Rubel e Sofia Freire são as novas apostas do Natura Musical após vitória pelo voto popular

O carioca Rubel e a pernambucana Sofia Freire são as novas apostas do Natura Musical, após vitória em votação online, e irão gravar seus próximos discos, o segundo de suas carreiras, com patrocínio da marca. Os dois vão integrar o elenco do Natura Musical em 2017, que será divulgado em dezembro, após seleção anual realizada por meio de editais públicos.

O cantor e compositor carioca Rubel, 25, teve 4,8 milhões de views em seu primeiro clipe no youtube, “Quando bate aquela saudade”, e a pianista, cantora e compositora pernambucana Sofia Freire, 19, descoberta numa seletiva do selo Joinha Records, tem uma presença cada vez mais forte no circuito indie, com participações em festivais como o RecBeat e Coquetel Molotov.

Em 19 dias de campanha, a votação online recebeu mais de 300 mil votos para Rubel, Sofia Freire, Luiza Lian, Jr. Black e Angela Carneosso e a Peste, os cinco nomes que foram selecionados pela comissão de especialistas do programa para disputar pelo voto popular o patrocínio para a gravação de seus próximos projetos. Aproximadamente 200 artistas ou bandas se inscreveram na categoria Voto Popular dos editais Natura Musical, dedicada à gravação de primeiro ou segundo álbum de carreira pelo programa. 

Rubel
A mistura entre MPB e folk rock e o poder da internet colocaram o jovem cantor e compositor carioca Rubel, 25 anos, no posto de uma das mais promissoras apostas da cena independente, mesmo sem herdar público por ter pertencido a alguma banda renomada ou investimento de gravadora. Após liderar a votação popular do Natura Musical, Rubel se apresenta no Auditório Ibirapuera, dia 5 de novembro. Em 2013, o músico lançou Pearl, seu primeiro disco, gravado em um estúdio caseiro durante um intercâmbio em Austin, nos Estados Unidos. O álbum caiu no gosto do público dois anos depois e ganhou mais força com o clipe de “Quando Bate Aquela Saudade”, que já superou a marca de 4,8 milhões de views.

 

De volta ao Brasil depois do intercâmbio em Austin, seguido por uma temporada em LA, o músico formou uma banda para trabalhar o disco ao vivo, com Pablo Arruda (baixo), Gus Levy (guitarra), Pedro Fonte (bateria), Valtecir Freitas “Bubu” (trompete), Antonio Guerra (piano e teclado). No show, que já passou pelas principais capitais brasileiras, estão as sete faixas de Pearl, “Partilhar” e “Quando Bate Aquela Saudade”, além de versões de “Esotérico”, de Gilberto Gil, e “Tocando em Frente”, de Renato Teixeira. Rubel já trabalha na concepção de seu novo disco, que deve acrescentar à sua lista de influências musicais o hip hop que ele conheceu em LA.

Pearl (2013)

Sofia Freire
Concepção de música erudita misturada à eletrônica, beats marcantes, um passeio pela psicodelia e camadas de voz. Assim é a música de Sofia Freire, 19 anos, cantora, pianista e compositora do Recife. Desde os 15 ela compõe suas músicas, que emergem do universo erudito para o ambiente eletrônico. Se Bjork é sua maior inspiração, Debussy é o compositor favorito. Sua ciranda com loops eletrônicos repousa em confortáveis temas ao piano e seu timbre vocal, bastante jovem, cresce com a espontaneidade do sotaque regional. A música de Sofia, arquitetada em camadas, tem lirismo, sofisticação e o sentimento primordial da herança moura que é um dos alicerces da música do Nordeste.

Sofia lançou seu primeiro disco ano passado, “Garimpo”, após ter passado na seletiva para o elenco da Joinha Records, do Mombojó, China e Tibério Azul. “Garimpo” é baseado em poesias do pai, Wilson Freire, e da irmã, Clarice Freire, que são escritores, e outros nomes da cena pernambucana, como Micheliny Verunschk. Agora, a garota que chegou tímida ao seu primeiro show, passou pela preparação vocal de Linda Wise e foi vencedora do 7o Prêmio da Música e Pernambuco na categoria melhor cantora feminina, e já encarou a plateia dos festivais Coquetel Molotov e Rec­Beat. A proposta para seu segundo disco é um mergulho ainda mais profundo no rico universo melódico e poético que a envolve.

Garimpo (2015)

Natura Musical e o voto popular
Com a criação da campanha online no ano passado, o Natura Musical passou a dividir suas escolhas com o público no terreno das apostas nacionais, valorizando a opinião experiente da curadoria do programa, mas também apostando no potencial de mobilização dos artistas em início de carreira. A comissão de especialistas é formada por nomes do meio musical, entre críticos, produtores, empresários, artistas e jornalistas. Os integrantes da comissão serão revelados em dezembro, quando o Natura Musical anunciará todos os projetos selecionados pelos editais nacional e regionais para 2017.

Os editais Natura Musical foram criados em 2005 para fazer uso responsável e transparente de um recurso oferecido pelas leis de incentivo, e, no ano passado foi aberta a categoria de votação popular para revelação de novos talentos em estágio inicial de carreira (primeiro ou segundo disco). “Hoje a carreira musical é determinada não só pelo talento e excelência, mas também pela habilidade do artista em formar e engajar público em sua agenda. Nesses 11 anos, o Natura Musical vem mantendo seu compromisso com a renovação da música brasileira e nos últimos anos percebemos a necessidade de reconhecer os artistas que se dispõem a compartilhar deste objetivo”, diz Fernanda Paiva, gerente de marketing institucional da empresa de cosméticos.

Em 2015, a campanha online teve 252 inscritos e em 26 dias de votação recebeu mais de 750 mil votos e gerou inúmeros vídeos, memes, gifs e campanhas de artistas consagrados para seus favoritos. Os vencedores foram o cantor Almério (PE) e a Coutto Orchestra (SE) que estão em fase de lançamento dos seus álbuns.

Uma das principais características do pleito neste ano foi a diversidade de personalidades artísticas e cenas representadas: do samba e funk a uma rica combinação de erudita com eletrônica, além de fartas doses de pós-tropicalismo, vanguardismos paulistas e folk. Conheça os outros três artistas que participaram da campanha:

Angela Carneosso e a Peste
Angela Carneosso tem uma presença daquelas que a gente identifica logo de cara como força da natureza. Atriz forjada nos cursos da ECA e amadurecida na Universidade Antropófoga do Teat(r)o Oficina, é sob esse codinome artístico que Laura produz a festa Mamba Negra, ao lado de Carol Schutzer, em territórios inusitados do centro de São Paulo.

Estreou a carreira musical com o primeiro disco da banda “Teto Preto”, que traz composição própria e releituras da música brasileira, numa espécie de “terreiro eletrônico antropofágico”. De 2011 a 2013, Angela Carneosso apresentou-se com a banda Os Bacanais em festas, clubes e festivais da cena independente paulistana. Em 2014, conheceu Filipe Massumi, diretor musical do Teat(r)o Oficina, com quem desenvolve deste então a linguagem musical de novo ciclo do projeto: Angela Carneosso e a Peste, com referências da música experimental e popular brasileira.

A persona da atriz Laura Diaz, 27 anos, usa a atitude performática para dar voz ao posicionamento libertário. No palco, Carneosso, bacante de voz e atitude potentes, desperta fantasias dionisíacas. “Quando nasci em corpo de mulher, nesse mundo de hoje, infelizmente não tive opção de não ser colocada como objeto sexual, vejo o corpo como um campo de batalha”, resume. 

O primeiro disco de Angela Carneosso e a Peste reafirmará essa proposta em repertório autoral e inédito. “Não cantaremos o amor, o sorriso e a flor”, brincam Filipe e Laura. 

Luiza Lian
Luiza Lian é a cara da música paulistana contemporânea. Aos 27 anos, a cantora e compositora paulistana tem um background amplo: passou dos bancos da escola EMESP Tom Jobim aos espaços independentes do circuito autoral e casas de jazz da cidade.

Foi vocalista da banda “Noite Torta”, ao lado de Gabriel Basile (bateria e percussão), Jonas Garcia (violão, guitarra, voz), Gabriel Jacques (baixo, voz), Juliano Abramovay (violão, guitarra, teclado, bandolim e voz), com a qual lançou o disco Rio Adentro (2014) e se profissionalizou na música, participando também de diversos discos de bandas da cena independente como “Garotas Suecas”, “Holger” e “Mojo Workers”.

Em 2015, a cantora seguiu carreira solo e preparou seu disco de estreia, homônimo, lançado pelo selo “Risco” com referências que vão do blues ao jazz, passando pela psicodelia sonora e flertando com ritmos de terreiro. Sua banda é formada pelos músicos Tim Bernardes na guitarra (O Terno), Guilherme D’Almeida no baixo (O Terno), Juliano Abramovay no violão e guitarra (Grand Bazaar), Tomás de Souza nos teclados (Charlie e Os Marretas) e Charles Tixier na bateria (Charlie e Os Marretas).

O projeto do segundo disco aponta na direção de um álbum autoral com a inclusão de sopros e toques eletrônicos, com produção de Tim Bernardes, Charles Tixier e sua banda atual.

 Luiza Lian (2015)

Jr. Black
Jr. Black tem uma forte e bem-humorada veia de cronista urbano. Cantor de versos afiados e voz potente, com timbre inconfundível, imprime seu estilo em qualquer música que interprete, seja samba, soul, funk ou trip hop. Fã da música negra americana e do samba, o cantor e compositor Jr. Black, 40 anos, é de Garanhuns, no agreste pernambucano.

Começou a carreira, em 2001, como vocalista da banda recifense Negroove, onde permaneceu até 2007. Possui parcerias artísticas com China, Mombojó, DJ Dolores, Bande Dessinée, entre outros.

Enquanto seu primeiro álbum solo, “RGB” (Joinha Records, 2011) revelou uma paquera com o Miami Bass, mais cerebral, Jr. vive um momento de reconciliação com suas origens musicais. Atualmente, está à frente da banda Purassal, que interpreta músicas de Stevie Wonder.

O projeto de segundo disco solo, “Vende-se”, conta com a produção de Juliano Holanda e Yuri Queiroga, e será um álbum confessional, feito de narrativas urbanas, com letras calcadas em paisagens quase cinematográficas que falam “das glórias, epifanias e tragédias de um artista em uma cidade num eterno processo de destruição e reconstrução, guiado por ideais ultrapassados de “progresso” e por relações promíscuas entre o público e o privado – onde tudo parece estar à venda”.

RGB (2011) http://sonsdepernambuco.com.br/artistas/jr-black/

 

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.