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maio 22, 2019
Patrick Ribeiro

“Sekiro: Shadows die Twice” continua o legado de obras primas da From Software

Se você não é careca, pode ir se preparando para ficar, já que é garantido arrancar seus cabelos até atingir a superfície de “Sekiro: Shadows die Twice” (2019), o novo jogo da From Sofware. A empresa, dirigida por Hidetaka Miyazaki e conhecida pela série “Dark Souls” (2011) e “Bloodborne” (2015) apresenta como uma das principais características a dificuldade elevada em seus jogos, especialmente para os iniciantes. Porém ao mesmo tempo permite que o jogador aprenda gradativamente e aos poucos se torne conhecedor das mecânicas e atinja a maestria das mesmas, se sentindo extremamente recompensado.

Sekiro foi lançado no dia 22 de março deste ano e já atingiu o status de mais um jogo cultuado da empresa. Ambientado no Japão feudal, o jogo conta a história de Sekiro, um ninja que de algum modo atingiu a imortalidade e necessita proteger seu senhor, Kuro, que possui uma ligação forte com o protagonista. Obviamente que ao longo da história você acaba conhecendo outros personagens que o auxiliam durante sua jornada, como a médica Emma (nome estranho para uma japonesa da época) e o escultor budista, que é responsável pela criação da prótese do braço do personagem, arrancado logo nos primeiros minutos de história.

Embora esteja longe de ser mais um jogo das duas últimas produções da From Software, é praticamente impossível não fazer comparações à franquia “Souls” ou até mesmo a “Bloodborne”. Primeiramente no modo como a própria história é contada: Sekiro possui uma narrativa linear e apresentada pelo ponto de vista dos personagens, através de diálogos e interações durante o jogo. Já os anteriores tinham toda sua história contada a partir de itens e fragmentos perdidos pelo mundo. O jogo analisado aqui é mais objetivo, deixando a subjetividade apenas voltada para a exploração, tendo em vista sua maior liberdade.

O combate é um dos elementos que mais chama a atenção nas mecânicas do jogo. Constituído por dois elementos: a barra de vitalidade e a barra de postura; enquanto a primeira garante a sobrevivência do seu personagem, a segunda é responsável pela estabilidade do mesmo enquanto defende golpes. Quanto mais defender, mais rápido a barra de postura enche, e ao atingir o máximo, você fica exposto a um ataque do inimigo, que pode ser devastador e leva-lo à morte instantânea.

Para mitigar o desgaste da postura, existe uma mecânica que dá um ar especial ao combate, chamada de “parry” (Uma tradução possível seria defletir). É possível utilizar tal recurso apertando o botão de defesa no momento em que o inimigo for atingi-lo. Assim ao invés de aumentar sua barra de postura, você acaba danificando a barra de postura do adversário. Também é necessário lembrar que alguns chefes e subchefes somente podem ser mortos desferindo os “golpes mortais”, que acontecem em duas situações: quando a vitalidade zerar ou a barra de postura encher totalmente.

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Essa nova forma de combate dá uma nova vitalidade ao jogo; enquanto “Dark Souls” era voltada para a espera de uma oportunidade de ataque, geralmente utilizando o botão de rolagem para esquivar-se, Sekiro faz com que o jogador necessite ter uma postura agressiva, inclusive mais do que “Bloodborne”, que já era considerado um jogo mais agressivo em relação ao seu antecessor. É necessário alternar entre ataques rápidos e consecutivos para momentos de esquiva e tentativas de parry no ataque adversário. Simplesmente esperar o inimigo apresentar uma brecha não irá resolver, já que ao contrário dos dois jogos anteriores, não há uma barra de Stamina para acabar, além de frames de invencibilidade menores em relação a “Dark Souls”, nem sempre garantindo que sua esquiva irá funcionar.

Além disso, ainda há a mecânica de ressureição e morte. Sempre que sua vitalidade chega à zero, você possui a opção de ressuscitar ou morrer de fato. Caso opte pelo primeiro, você começa exatamente do mesmo ponto em que foi morto. Essa opção só pode ser utilizada uma vez por luta, então é sempre bom escolher com cautela. Caso decida morrer, você volta para a última estátua a qual meditou e perde metade dos seus pontos de experiência, assim como metade do dinheiro. Vale ressaltar que os “Skill Points” (pontos de habilidade) não são perdidos, então às vezes é mais lucrativo tentar juntar pontos de experiência suficiente para comprar um ponto de habilidade, então só depois ir enfrentar um chefe ou subchefe.

Graficamente é um belíssimo jogo, com cenários que remontam a era do Japão feudal com fidelidade. Desde as enormes mansões até os inimigos e suas vestimentas. Dá a impressão de ser o jogo mais polido da From Software, já que apresenta apenas pequenos bugs. Porém ainda prefiro os gráficos vitorianos baseados nas obras de horror gótico de “Bloodborne”. No quesito técnico, as versões dos consoles ficam travadas em 30 frames por segundo, com algumas quedas, enquanto a versão Windows possui 60 frames travados, o que considero ideal para esse tipo de jogo, tendo em vista o tempo de resposta necessário para utilizar o parry.

Considero que Sekiro seja o melhor jogo feito pela From Software, porém não é um clone ou algo similar a “Dark Souls”. Como o próprio Miyazaki disse, seu estúdio não quer passar a vida toda fazendo o mesmo tipo de jogo. Mesmo assim, possui elementos que o farão lembrar dos jogos anteriores, seja pela dificuldade extremamente elevada (não desista do último chefe, vale a pena) ou pelo próprio modo como que o jogador irá explorar o mundo fantástico dessa obra prima ambientada no Japão Feudal, além do combate que considero também um dos melhores, senão o melhor já criado para a indústria de videogames.

Ficha Técnica:
Ano de lançamento: 2019
Título: Sekiro: Shadows Die Twice
Produtora: From Software
Plataforma(s): Xbox One, Playstation 4, Windows

 

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