Rio recebe exposição que retrata o cotidiano de famílias LGBT

O Centro Cultural da Justiça Federal, no Centro do Rio, inaugura no dia 29 de novembro (quarta) a exposição ‘Minha Família Fora do Armário’. Para buscar o respeito e mostrar para o mundo que as novas configurações familiares existem e são exatamente iguais a qualquer outra, as fotógrafas Tata Barreto e Renata Ferrer,  especializadas em clicar casais, famílias e cultura LGBT, acompanharam o cotidiano de 10 famílias, capturando por suas lentes um pouco da convivência entre pais e filhos. Além do acervo fotográfico, a exposição traz um curta-documentário inédito que dá voz a filhos de famílias homoparentais.

Com curadoria da artista visual Simone Rodrigues, a exposição reúne fotos do trabalho de documentação que ambas vêm desenvolvendo sobre o cotidiano de famílias LGBT. Adaptando o espaço expositivo como um ambiente doméstico, propõe aproximar o público da realidade comum das novas configurações familiares, que ainda carecem de visibilidade, respeito e reconhecimento. “Queremos mostrar que estas “novas famílias” enfrentam os mesmos desafios diários na criação e educação de seus filhos, assim como qualquer outra família tradicional e que acima de tudo o amor é o que deve prevalecer”, afirma Tata. Nas imagens, a dupla mostra a intimidade e a convivência familiar no seu dia a dia, em casa e também em espaços públicos. O objetivo é deixar claro que as “novas famílias” existem e que merecem respeito. “Trata-se de uma exposição que gera representatividade e visibilidade positiva, colaborando para a integração das famílias homotransafetivas à sociedade, além de combater o preconceito”, destaca Renata.

Sob a ótica dos filhos
O público também poderá conferir cenas inéditas do curta-documentário, que leva o mesmo nome da exposição “Minha Família Fora do Armário’. Com duração de 13 minutos, o curta dá voz a dois jovens, filhos de famílias homoparentais que compartilham suas visões de mundo. O primeiro caso é de André Lodi, 15 anos, nasceu por inseminação artificial por um doador anônimo com duas brasileiras. O jovem tem se engajado no ativismo pela visibilidade de famílias como a dele. Lola, 14 anos, é filha adotiva de dois pais e não conhecia outro família (homoafetiva) como a dela até participar do projeto. A curadoria da exposição é da fotógrafa e artista visual Simone Rodrigues.

Os primeiros registros do desejo por parte de homossexuais de terem filhos foram feitos na costa da Califórnia (EUA) entre 1965 e 1970, porém só ganharam força em 1975 com a luta pela descriminalização da homossexualidade, ano em que esta deixou de ser considerada como doença pela Associação Americana de Psicologia. Em 1990, a Organização Mundial de Saúde (OMS) retirou o homossexualismo da lista de doenças mentais, tendo este termo caído em desuso. Em 1997, o neologismo homoparentalidade foi criado em Paris pela Associação de Pais e futuros pais Gays e Lésbicas (APGL) para denominar a situação onde pelo menos um adulto que se denomina homossexual é ou pretende ser pai/mãe de pelo menos uma criança. No Brasil, a homossexualidade deixou de ser considerada doença pelo Conselho Federal de Psicologia em 1985, mas só em 1999 foram estabelecidas regras para atuação de psicólogos com relação à orientação sexual, que proibiram a “cura gay”.

Minha família existe, sim!
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010 existiam 60 mil casais homossexuais no Brasil, mas até então os mesmos não tinham suas uniões reconhecidas legalmente. Em 2011, foi legalizada a união estável entre pessoas do mesmo sexo e em 2013 foi editada a Resolução n.175/2013, regulamentando o casamento civil homoafetivo no Brasil. Estes últimos avanços na legislação brasileira foram extremamente importantes, uma vez que, para se adotar conjuntamente uma criança, o casal deve ter sua união estável ou casamento reconhecido.

Finalmente, em maio de 2016, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) editou o provimento n.52/2016, que garante o duplo registro de filiação homoafetivo, independente de autorização judicial. Entretanto, segundo pesquisa do Ibope Inteligência divulgada em 2011, 55% dos brasileiros se dizem contrários à adoção por famílias homoafetivas e em setembro de 2015, foi aprovado pela câmara dos deputados o texto principal do estatuto da família, que define família como a união entre homem e mulher, por 17 votos a 5. Essa aprovação mostra o quanto o preconceito com relação às famílias não tradicionais ainda está presente na sociedade brasileira.

A Gataria
A Gataria é a primeira agência de fotografia com foco na diversidade. Fotojornalista com passagens pela TV Globo, Prefeitura do Rio pela Escola de Imagem, Tata Barreto é pós graduada em Fotografia pela UCAM e ativista pelos direitos humanos. Renata Ferrer é fotógrafa, cinegrafista e editora de vídeo. Com pós graduação em Fotografia e Imagem, é uma artista multidisciplinar e desenvolveu toda a identidade visual da Gataria. A missão da Gataria é contar histórias através de imagens, com empatia, cuidado e respeito à diversidade.

Serviço:

O que: Exposição de fotos e curta ‘Minha Família Fora do Armário’

Onde: Gabinete Real do Centro Cultural da Justiça Federal (CCJF), na rua XXXX

Quando: 29/11/2017 a 28/01/2018

Quanto: entrada gratuita, terça  à domingo de 12h às 19h, av.Rio Branco, 241

 

Informações à imprensa: Flávia Domingues // 21 96596-2029 / 98449-4041

1 comentário
  1. Denise Veiga Diz

    Lindo trabalho! Sensível e verdadeiro!

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