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novembro 15, 2018
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Rio recebe 1º Festival de Intercâmbio Teatral Internacional

Espetáculo "Iroko", do Coletivo Egrégora: Helena Cooper
Espetáculo "Iroko", do Coletivo Egrégora: Helena Cooper

Evento totalmente gratuito e elaborado pelo International Theater Institute reúne artistas de diversos países para debates, oficinas e apresentações teatrais acontece na UNIRIO

Visando incentivar jovens artistas brasileiros a compartilhar experiências com artistas do teatro mundial, a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) recebe de 23 a 27 de Outubro em seu campus da Praia Vermelha a primeira etapa do NEAP FEST, o primeiro festival de intercâmbio teatral internacional do Instituto Internacional de Teatro da UNESCO. Capitaneado pelo Coletivo Egrégora, único grupo brasileiro a ocupar o comitê Jovens Artistas Promissores (Network of Emerging Artists and Professionals – NEAP) do Instituto de Teatro Internacional (International Theater Institute – ITI / UNESCO), o evento é totalmente gratuito e conta com sete espetáculos e performances nacionais e internacionais, 10 oficinas, oito mesas de debates e duas Mostras de Cenas Curtas de artistas nacionais.

Jorge Oliveira, Tatiana Motta Lima, Nara Keiserman e Jeff Fagundes - foto: Lia Ximenes
Jorge Oliveira, Tatiana Motta Lima, Nara Keiserman e Jeff Fagundes – foto: Lia Ximenes

A edição tem como tema “Heranças” onde, junto ao Coletivo Egrégora, grupos estrangeiros realizarão uma imersão coletiva de trocas de experiências, enfatizando a discussão sobre o que herdamos das tradições culturais, como as transformamos e qual legado deixaremos.

“O NEAP foi criado e me convidaram para elaborar estratégias de colaboração entre as companhias participantes. Os números de jovens que vão ao teatro ainda são muito baixos, precisávamos pensar em como reformular a presença do jovem na arte – tanto o jovem artista, quanto a jovem plateia. Com isso aplicamos o tema Heranças, que não é só o que deixamos para o outro, mas o que recebemos de alguém. É importante que o mais velho incentive o mais jovem a fazer e pensar arte e, da mesma forma, celebre e prestigie os feitos dos mais jovens, para que estes prossigam. A união da classe artística intergeracional pode nos salvar da crise moral que enfrentamos no país atualmente”, reflete Jeferson Fagundes, artista brasileiro, Secretário de Colaboração e único representante da América Latina do comitê.

Almejando os profissionais das artes performativas (teatro, dança e música) e público geral, o evento evidencia a importância do incentivo à criação e investimento do mercado cultural nacional e internacional, onde o teatro se relaciona com manifestações culturais genuinamente brasileiras e outras formas de criação.

A ESTRUTURA
Com forte viés de inclusão social, o evento intenciona incentivar a prática das artes cênicas a jovens e proporcionar a introdução entre eles, fortalecendo a inserção destes no mercado cultural. Além de criar uma ponte geracional, expondo a artistas renomados e com carreira consolidada a força do jovem artista, incentivando o investimento e a importância da herança cultural a ser deixada para que a próxima geração continue fazendo arte reflexiva e de qualidade.

Ao longo dos cinco dias de festival a programação se dividirá entre os espetáculos sediados na UNIRIO, mesas de debate e oficinas, além do espetáculo “Iroko”, do Coletivo Egrégora, cuja estreia se deu no Congresso Internacional de Teatro (2017), em Segóvia (Espanha).

“Quando fui convidado para organizar o festival junto com Jeff, fiquei apreensivo. Não tinha nenhum patrocínio e era um projeto imenso. Mas vi ali também uma oportunidade de organizar um festival onde pudéssemos trazer para a universidade uma discussão sobre os saberes acadêmicos e não acadêmicos, as tradições e os cruzamentos desses lugares, os pontos de encontro. Acredito que isso enriquece o nosso trabalho, especialmente pensando no intercâmbio que o NEAP FEST propõe entre países, estados, cidades e pessoas. Falar sobre herança no contexto atual é um desafio, é repensar onde estou, o que faço e para onde vou. Talvez quando olharmos para trás teremos deixado algo. Assim como herdamos”, comemora Jorge Oliveira, diretor geral do evento ao lado de Jeferson.

OS PARTICIPANTES
Para compor as mesas de debate e as oficinas teatrais, o Egrégora e as coordenadoras Tatiana Motta Lima e Nara Keiserman selecionaram alguns profissionais das artes performativas brasileiras e estrangeiras a fim de gerar maior diversidade e encontro geracional de ideias.

Entre os convidados estão Charles Eutubiebi, dos Emissários Internacionais da Nigéria; Sunaina Panthy, pesquisadora de Butoh na cura dos traumas causados pelo terremoto no Nepal em 2015; a especialista em Stanislavski e Meyerhold, Maria Thais (USP/Cia Balagan) e o especialista em teatro brasileiro Fernando Mencarelli (UFMG) e o Pesquisador do Teatro Negro Marcos Antônio Alexandre (UFMG).

Coletivos teatrais cariocas como Arame Farpado, Cia Multifoco, Teatro de Afeto e Cia Placenta também trarão discussões, entrelaçando o discurso acadêmico com os dos artistas independentes.

ITI
O ITI (International Theatre Institute) é uma instituição criada e mantida pela UNESCO desde 1948. Tendo mais de 90 países como membros, objetiva criar plataformas de intercâmbio internacional e pontes educacionais para profissionais das artes performativas. A instituição é responsável por um congresso bienal que visa discutir o cenário teatral mundialmente. Em 2014, foi criado um comitê de jovens artistas promissores (NEAP COMITEE) com o desejo de alterar o déficit de representatividade de jovens no congresso e construir espaços de trocas intergeracionais no cenário artístico mundial.

Realizar o primeiro NEAP FEST no Brasil, único país da América Latina com representante no comitê (Jeferson Fagundes), é um marco ao deslocar o eixo dessas discussões para a América Latina. Essa ponte alavancará a difusão das artes performativas brasileiras no exterior e consolidará sua participação nas próximas edições do festival, fortificando os laços aqui construídos.

Dos 19 países participantes do comitê (Sri Lanka, Canadá, Reino Unido, Croácia, Índia, Espanha, França, Estônia, Filipinas, Nova Zelândia, Coreia do Sul, Bangladesh, Brasil, Geórgia, Emirados Árabes Unidos, Eslovênia, Uganda, Zimbabwe e Israel), 12 estão vinculados a universidades. A parceria com uma universidade federal como a UNIRIO, referência no ensino do fazer teatral, reflete a tentativa de potencializar esse lugar de trocas e parcerias que a universidade realiza internamente. Trazer artistas jovens de outros países é uma forma de renovar as discussões no âmbito artístico acadêmico brasileiro e estimular a difusão dessas outras perspectivas para toda comunidade do Rio de Janeiro.

Mais informações no Facebook ( https://www.facebook.com/events/1882418905145473/ ) e  no Instagram do Coletivo Egrégora – @coletivoegregora .

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