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junho 16, 2019
Música

Rita Benneditto – Tecnomacumba  15 anos de festa e fé no Circo Voador

Rita Benneditto - foto: Ana Oliveira
Rita Benneditto - foto: Ana Oliveira

Artista celebra os 15 anos de seu bem-sucedido projeto com show, dia 30, no Circo Voador. A celebração abarca também o lançamento de single e de clipe inéditos, além da chegada às plataformas dos álbuns relacionados ao projeto

O ano de 2003 representa um marco na vida de Rita Benneditto. Na ocasião, a cantora maranhense, cujo timbre é um dos mais expressivos da nossa música, estreava um show no qual jogava luz sobre aspectos da nossa ancestralidade – e que muito dizem da nossa identidade enquanto Cultura e Nação. O show era o Tecnomacumba e o nome não poderia ser mais apropriado. No repertório, pontos e rezas ligados às religiões de matrizes africanas mesclados a temas da MPB, de autores como Gilberto Gil e Jorge Ben, em que entidades-símbolos da nossa fé são louvados/evocados. Tudo isso apresentado com arranjos modernos, em roupagem eletrônica, que saía então dos clubes e ganhava de vez as pistas mundo afora. Por uma coisa (ou muitas delas) a artista não esperava: 1) que o projeto renderia frutos (são três os registros,  um de estúdio e dois ao vivo, sendo um deles o DVD); 2) que iria longe (foi visto até em Dakar, no Senegal) e, 3) os prêmios em reconhecimento (o show ganhou o Prêmio Rival Petrobras e a cantora, o da Música Brasileira). Mais ainda: Rita não esperava que o show tivesse vida própria (se consolidando como manifesto de resistência cultural) e seguisse em paralelo à sua própria carreira. E essa vida própria completou 15 anos. E as celebrações suscitaram o show Tecnomacumba – 15 anos de festa e fé, levado, ao longo do ano, a diferentes capitais.   E os festejos serão encerrados  no Rio e em Minas, no Mês da Consciência Negra. No Rio, dia 30 de novembro, no Circo Voador, onde a cantora não se apresentava desde 2009. A noite será aberta pelo duo Combo Cordeiro, e pela DJ Tata Ogan, que anima também o pós-show.  O evento contará ainda com cenário de  Rui Cortêz e as participações do artista visual Fernando Mendonça e dos bailarinos Kiusam de Oliveira e Cridemar Aquino.

Com o show, Rita provou que o elo que une nossa música à eletrônica tem como alicerce o bater do tambor. Dos tambores, melhor dizendo, cujos ecos reverberam para além dos terreiros, passando pelas patuscadas e rodas de samba (de roda) que animam os Fundos de  Quintal (em maiúsculas e com trocadilho) de aqui, no Recôncavo ou nos rincões do Brasil.  Acontece que um show é também um organismo vivo. E pulsa.   Ao longo desses 15 anos, não se manteve estático, fiel a um roteiro previamente elaborado e, portanto, imutável. Não em se tratando de Rita Benneditto. O show amadureceu — assim como sua intérprete – e possibilitou a ela experimentar, ousar e, por que não?, reinventar-se.

E as transformações são em muitos aspectos. O mais nítido deles talvez seja o repertório, que foi dando lugar a temas e canções como “De mina” (Josias Sobrinho), “Mamãe Oxum (Domínio Público) e, a mais recente delas, “7Marias”, composição da própria Rita em parceria com Felipe Pinaud. A canção tem agora clipe próprio, no ar desde setembro e próximo a alcançar a marca de 200 mil visualizações. Esse é, aliás, um dos motivos que Rita vai festejar no Circo. O outro atende a um antigo pleito dos fãs: o de disponibilizar nas plataformas digitais os álbuns “Tecnomacumba” e “Tecnomacumba a tempo e ao vivo”.

Mas, falávamos das transformações pelas quais o projeto passou no decorrer desses 15 anos… Outra delas é em relação à sonoridade. A banda Cavaleiros de Aruanda, que acompanha a artista desde a estreia do projeto, conta agora com os músicos Fred Ferreira (guitarras e vocais), Junior Crispim (percussão e vocais), Pedro Dantas (baixo e vocais) e Ronaldo Silva (bateria, programação e vocais).

A longevidade desse bem-sucedido projeto pode ser explicada a partir da junção de alguns fatores cruciais. O primeiro deles talvez seja a perseverança. Da artista, dos músicos e da equipe por ele responsável. Perseverança que ganhou da crítica a acolhida necessária para seguir adiante. E que encontrou no contato com o público a acolhida para ir além. Muitos são os espectadores que já perderam a conta das vezes que assistiram ao show. E entre os fãs do projeto estão grandes colegas da cena e de ofício. Gente como Maria Bethânia (que participou do CD ao vivo e do DVD), Alcione, Beth Carvalho, Ney Matogrosso, Leci Brandão, Sandra de Sá, Margareth Menezes e companheiros de geração como Daúde, Mart’ nália, Marcos Suzano, Davi Moraes e, claro, Zeca Baleiro, coprodutor (ao lado de Mario Manga) do CD de estreia da artista, lançado em 1997.

Entre os colegas ilustres que reconhecem o talento da artista está o cantor e compositor Caetano Veloso. No texto escrito para o DVD do show, o baiano não só destaca as qualidades vocais da intérprete como confirma sua fama de visionário ao prenunciar: “Este disco tem um futuro intrigante e pode vir a dizer mais do que parece agora”. Caetano tinha (e tem) razão. O projeto não só disse como diz ainda. Muito sobre um país que não pode ser perdido, apagado. Ainda mais (e sobretudo) no Brasil de agora.

Rita Benneditto – Biografia
Rita nasceu em São Benedito do Rio Preto, Maranhão. A origem pautou a escolha do novo nome artístico. Projetada como Rita Ribeiro, a artista decidiu adotar em 2012 o nome de Rita Benneditto para homenagear sua cidade natal e seu pai, Fausto Benedito Ribeiro.

Rita começou sua carreira em São Luís, aos 15 anos. Morou no Chile em 1986 e lá estudou canto erudito. Na volta ao Brasil, no ano seguinte, ganhou o prêmio de melhor intérprete e o segundo lugar no FUMP (Festival Universitário de Música Popular), de Minas Gerais.

Ao lado de Ney Matogrosso, Milton Nascimento, Zeca Baleiro e Chico César, apresentou-se na noite brasileira do Festival de Jazz de Montreux, na Suíça.

Em 2000, participou do Festival Todos os Cantos do Mundo, dividindo o palco com Lokua Kanza, considerado um dos grandes expoentes da música pop africana. No mesmo ano, após Rita ter lançado seu segundo disco na Europa, fez uma turnê internacional nas principais cidades americanas e canadenses para platéias de 15 mil pessoas.

Em 2001, foi indicada ao Grammy Awards 43rd, na categoria de melhor álbum de pop latino pelo CD Pérolas aos Povos.

Sua popularidade aumentou ainda mais  com o inovador Tecnomacumba. Resultado de uma intervenção cultural, o show virou um fenômeno independente da mídia. Através desse projeto, Rita ganhou o Prêmio Rival Petrobras de Música na categoria Melhor Show e o 21º Prêmio da Música Brasileira como Melhor Cantora – Categoria Canção Popular.

Tecnomacumba – a tempo e ao vivo, lançado em CD e DVD gravado no Vivo Rio, contou com a participação especial de Maria Bethânia, texto de apresentação de Caetano Veloso e depoimentos de Alcione, Ney Matogrosso, Ângela Leal e Jean Wyllys.

Tecnomacumba – 15 anos de festa e fé. Em 2018 o projeto comemora o Tempo através de novas apresentações e material inédito, como o lançamento do single e do videoclipe da música 7Marias, composição de Rita Benneditto e Felipe Pinaud.

Em 2017, ao lado de Donatinho, Fred Ferreira e Ronaldo Silva, a artista realizou a pré-estreia de Zabumba Beat, espetáculo que reverencia os tambores do Brasil. No mesmo ano, Rita retomou sua face de intérprete intimista e melódica com o show Suburbano Coração, onde as interpretações da cantora aparecem emolduradas pelos instrumentos de cordas do maestro, compositor e arranjador Jaime Alem.

Simultaneamente, Rita Benneditto envereda por três projetos distintos: Tecnomacumba, Suburbano Coração e Zabumba Beat, explorando ao máximo sua potência e versatilidade artística.

Serviço:

Rita Benneditto – Tecnomacumba – 15 anos de festa e fé

Banda Cavaleiros de Aruanda: Fred Ferreira (guitarras e vocais), Junior Crispim (percussão e vocais), Pedro Dantas (baixo e vocais) e Ronaldo Silva (bateria, programação e vocais)

Participações de: Duo Combo Cordeiro, DJ Tata Ogan, Fernando Mendonça e dos bailarinos Kiusam de Oliveira e Cridemar Aquino

Dia: 30 de novembro (sexta-feira)
Local: Circo Voador (Rua dos Arcos, s/ nº, Lapa)
Horário: 22h (abertura dos portões)
Ingressos: 1º Lote: R$ 80 (inteira) e R$40 (meia). 2º Lote: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia)
Funcionamento bilheteria:  terça a quinta, das 12h às 19h; sextas, das 12h às 24h; sábados, das 14h às 24h (apenas dinheiro)
Venda também pelo site Tudus: www.tudus.com.br/evento/circo-voador-rita-benneditto
Classificação: 18 anos

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