16.7 C
New York
maio 22, 2019
Patrick Ribeiro

Se você busca um jogo de estratégia inovador, jogue “Into the Breach”

Jogos de estratégia são talvez um dos gêneros mais antigos da humanidade. Um dos exemplos mais populares é o Xadrez, jogo milenar que mesmo nos dias atuais possui muitos adeptos. Coincidências à parte, o primeiro “jogo” para computador foi uma simulação digital do jogo de tabuleiro, computando as jogadas entre os participantes. Nos jogos digitais, a evolução do gênero se desdobrou em vários subgêneros diferentes, como RTS (Estratégia em tempo real), Estratégia por turnos, entre muitos outros. Into the Breach pode ser considerado como uma subversão ao gênero, e o faz de forma original e interessante.

Lançado em fevereiro de 2018, é o segundo jogo da empresa Subset Games, composta por apenas dois integrantes: Justin Ma e Matthew Davis, responsáveis também pelo excelente jogo FTL (Faster than Light), considerado um dos jogos mais inovadores em seu lançamento, já que adaptava o gênero roguelike em um ambiente temático voltado para batalhas espaciais. Realmente é impressionante como uma equipe composta por apenas dois desenvolvedores conseguiu entregar produtos com esse nível de polimento e com um fator replay muito interessante.

Into the Breach pode ser considerado uma mistura dos gêneros de estratégia e roguelike.O primeiro é responsável pela parte das mecânicas de combate e movimentação, que seguem o estilo tradicional dos jogos de estratégia por turnos. Já o segundo, que voltou a ganhar popularidade nos últimos anos, é voltado para a aquisição de equipamentos e melhorias de atributos dos personagens, adquiridos conforme o avanço no jogo. Além disso, o jogo utiliza de uma das principais características do gênero, que é a morte permanente, e a adapta em um recurso narrativo genial, que motiva o jogador a continuar jogando: sempre que a tela de “Game Over” é apresentada, é como você fosse transportado para outra realidade que ainda não foi invadida e tivesse outra chance de mudar a história.

Falando em história, escrita por Chris Avellone, temos uma trama bastante interessante e mesmo não sendo original, prende o jogador. Você faz parte de uma equipe de pilotos de robôs também conhecidos como “Mechas” (famosos na cultura japonesa), que viajam através de realidades alternativas e são responsáveis por combater criaturas gigantes, conhecidas como Zek, que ameaçam o planeta Terra. É notável a relação entre os seres e os filmes do gênero Kaiju, popular no Japão, país que possui produções como Godzilla.

O jogo é composto por cinco ilhas diferentes, que representam suas respectivas fases. O jogador é obrigado a terminar o primeiro cenário e a partir daí, pode escolher qualquer um. Terminando o segundo, é possível escolher ir direto para a ilha vulcânica, o estágio final. Porém é possível prosseguir para as ilhas seguintes e adquirir melhorias para seus robôs e pilotos. Tais melhorias são adquiridas ao completar determinadas missões nas subfases de cada ilha.

A mecânica de combate é aparentemente simples, mas por trás esconde um elevado nível de complexidade; você controla uma equipe composta por 3 robôs em cenários dispostos em um tabuleiro 8×8, e a cada turno, pode movimentar seu personagem e realizar determinada ação. Após isso, o inimigo começa o turno dele. Você tem como objetivo principal defender prédios habitados por civis, que representam a sua barra de energia. Caso cheguem a 0, o jogo acaba e você recomeça do primeiro estágio. É permitido ao jogador voltar os movimentos realizados, porém apenas antes de realizar qualquer ação, servindo para calcular suas jogadas e prever os melhores cenários para a vitória. Também é possível voltar no tempo uma vez por batalha e recomeçar o turno, caso tenha realizado alguma ação errada, mais uma vez dialogando com a narrativa.

Um dos principais aspectos é a dinâmica entre os robôs e os pilotos, já que cada um possui características, armas e habilidades diferentes. Algumas combinações são bastante eficientes, potencializando as habilidades de cada. É possível desbloquear os pilotos terminando todas as subfases da ilha sem falhar em nenhuma missão e também resgatando-os em cápsulas que caem aleatoriamente nos estágios. Já em relação aos robôs, temos 6 equipes compostas por 3 membros cada, podendo ser comprados com moedas recebidas após completar tarefas. Cada equipe possui robôs com temáticas diferentes e possuem características únicas. Também é possível criar sua própria equipe, mesclando os diversos robôs. As possibilidades são imensas.

Os sistemas econômicos e de aprimoramentos de Into the Breach se baseiam em três tipos de elementos: a reputação, que funciona como o dinheiro do jogo, permitindo ao jogador comprar cores (núcleos), habilidades ou power grids (energia) ao final de cada missão; os cores, que são responsáveis pela melhoria dos atributos de pilotos e também de algumas habilidades, e por fim, os power grids, que equivalem à vida do jogador. Caso esteja completa, cada power grid adquirido aumenta as chances dos prédios resistirem ao ataque inimigo.

Os gráficos são excelentes, utilizando um estilo pixel art bem definido e com animações simples, porém fluídas, que dão um aspecto único ao jogo. A trilha sonora, composta por Bem Prunty, é excelente, com variações temáticas bem interessantes. Talvez um dos principais aspectos negativos do jogo seja a elevada dificuldade, especialmente para marinheiros de primeira viagem no gênero. O modo normal é bastante complexo e possivelmente o jogador irá encarar várias telas de “Game Over” até entender como funcionam as mecânicas do jogo. Porém o aprendizado é recompensador e realmente você vai sentindo-se cada vez mais capaz de passar pelos desafios propostos.

Embora seja considerado um jogo de nicho, Into the Breach traz elementos originais ao gênero de estratégia, tornando-o uma experiência agradável e única a cada partida. Aprender as diversas nuances e táticas requer determinado estudo e análise das jogadas, especialmente em níveis mais avançados. Porém ao aprende-las, o jogador se sente inteiramente recompensado e capaz, o que torna o jogo um sucesso no que diz respeito ao seu game design. Junte isso a uma história cativante, acompanhada de uma arte belíssima e uma trilha sonora de qualidade impecável.

 

Ficha Técnica:

Ano de lançamento: 2018 (Fevereiro para Windows e Agosto para o restante)

Título: Into the Breach

Produtora: Subset Games

Plataforma(s): Nintendo Switch, Windows, MacOS, Linux (A ser anunciado).

 

Posts relacionados

Crackdown 3: um injustiçado simulador de Terry Crews

Patrick Ribeiro

“Sekiro: Shadows die Twice” continua o legado de obras primas da From Software

Patrick Ribeiro

Deixe um comentário