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novembro 15, 2018
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Psicólogo Bruno César Sousa, do Instituto Viver, alerta sobre as consequências de um ‘clima político pesado’ para a saúde mental: ‘impacto é grande’

‘O clima político no Brasil, desde 2013, vem trazendo à tona uma polarização entre a população, e isso se reflete em todos os tipos de relacionamento’, comenta o especialista

Muito se fala sobre ‘medo’ após as eleições 2018 no Brasil. Com um clima de disputa polarizada e alguns ‘rompimentos’ em amizade e em relacionamentos familiares por discussões políticas, o psicólogo Bruno César Sousa, do Instituto Viver, de Salvador, aponta que o impacto de um cenário ‘pesado’ no País pode ser grande para a saúde mental dos brasileiros e, diz ainda, que é preciso se cuidar para que as alterações de humor não sejam tão bruscas e que discussões desnecessárias não façam parte da rotina.

“O clima político no Brasil desde 2013, pelo menos, vem trazendo à tona uma polarização entre a população. E isso se reflete nos relacionamentos familiares, conjugais, profissionais e nas amizades. Desta forma, podemos dizer que o núcleo psicológico básico do indivíduo brasileiro se encontra polarizado e em conflito. Os sintomas desse conflito são uma manifestação mais frequente e intensa de ódio, medo, insegurança nos vínculos, dificuldade em expressar opiniões livremente. E com uma característica preocupante que é a cronicidade desses sentimentos. Eles vêm ocorrendo já durante alguns anos em um nível moderado a intenso. Essa duração pode favorecer o desenvolvimento de transtornos de ansiedade, dependências de maneira geral e depressão. Pois são sentimentos intensos ocorrendo dentro do grupo íntimo do sujeito, deixando poucas opções de fuga ou alternativas de solução”, explica o psicólogo.

Bruno César Sousa - Psicólogo
Bruno César Sousa – Psicólogo

Para o especialista, o ‘medo’, que muitos relatam sentir com a política, é um sentimento que precisa ter atenção e é necessário descobrir a verdadeira causa. “O medo é um sentimento impactante na vida psicológica de uma pessoa. E uma das principais maneiras de lidar com ele é entende-lo com mais clareza. Investigar o que realmente causa esse medo? De que a pessoa tem medo? O medo se alimenta da incompreensão, quando não sabemos com o que estamos lidando, ele tende a crescer e dominar a vida. Ao compreendermos sua ação, nós podemos planejar ações que nos deem ferramentas de ação efetiva dentro das contingências”, diz Bruno.

O psicólogo cita a ‘insônia’ como uma das consequências deste medo pela situação política. “É aconselhável procurar ajuda de um profissional, como um psicólogo ou psiquiatra, para que ocorra uma avaliação adequada da intensidade e causa do problema. Em paralelo a isso podemos pensar em uma higiene básica do sono, que consiste em tomar alguns cuidados como evitar o consumo de notícias ligadas ao clima politico perto de dormir, aumentar ou iniciar a pratica de exercícios físicos, e retomar os relacionamentos íntimos”.

Sobre a retomada dos relacionamentos perdidos por confrontos na eleição, Bruno diz não ter ‘receita’ para isso, mas reafirma: “Sem dúvida é importante resgatar os laços mais íntimos, pois eles são considerados importantes fatores de proteção social e psicológica. E já temos diversas pesquisas mostrando que os relacionamentos mais íntimos estão diretamente ligados a qualidade de vida. No entanto é difícil definir uma receita de como fazer isso. Um passo que deve existir é o respeito. Momentos de polarização como o que vivemos no Brasil nos convidam a exercitar o respeito por formas de ver e pensar o mundo que diferem das nossas. Esses momentos também servem para que possamos perceber partes difíceis de olhar na nossa personalidade e nas pessoas que nos são próximas. É preciso um tempo para acolher isso e construir novas formas de relacionamento. Mais honestas provavelmente, e que podem por isso ser de melhor qualidade também”.

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