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maio 24, 2019
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‘Solo’, vencedor do Seleção Brasil em Cena, estreia no CCBB-Rio

Kadu Garcia - foto: Viniciús Arneiro
Kadu Garcia - foto: Viniciús Arneiro

Com direção de Viniciús Arneiro, o espetáculo é resultado do concurso de dramaturgia promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil

Um homem solitário, criado entre lápides de um cemitério, tem uma profunda devoção pela terra. É nela que ele encontra aceitação e afeto e é por ela que ele se transforma. Solo, texto vencedor da 8ª edição do concurso de dramaturgia Seleção Brasil em Cena, é de autoria do dramaturgo Fabrício Branco e tem direção de Viniciús Arneiro. A temporada estreia no CCBB-Rio no dia 9 de janeiro de 2019 e seguirá de quarta a domingo, no Teatro III, às 19h30.

No cemitério onde trabalha como coveiro, o homem (Kadu Garcia) percebe que os sepultamentos diminuíram, enquanto o número de cremações aumentou. Ele resolve então despir-se de suas máscaras sociais e passa a ouvir seu instinto primitivo: começa a alimentar a terra que o acolheu até ali. “As relações da solidão e do homem com a terra se misturam através da apresentação de diferentes personagens, que contam a história de vida de um homem moldado pela morte”, explica Fabrício. “Em suas mãos, a valorização do único afeto que recebeu em vida: o amor pela terra”.

“Solo” foi inicialmente escrito como um monólogo, onde um ator contava a história do coveiro e dos demais personagens. Durante os ensaios para o ciclo de leituras dramatizadas, o diretor Viniciús Arneiro sugeriu dar voz aos demais personagens, trazendo assim a individualidade a cada um. “O texto do Fabrício levanta uma poeira que a gente tenta baixar. Ele retrata arquétipos sob o olhar do senso comum ”, diz o diretor.

 No elenco, ao lado de Kadu Garcia (coveiro), estão Aliny Ulbricht (gorda), Bárbara Abi-Rihan (mendigo) e Jansen Castellar (pastor). Cada personagem fala sobre suas mazelas, sem máscaras. Em comum, eles têm o mesmo sentimento: o de “não pertencimento”.

A peça apresenta uma narrativa de terror psicológico, tendo como referência inicial o monólogo “Cine Monstro”, do premiado autor canadense Daniel MacIvor. “Os livros ‘Intermitências da Morte’, de José Saramago e ‘Teoria Geral do Esquecimento’, do angolano José Eduardo Agualusa, também serviram como inspiração para o texto”, lembra o Fabrício. “Solo” traz uma reflexão sobre questões contemporâneas e apresenta diversas referências atuais. “Considero o teatro um local de denúncia e esta peça levanta questões ligadas às minorias, aos excluídos”.

Seleção Brasil em Cena
Promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil, o concurso nacional de dramaturgia Seleção Brasil em Cena tem como principal objetivo fomentar a criação de obras teatrais inéditas por meio de novos dramaturgos. Desde sua criação em 2006, o projeto recebeu mais de 2018 textos de autores de todo o Brasil.

Em sua oitava edição, foram 418 textos de 17 estados e do Distrito Federal. Foram selecionados 12 finalistas de três estados (um do Paraná, quatro de São Paulo e seis do Rio de Janeiro), que foram avaliados por uma comissão formada por profissionais da área de artes cênicas. O júri só conheceu os nomes dos autores após a escolha dos 12 finalistas.

“Solo”, de Fabrício Branco, foi o texto mais votado no ciclo de leituras dramatizadas realizado de 22 de setembro a 7 de outubro, no CCBB. Público e a Comissão de Avaliação das Leituras  participaram da votação.

O autor
Fabrício Branco começou a frequentar o teatro na infância, incentivado por seus pais e, aos 11 anos, escreveu sua primeira peça. Estudou Administração na PUC-Rio mas foi na faculdade de Letras, em São João del-Rei/MG, que ele encontrou seu ofício. De volta ao Rio, participou do projeto Dramaturgia de Novos Autores (DNA), do Galpão Gamboa, quando conheceu o dramaturgo e diretor teatral Walter Daguerre. O encontro rendeu um novo caminho profissional para Fabrício. Trabalhou em “Nordestinos” como assistente de dramaturgia de Daguerre e de direção de Tuca Andrada; assinou o roteiro do show “Orlando Silva”, idealização e atuação de Tuca e direção de Inez Vianna; em “Josephine Baker, a Vênus Negra” foi assistente de dramaturgia  de Daguerre e de direção de Otávio Muller, parceria que repetiu em “Loloucas”, de Heloísa Périssé. Em 2017, escreveu a peça “Lá fora é pior”, que integrou o projeto Núcleo Arcos Dramatúrgicos, em São Paulo; e este ano “Na Parede da Memória”, inspirado na história de Belchior, a convite de Paulo Merísio.

O diretor
Viniciús Arneiro é diretor de teatro e ator. Formou-se na Escola de Teatro Martins Penna no Rio de Janeiro, em 2006. Como diretor, tem participado de projetos com dramaturgia em processo e, sobre tudo, dedica-se a pesquisar a relação entre espaço, corpo e escrita cênica. Em 2007 estreou sua primeira direção, o espetáculo Cachorro!, texto de Jô Bilac, primeiro espetáculo do Teatro Independente, Cia. da qual é fundador e diretor artístico, espetáculo pelo qual foi indicado ao Prêmio Shell 2007 de Melhor Direção. Dentre os trabalhos que dirigiu estão: Rebú (2009) e Cucaracha (2012), ambos as peças foram escritas por Jô Bilac e realizadas pelo Teatro Independente; Fluxorama (2013), dramaturgia de Jô Bilac – projeto em que atuou e dirigiu em parceria com Inez Viana e Rita Clemente; Cássia Eller, o musical (2014) – Indicado ao prêmio Arte Qualidade Brasil nas categorias Melhor Espetáculo Musical e Melhor Direção. Durante o ano de 2015 morou em Nova Iorque e foi convidado a colaborar na série de ações Things That Must Be Done, de Eleonora Fabião – desde então tem sido colaborador nas ações da performer. Os Sonhadores (2016), com dramaturgia de Diogo Liberano, espetáculo indicado ao Prêmio Shell nas categorias Autor, Direção e Cenário; COLÔNIA (2017), peça-conferência com dramaturgia de Gustavo Colombini e atuação de Renato Livera – indicada ao APCA 2018 de Melhor Dramaturgia; ROSE (2018), texto de Cecília Ripoll – projeto oriundo do Núcleo de Dramaturgia do SESI – Indicado ao Prêmio Shell 2018 de Melhor Autora.

FICHA TÉCNICA
Patrocínio: Banco do Brasil
Realização: Centro Cultural Banco do Brasil
Dramaturgia: Fabrício Branco
Direção: Vinícius Arneiro
Assistência de Direção: Andreas Gatto
Elenco: Kadu Garcia, Aliny Ulbricht, Bárbara Abi-Rihan e Jansen Castellar
Cenografia: Fernando Mello da Costa
Figurino: Ticiana Passos
Direção Musical: Marcelo H
Iluminação: Bernardo Lorga
Programação Visual: Tânia Grillo
Produção Executiva: João Eizô Y. Saboya
Assistência de Produção: Alessandro Zoe
Direção de Produção: Sergio Saboya 

SERVIÇO: SOLO
Temporada: de 9 de janeiro a 3 de março.
Local: CCBB RJ – Teatro III (Rua Primeiro de Março, 66 – Centro).
Informações: (21) 3808-2020.
Dias e horário: de quarta a domingo, às 19h30.
Duração: 80 min.
Capacidade: 40 lugares
Classificação indicativa: 18 anos

 

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