo, Vitor Rammil, Gui Amabis e Lucas Santtana, entre outros.

Salgado Maranhão, como o nome sugere, é nascido no Estado do Maranhão e tem uma história inspiradora. Alfabetizado somente aos 15 anos de idade, logo tomou gosto pelas letras e palavras, e desenvolveu um impressionante talento para a poesia. Influenciado pelo amigo e poeta tropicalista Torquato Neto, que também o “batizou” artisticamente, aos 20 anos mudou-se para o Rio de Janeiro, onde deu início a uma importante produção literária e musical. Compositor-letrista, Salgado possui mais de 50 músicas gravadas por artistas como Elba Ramalho, Ney Matogrosso, Paulinho da Viola, Vital Farias, Zizi Possi, Ivan Lins e outros. Como poeta já produziu 12 livros, sendo dois deles agraciados pelo Jabuti, o principal prêmio literário do País: “Mural dos Ventos”, de 1999, e “Ópera de Nãos”, de 2016. Sua obra já foi traduzida para o inglês, alemão, italiano, francês, sueco, e em breve, japonês. Já esteve a convite em mais de 50 universidades americanas como Brown, Harvard e Yale, onde sua poesia virou objeto de estudo.

O instrumentista, violonista e professor de música Hélio Moulin carrega a música em seu DNA: é filho do também violonista Hélio Delmiro, um dos maiores músicos de nossa MPB nas últimas décadas. E se une ao grupo de artistas para celebrar os 50 anos da Tropicália colorindo suas interpretações!

Somos Tropicália
Até dezembro serão programados encontros poético-musicais que ressaltam a importância da Tropicália na música popular brasileira, com influências que reverberam até hoje no cenário do cancioneiro contemporâneo. As noites vão misturar leituras de poemas e participações musicais em releituras do repertório tropicalista por artistas e poetas – entre novos e consagrados – que de alguma forma ecoam a Tropicália em seus trabalhos e carreiras.

Os encontros ocorrerão, justamente, no primeiro andar da casa onde morou o irreverente e festivo Guilherme Araújo, célebre empresário e produtor musical dos baianos no final da década de 60, considerado uma espécie de co-criador do movimento. Por vontade do próprio Guilherme, após sua morte a casa foi transformada em gabinete de leitura, funcionando também como centro cultural.

O projeto, sob coordenação, curadoria e produção do jornalista Rafael Millon e do poeta Paulo Sabino (também jornalista), é realizado em parceria com o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo, e estreou oficialmente em fevereiro, reunindo a cantora Mãeana, o músico e compositor Bem Gil, e o poeta e agitador cultural Jorge Salomão. E em março o evento recebeu os cantores e compositores Lila e Matheus VK junto com o ator e poeta Eber Inácio, sempre em duas noites.

Tropicália e o Gabinete de Leitura
Em 1967 – no mesmo ano em que o público se impactava com exposição da instalação “Tropicália”, de Hélio Oiticica, no Museu de Arte Moderna do Rio, com a montagem da peça “O Rei da Vela”, de Oswald de Andrade, pelo Teatro Oficina, e com a exibição do filme “Terra em Transe”, de Glauber Rocha – as eletrificadas apresentações de Caetano Veloso com “Alegria, alegria”, e de Gilberto Gil com “Domingo no Parque” no Festival da TV Record romperam com os padrões musicais da época. Surgia então a Tropicália, um novo movimento estético-musical que fascinou o país, e revolucionou e reposicionou a cultura brasileira no final dos anos 60.

A partir da incorporação de elementos da cultura de massa internacional, misturadas a referências nacionais, e à sofisticação musical característica nossa, o movimento ganhou a adesão de diversos artistas, e transformou a produção cultural brasileira a partir do novo patamar criativo-comportamental proposto pelo grupo. Na música, liderado por Caetano Veloso e Gilberto Gil, e tendo Gal Costa como eterna grande musa, e integrantes como Nara Leão, Tom Zé, Rogério Duprat e Torquato Neto, as influências tropicalistas seguiram pelos anos 70 adentro e agora o movimento completa 50 anos em 2017.

Por trás disso tudo estava Guilherme Araújo, o visionário empresário e produtor musical dos três baianos à época, conduzindo as produções de suas apresentações, turnês e álbuns, e unindo-os também a novos artistas. No caminho aberto por eles em plena ditadura militar, logo em seguida surgiriam nomes como os Mutantes, Novos Baianos, Secos e Molhados, Ney Matogrosso, A Cor do Som, e tantos outros. Nasciam, assim, artistas que colocavam em cheque uma elitizada imposição do que era tido como “bom gosto”, e combatiam a caretice e a sisudez do período para darem lugar à irreverência, à liberdade e à diversidade nos modos de viver e criar.

A presença e a influência de Guilherme Araújo nos bastidores da Tropicália foram decisivas, e por isso o Gabinete de Leitura organizará uma série de eventos que celebram o tropicalismo ao longo de 2017. Serão realizados shows, saraus, leituras e montagens de peças com participações de artistas ligados ao movimento na época e também de novos talentos que nele se inspiram e/ou que possuem espírito criativo semelhante. 

De maneira informal, o Gabinete de Leitura Guilherme Araújo deu início a essas comemorações nos dias 26 de janeiro e 02 de fevereiro, com as apresentações da cantora e compositora Georgeana Bonow, que dividiu ambas as noites com o poeta, letrista e filósofo Antônio Cícero.

Serviço

Gabinete de Leitura Guilherme Araújo

SOMOS TROPICÁLIA – 50 anos do movimento

Abril: com Juliana Linhares, Mihay, Hélio Moulin e Salgado Maranhão / Pocket-show e leitura de poesias

Dias 26/04 (4ª-feira) e 27/04 (5ª-feira)
A partir das 19h30
Rua Redentor, 157 Ipanema
Tel infos. 21-2523-1553
Entrada franca c/ contribuição voluntária
Lotação: 60 lugares
Classificação: livre

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