25 C
Rio de Janeiro
dezembro 13, 2018
Exposição

Artista catalão Román Bonet é convidado de coletiva na Galeria Metara

Román
Román

Quatro artistas oriundos de países distintos apresentam seus trabalhos na coletiva “4 Estações”, que inaugura no dia 4 de setembro, terça, comemorando um ano de mudança da Galeria Metara de Ipanema para um charmoso sobrado de 1870 no Porto Maravilha. A brasileira Monica Carvalho, a “argentina-carioca” Susi Cantarino e o alemão Klaus Schneider se juntam ao catalão Roman Bonet, artista convidado pela curadora Liliu Castelo Branco, que pretende dar início a um intercâmbio entre a Catalunha e o Brasil, no que considera um embrião de aproximação entre cariocas e catalães.

“Assim como as estações, que ora preparam as sementes para germinarem, ora encerram ciclos, a criação do artista também passa por momentos distintos: a ideia e concepção da obra e seu amadurecimento, o desenvolvimento e execução da mesma e sua finalização. Aqui, quatro artistas distintos se encontram num mesmo processo, falando através da sensibilidade de suas obras. A arte não tem limitações, nem dificuldades de compreensão, ela flui pela sensibilidade de cada um”, explica a curadora, Liliu Castelo Branco.

Com técnicas completamente diferenciadas, o “fator tempo” aparece como fio condutor nas obras de todos eles. Monica trabalha com sementes e material orgânico descartado pela natureza, enquanto Susi dá novo uso a armários de metal desgastados, que são transformados em instalações pintadas. Já Klaus se apropria de matérias-primas naturais, como ripas de madeira, dispostas simetricamente em pendentes escultóricos, enquanto Roman levou um ano, entre dias e vindas, para concluir sua série em óleo sobre tela que retrata a paisagem Delta do Ebre, a seis horas de Barcelona.

COM A PALAVRA, A CURADORA: SUA PERCEPÇÃO SOBRE O TRABALHO DE CADA ARTISTA

Monica Carvalho trabalha com formas orgânicas, percebidas pelo olhar apurado e sintonizado da artista com a natureza. As sementes, contas preciosas, cipós, fibras, escamas, madrepérolas, toda essa riqueza que a generosidade da natureza não se cansa de nos presentear.

Susi Cantarino manipula a delicadeza do papel em todas as suas possibilidades, numa composição feminina, forte e ousada. Para esta exposição, prepara uma instalação, reciclando portas de armário em metal e usando a cor com maestria de quem se envolve e irradia este colorido.

Klaus Schneider apresenta com formas geométricas um grande resultado de leveza e equilíbrio. São esculturas que têm ritmo na sua movimentação e projetam novas formas em sombras geométricas.

Roman Bonet traz as variações de paisagens do Delta do Ebre, considerado patrimônio mundial, O rio Ebro nasce nos Pirineus e traz em sua correnteza sedimentos da cordilheira cantábrica, A quantidade de materiais sedimentados criou uma superfície de mais de 320 km², em que numerosos habitats foram formados. A forma atual do Delta é uma “seta” perfeitamente desenhada que penetra cerca de 22 km no mar. As variações de luz durante vários momentos do dia Roman capta esses instantes e os traduz em cores que são quase solidas para o olhar do observador. Junto com suas paisagens ele traz seus retratos, homens, mulheres, expressões, sensações. Novamente a cor domina o olhar, dando ênfase ao sentimento retratado.

SAIBA MAIS SOBRE CADA ARTISTA

ROMÁN BONET

Román Bonet é artista plástico, formado em Design de Interiores desde 1988. Em 1996, diferentes fatores como a História da Arte, a pintura de seu pai, Màxim Bonet, e as conversas sobre Arte com o primo, Montse Cesarini, inspiraram o primeiro trabalho em 1996. O artista foi autodidata até 2007, quando iniciu o primeiro ano de sete em cursos de pintura, ministrado pelo artista e professor  Jesús Martín Sánchez. Em 2015, se instalou em seu primeiro estúdio para realizar a última etapa dos “mis retratos astROMÁNticos de Love Of Lesbian”, combinando-o com o Design, sua profissão. No 1º trimestre de 2017 recebeu um curso de desenho ministrado por Manuela Rivero, se consolidando em retrato para realizar meu próximo projeto em curso.

SUSI SIELSKI CANTARINO

Susi Sielski Cantarino nasceu e estudou teatro em Buenos Aires e se mudou para Israel em 1975, onde cursou Belas Artes na Escola de Artes Midrasha LeOmanut. Mora no Rio de Janeiro há 30 anos e administra a Galeria de Arte Metara, trabalhando como curadora, produtora, além de desenvolver performances. Suas obras de arte, colagens, instalações e quadros fazem parte de coleções renomadas, e a artista teve seu trabalho exposto em museus, galerias, feiras e salões de arte em Israel, Japão, Itália, França, Colômbia, Brasil, Argentina, Espanha, Portugal, Alemanha, Inglaterra, Estados Unidos e Taiwan. Também cria capas de livros, camisetas e objetos de design. Suas serigrafias decoram muitos hotéis no Brasil e na Argentina. Já recebeu vários prêmios, como o Segundo Prêmio na Bienal de Florença.

MONICA CARVALHO

Monica Carvalho nasceu no Rio de Janeiro, é formada em Letras e trabalhou como professora de inglês, tradutora e intérprete. Estudou teoria da arte no MAM do Rio de Janeiro, no Metropolitan de Nova Iorque e no Louvre de Paris. Em constantes caminhadas por florestas, rios, praias, manguezais, montanhas e campos cata o que chama de fascinantes sobras orgânicas. Suas obras remetem aos atuais problemas ecológicos do planeta, alertam contra o descuido para com a natureza e extravasam um fio feminino de doçura, agressividade, indignação, elegância, requinte e sensualidade.Participou do protesto contra a retenção das obras de Franz Krajcberg no porto de Santos e foi encorajada por ele a seguir o seu caminho natural, resultando, hoje, no reconhecimento da mídia e dos profissionais do meio.

KLAUS SCHNEIDER

Klaus é alemão e criou uma forte ligação com o Brasil na sua adolescência, quando a família se mudou para o Rio de Janeiro. Sua afinidade com a natureza, desde menino, despertou sua curiosidade e seu fascínio pela madeira. Sempre usou seus canivetes para esculpir tocos que catava. Aos 25 anos, desenvolveu o hobby de fazer móbiles, utilizando materiais orgânicos como conchas, pedras e madeira. Coincidindo com sua escolha definitiva pelo Brasil, em 2000, esse processo atingiu a maturidade com uma linha de móbiles que desenvolveu para uma loja de móveis e decoração. Ripas de cedro ebanizadas são harmoniosamente alinhadas, transmitindo a impressão de suavidade e força. Além dos móbiles, sua produção inclui esculturas e painéis.

4 ESTAÇÕES
Abertura: 4/9/2018, das 17h às 20h30
Exposição: de 5/9 a 2/10/2018
Metara Porto Maravilha
Endereço: Rua Sacadura Cabral, nº 264 – Saúde
Telefone: (21) 2537-3854
VLT Harmonia ou Utopia AquaRio. Vagas para estacionar.
Horário de visitação: de segunda a sexta, das 13h às 18h
Intercâmbio: MCB Organização em eventos de arte

Posts relacionados

A Arte Delas: projeto Marina Monumental celebra a produção das mulheres nas artes plásticas

Redação

Centro de Arte Hélio Oiticica apresenta abertura de mostras, oficina e exibição de filmes de forma gratuita

Redação

Leandro Machado apresenta a exposição de fotos e o livro “Arqueologia do Caminho” em Santa Teresa

Redação

Deixe um comentário