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junho 17, 2019
Música

Sambista estreia em disco aos 74 anos e encara show no Rival

Luz Marina - foto: Luz Marina
Luz Marina - foto: Luz Marina

Compositor faz sua estreia em CD aos 74 anos reunindo 12 dos seus mais belos sambas. O álbum tem produção e direção musicais de Rildo Hora e será lançado, dia 16 de maio, no Teatro Rival Petrobras

Certas joias levam anos sendo maturadas. Até que chega o dia em que seu brilho fulgura. O mesmo vale para certos artistas. Na esfera literária, por exemplo, a poeta Cora Coralina lançou seu primeiro livro aos 76 anos. No âmbito da música, mais exatamente no do samba, muitos são os exemplos. Clementina de Jesus teve seu talento revelado aos 63 anos. Mais recentemente, Roque Ferreira estreou em disco no ano 2000. São muitos os talentos incontestes revelados quando suas verves artísticas já estavam amadurecidas. E o Brasil vai conhecer este ano um talento que faz, aos 74 anos, sua estreia em disco. O artista em questão é Eliziário da Conceição, nome artístico de Walter da Conceição Eliziário, que tem 12 de seus mais belos sambas reunidos no seu disco de estreia, “Amor & Arte”. O álbum tem produção musical assinada pelo renomado maestro Rildo Hora e será lançado, dia 16 de maio, às 19h30m, no Teatro Rival Petrobras, em apresentação com direção musical e a participação especial do próprio Hora.

Seu Eliziário da Conceição guardou-se, como naquele samba do Chico, para quando o (seu) carnaval chegasse. Se, por um lado, o tempo só fez bem às suas canções, por outro, selecionar o que entraria nesse disco de estreia foi uma verdadeira “escolha de Sofia”. Produtor e artista queimaram a mufa para chegar aos 12 sambas – todos de grande labor melódico- poético – de “Amor e Arte”.  Desde que iniciou-se na composição, então com 13 anos, até os dias de hoje, seu Eliziário criou um repertório de mais de cem composições – a grande maioria só dele.

Repertório este que vem ganhando corpo desde que o então franzino Eliziário envolveu-se, em 1974, com a primeira das muitas escolas de samba e agremiações às quais contribuiria com seu talento. Da Mocidade Unida de Miguel Couto, em Nova Iguaçu, onde ganhou seu primeiro samba-enredo, muda-se com seus instrumentos de percussão (com os quais – e somente com eles – compõe) para o bloco Quem Quiser Pode Vir, que arrastava multidões na Pavuna. O boca-a-boca em torno dos seus sambas ganhou a cidade e levou-o a três importantes agremiações: Unidos da Ponte, Mangueira e, mais recentemente, Grande Rio.

Uma pergunta talvez paire no ar: por que um talento respaldado por diferentes agremiações levou tanto tempo para gravar? Eliziário da Conceição é como aquele personagem de Machado de Assis, cujo excesso de zelo era uma de suas principais marcas. Muitos  foram os artistas que quiseram conhecer suas criações. Cauteloso (para não dizer modesto), achou que precisava aprimorar mais sua vocação como autor. E, como já dito, o tempo só lhe fez bem.

Prova disso são as 12 faixas de “Amor & arte”. Sambas como “Vou partir” e “Não mereço perdão” mostram que Eliziário da Conceição pertence à mesma dinastia de nomes como Cartola e Nelson Cavaquinho. A mítica figura da sereia, tão cantada em sambas de outrora, volta toda faceira no delicioso “O canto da sereia”, mostrando que tem ali o DNA da “Sereia Guiomar”, de Dona Ivone Lara. A gratidão pelo Maranhão, que lhe deu Dona Socorro, amor de toda uma vida, inspirou os sambas “Morena faceira” e “O canto do sabiá”, ambos exacerbando em malemolência e balanço.

Esse álbum (com)prova que a vocação de Eliziário da Conceição é o samba de raiz, incluídas aí variações como o samba de terreiro. Não só: ouvimos também ecos do jongo e do maxixe. É o caso do pungente “O negro na sociedade”, que reverbera o canto de Tia Ciata, perpetuado por Clementina e resgatado agora por seu Eliziário. Tudo isso fica ampliado pela lente do maestro Rildo, que “vestiu” cada uma das composições com classe e elegância merecidas.

Eliziário da Conceição “chegou chegando”, como se diz por aí. Num tempo em que certas minúcias e delicadezas precisam ser resgatadas pela música (e pela arte como um todo). Chegou para ficar. No sapatinho (bicolor) e com o garbo e a sobriedade que os seus 74 anos lhe conferem. Abram alas!

Serviço:
Show de lançamento do CD “Amor e arte”
Direção musical e participação especial: Rildo Hora
Dia e hora: 16 de maio, quinta-feira, às 19h30m
Local: Teatro Rival Petrobras (Rua Álvaro Alvim, 33, Cinelândia. Tel: 2240-4469)
Ingressos: R$ 60 (inteira), R$40 (promoção para os 100 primeiros pagantes) e R$30 (meia entrada)
Abertura da casa: 18h

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