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novembro 18, 2018
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‘Somos todos Fênix’:  Leny Bello Quinteto

O piano dela era a alma de casas que marcaram época no Rio como Antonino e Chico’s Bar. E, com ele, acompanhou grandes nomes da música como Áurea Martins, Agnaldo Timóteo, Helena de Lima, Ellen de Lima e Luiz César. O piano é  parte fundamental na vida de Leny Bello. Esse ofício sofreu um revés em 2009. Uma isquemia fez com que ela precisasse deixar de lado o instrumento. Ela pensou que nunca mais voltaria a tocá-lo. Acontece que Leny Bello não é mulher de entregar os pontos. Munida de perseverança, a artista transpôs as seqüelas deixadas pelo episódio. E, dez anos após o seu último show no Rio, volta aos palcos. A pianista apresenta “Somos todos Fênix”, dia 29 (quarta-feira), na Sala Baden Powell, em Copacabana. E escalou grandes músicos para esta sua volta à cena. A banda é composta simplesmente por Nivaldo Ornellas (sopros), Eristom Gonçalves (baixo), João Cortez (bateria) e Márcio Almeida Hulk (cavaquinho), além das lindas vozes de Conceição Rios e Thereza Moraes. A noite terá também as participações do compositor Sidney Mattos e da cantora Alice Maria Vianna. E outras canjas podem acontecer se levarmos em conta o quão querida Leny é no meio musical.

Se o contato com o piano foi retomado aos poucos, a rotina de ensaios teve na figura de Conceição Rios sua principal entusiasta. A cantora, cuja voz abrilhantou discos de grandes nomes da música, estava há 30 anos afastada dos palcos. Ao saber disso num encontro casual, Leny perguntou-lhe a queima roupa: “O que você vai dizer sobre a tua vida quando precisar acertar contas com o Cara lá de cima?”.  “Topa então ensaiar comigo?”, devolveu-lhe a cantora. Diante da recusa inicial da instrumentista, saiu-se com esta: “O que vai dizer quando for acertar contas com o Cara lá de cima?”. Dali a poucos dias, começaram a preparar um repertório para Rios.  Não tardaria para Leny acalentar sua aguardada volta aos palcos.

Na mitologia grega, a Fênix é uma criatura alada que tem o dom de renascer das cinzas. Natural que Leny se reconheça nessa figura após driblar e vencer obstáculos que muitas vezes colocaram-na à prova. A música falou-lhe mais alto, e a artista dedicou-se a uma rotina de sessões de fisioterapia, exercícios e também a uma rigorosa dieta – rotina que mantém com afinco. O novo show é uma celebração à vida e à música. Nada mais natural que ela revisite temas e canções que marcaram sua trajetória. O repertório do show abarca desde sambas de mestres como Ary Barroso (“Camisa amarela” e “Pra machucar meu coração”), Assis Valente (“Camisa Listrada”) e Waldir Azevedo (“Brasileirinho”) a standards como “Estate” (Bruno Martino/Bruno Brighetti). E  claro que não podem ficar de fora clássicos da bossa nova como “Fotografia” (Tom Jobim), “Samba de uma nota só” (Jobim e Newton Mendonça), “Samba de verão” (Marcos e Paulo César Valle) e “Navega e ilumina” (Francis Hime). Presença certa no roteiro é “Samba para Leny”, parceria de Sidney Mattos com Ana Terra em homenagem à pianista. Um tributo justo a alguém cujo amor à música (e ao seu instrumento) falou mais alto do que os contratempos do destino. Palmas para ela!

Leny Bello:
Já aos 7 anos a pianista foi revelada (e aclamada) numa audição na Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Os estudos do piano começaram em casa, com a grande pianista Leonor Freitas, sua mãe, e tiveram continuidade na Escola Nacional de Música (hoje ligado à UFRJ). Em fins dos anos 90, a música brasileira passa a ter destaque no seu repertório. E isso abre-lhe as portas de importantes espaços no Rio de Janeiro como o Antonino, Chico’s Bar, Lugar Comum, Recanto da Lapa e o Lion’s Pub, casa da qual foi também a diretora artística. Em 1999, cria o “Novos talentos”, evento que, durante quase dez anos, revelou nomes que hoje brilham na cena musical. Em 2004, já consagrada como pianista, grava seu primeiro (e até então) único CD, “Leny Bello convida”, que traz as participações de grandes nomes da música.

Somos todos Fênix —  Leny Bello Quinteto

Músicos: Leny Bello (piano), Conceição Rios e Thereza Moraes (vocais),  Eristom Gonçalves (baixo),   João Cortez (bateria),  Márcio Almeida Hulk (cavaquinho), Nivaldo Ornellas (sopros) Participações especiais de Sidney Mattos e da cantora Alice Maria Vianna

Produção executiva: Rogério Faria

Fotos: Adriana Gonçalves e Flávia Mendes

Vídeos: Ygor Bahia

Serviço:
Dia e hora: 29 de agosto (quarta-feira), às 19h
Local: Sala Municipal Baden Powell (Av. N. S. de Copacabana, 360, Copacabana. Tels: 2547-9147. A bilheteria funciona das 14h30m às 21h)
Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia)
Capacidade: 469 lugares
Duração: 100 minutos
Classificação: livre

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