Romero Ferro faz show hoje, no bar Secreto, em São Paulo

Diogo Strauzs assina a produção artística do álbum e Dani Black dá canja na apresentação

O cantor e compositor pernambucano, Romero Ferro, apresenta pela primeira vez em São Paulo o show do seu disco de estreia, Arsênico. A apresentação acontece hoje no Bar Secreto e conta com a participação do músico Dani Black, gravado por Milton Nascimento, Ney Matogrosso e Maria Gadu.

Nascido em Garanhuns, Romero começou sua carreira com o lançamento do EP autoral “Sangue e Som”, em Outubro de 2013. Na ocasião, o artista lançou três videoclipes no youtube para divulgar o EP  e estes já somam mais de 300 mil visualizações.

Após passagens bem sucedida pelo carnaval pernambucano que lhe renderam, entre outras publicações, a capa do jornal carioca “O Globo” como um dos principais artistas responsáveis pela revitalização da música do Estado e do lançamento do clipe da música “Arsenal” – que teve mais de 10 mil visualizações na primeira semana de exibição no youtube – Romero Ferro acaba de lançar seu primeiro disco produzido pelo produtor expert Diogo Strauzs (carioca responsável pela produção dos últimos discos de Alice Caymmi, Castelo Branco e Chay Suede) e está rodando o país com sua primeira turnê nacional.

Romero Ferro lança ARSÊNICO l Por Sandra Bittencourt
Recife é frevo, é maracatu, é coco, é ciranda, mas Recife também é pop. Até porque é uma cidade que nasceu com o dom de manter-se contemporânea, mesmo e apesar do peso forte da tradição. Romero Ferro também é assim.

Nascido em Garanhuns, interior do estado de Pernambuco, mas criado dentro da vivência urbana recifense, Romero desde cedo, descobriu o streaming natural da cidade, como o pôr do sol nas praias em dias tórridos, a troca de dados nas pistas mais cobiçadas das noites recifenses, ou o que mais faça valer o lado pop e contemporâneo da vida local – um mero olhar conflituoso de paixão, pode valer também.

Trocando em miúdos, Romero Ferro atualiza o pop contemporâneo feito no Recife desde o lançamento de seu EP “Sangue e Som”, em 2013. E neste sentido, é um caso à parte na nova cena musical autoral e independente pernambucana. Mas nem por isso, deixa de representá-la. Seu canal no YouTube já soma mais de 300 mil visualizações, e seu último clipe foi premiado no FestCine 2015.

Arsênico é o título do primeiro álbum assinado por Romero Ferro. Como assim? Aqui, o principal tema é o amor – que, em doses descontroladas, envenena, e, em contrapartida, os venenos que, em doses controladas, podem ser até mesmo fundamentais. Algo como em Rimbaud, que esgotou em si todos os venenos, as formas de amor e de loucura. A poesia em Ferro – que, além das questões amorosas, também perpassa as políticas, sociais e psicológicas – dá conteúdo a dez canções inéditas e autorais, ao estilo pop contemporâneo.

Isso faz toda a diferença. Ou seja, não se trata aqui de um pop qualquer. Neste caso, significa o pop alinhavado a sonoridades atuais da cena musical alternativa, harmonias com tonalidades jazzísticas, timbragens vintage pontuadas pelos 80’s – aliás, sonoridade oitentista é uma das paixões de Romero –, referências do funk & black music, soul, dance, reggae, psicodélico, brega, e de quebra, uma tonalidade de experimentalismo. Isso sem esquecer de levarmos em conta a produção assinada pelo ‘queridinho’ da cena indie brasileira Diogo Strausz (trabalhos com Alice Caymmi e Chay Suede), e co-produção assinado pelo pernambucano Amaro Freitas – pianista com formação jazzística –, ambos talentosos e sem medo de correr riscos, levando em conta apenas a liberdade de criar o que cada música pede, sem preconceitos ou intolerâncias sonoras.

Complementando, a participação de músicos a exemplo de Patrick Laplan, ex-Los Hermanos (baterias), Guilherme Eiras (guitarras), Nego Henrique, ex-Cordel do Fogo Encantado (percussões), o trio de metais da pesada composto pelos pernambucanos Nilsinho Amarantes (trombone), Fabinho Costa (trompete), e Liudinho Souza (sax). O coro formado pelas irmãs Sue e Surama Ramos, sem esquecer Diogo Strausz (baixo e guitarra), e Amaro Freitas (teclados).

Feita pra dançar – aliás, a proposta do disco é ser dançante, ensolarado e, ao mesmo tempo, denso e reflexivo em suas temáticas –, a faixa de abertura ‘Hoje’ já diz a que Arsênico veio: uma sonoridade singular para uma dance music arrebatadora, levada pelos improvisos do piano aos ataques precisos dos metais também em fraseados jazzy, o baixão dando suporte à batida. A poesia faz um contraponto em tom reflexivo sobre o mundo descartável em que vivemos, os relacionamentos vazios, o culto exacerbado à imagem, um manifesto anti-padrão ao sentenciar: ‘viver de vaidade, pra quê?’. Romero a criou de uma largada só, letra e música. Esta foi a última a ser composta, e que lhe inspirou aos 80’s.

‘O medo em movimento’, primeiro single, traz uma melodia muito bem trabalhada, em tom menor, um ritmo pulsante, grooveado, um alerta aos primeiros sinais de domínio do medo, em qualquer sentido, quando ele nos tolhe. Romero Ferro numa interpretação firme, e que ganha ênfase no refrão, com baixo, guitarra e metais alinhados: ’o trato é agora/e agora é a hora/o medo causa esquecimento’.

Há uma tríade de oitentistas radicais tanto em suas estruturas composicionais como de arranjos: ‘DropSatã’, ‘ Cidadão Perdido’ e a balada ‘Só’. A primeira com letra inspirada em uma alpinista social, ‘um pedaço de Satã’. A outra, uma auto-reflexão acerca do ariano em si (Romero é do signo de Áries), e de como a pessoa amada o enxerga dentro da relação: ‘Estou perdido nas ruas da tua cidade.’ E a balada ‘Só’, super pop oitentista, com direito a solo melodioso da guitarra por Diogo Strausz, e no final uma finalização harmônica surpreendente via piano jazzístico de Amaro Freitas. Esta canção é a mais antiga do disco, e foi a primeira a ser composta inteiramente no celular.

O brega-sertanejo não poderia faltar. Afinal, a experiência sonora aconteceu pela primeira vez em ‘Arsenal ‘, com Zé Cafofinho, que viralizou no YouTube. Desta vez o título é ‘No mesmo teto’, bregão da melhor qualidade, com pegada de música paraense misturada à guitarra com nuances surf music. Uma das mais ‘arsênicas’ do disco ao dizer: ‘a gente passa o dia inteiro/catucando na ferida/criando um ponto de tensão’.

De um polo a outro, ‘Solidão é nada’, traz um clima cheio de charme em seu gênero pop-reggae, numa ambiência sonora de balada, graças ao andamento mais lento. A harmonia rica e elegante leva assinatura de Amaro Freitas em seu teclado à lá Jamiroquai. A letra, de cunho existencialista, diz: ‘Solidão é nada / solidão atrai só /negatividade/ desatividade’.

Uma balada clássica, mas com um toque jovem-guardista, ‘Até onde se vai’, é levada por um piano charmoso e guitarra mais orgânica, letra sobre a fase final de um relacionamento quando sugere: ‘deixa/ o ‘não’ às vezes abre portas/ e assim a gente se renova para viver /e volta para saber ser’.

Outra boa dose arsênica acontece em ‘Veneno’ – a história de um homem prestes a cometer um crime passional por um amor desmedido. Trata-se de outra ótima opção para pistas, grooveada em timbres disco, certeira para dançar e suar muito.

Fechando Arsênico com chave de ouro, ouvimos ‘Dois’, retirada da leva de temas com tom de experimentalismo criados por Romero Ferro, cheia de compassos irregulares e variados, estrutura melódica e os grooves fogem ao pop regular, e junto a isso uma dose de psicodelia meio à Ave Sangria para falar de um crime passional e trágico. Mais uma inusitada surpresa composicional criada por Romero Ferro.

Ou seja, não se trata aqui de um pop qualquer. Arsênico, em termos definitivos, nos apresenta Romero Ferro – cantor, compositor da nova geração de música autoral e independente pernambucana, que cresceu, amadureceu em suas influências, criou sua própria assinatura, e nos devolve seu talento neste álbum perfeitamente consonante ao pop contemporâneo feito em Recife.

Link disco completo para ouvir Arsênico: https://soundcloud.com/romeroferro/sets/romero-ferro-arsenico

Serviço: Romero Ferro – Lançamento do disco Arsênico

Dia: 01 de dezembro (quinta-feira)
Local: Show Secreto na Vila Madalena
Horário: 22h
Ingressos: R$ 25
Mais informações: (81) 97102-3573