Projeto Música Livre leva ao Teatro da UFF os shows de “Posada e o Clã” e de Júlia Vargas

Pop Banana – o show – Destaca-se, principalmente, por algo que o título já indica: uma reconexão entre o popular e a poesia, casamento do gosto mais simples e regional com um estilo bem preparado e urbano. O show se configura como um espetáculo de dramaturgias amarradas, que vão desde a performance da artista ao figurino, passando por conceitos de iluminação, cenário, repertório e encontrando até a Drag King Mama Horn fazendo lip sync (sincronia labial) da cantora em tempo real. As performances de Júlia, no palco, transparecem claramente sua primeira formação artísca: a dança. Seja na leveza demonstrada em seus movimentos, ou na precisa condução dos gestos mais impetuosos. A direção artística de Vanessa Garcia confere a esse espetáculo o arranjo visual bastante coerente com a intensidade desta artista, e de sua propriedade inegável no campo percussivo, performático e vocal.

No palco, para apresentar o show Pop Banana, estão Júlia Vargas (voz e percussão), Gabriel Barbosa (bateria), João Bittencourt (acordeon), Marcelo Barnardes (sax) e Marcos Luz (baixo).

Júlia Vargas – nascida em Cabo Frio, de uma família de músicos, iniciou sua vida artística, ainda criança, na dança. Dançou pelo Theatro Municipal do Rio de Janeiro e pelo Centro de Movimento Deborah Colker. Aos 18 anos, ingressou na Companhia Mulungo, de Oswaldo Montenegro, onde atuou por um ano. Nessa mesma época, começou a se aventurar pelos palcos soltando a voz e, desde então, nunca mais parou de cantar.

Cantora e percussionista, Júlia vem se consolidando nos últimos anos na cena musical carioca e vem emocionando nomes como Milton Nascimento, com quem fez turnê e abriu shows; Ivan Lins, de quem ganhou uma música inédita que foi gravada em seu primeiro disco; Alceu Valença, que a convidou para abrir um de seus shows na Fundição Progresso/RJ, além de Pedro Luís Moraes Moreira, João Donato e Wagner Tiso, entre outros.

Em 2014, foi convidada a integrar o projeto Mar Azul, em homenagem ao Clube da Esquina e saiu em turnê com o show Travessia, de Milton Nascimento, pelo interior de Minas Gerais, e com o show Linha de Frente, acompanhando Milton Nascimento e Criolo. No ano seguinte, participou do Tributo a Cássia Eller, no Rock in Rio, e chamou atenção pela parceria com Chico Chico, cantor e compositor carioca, filho de Cássia Eller, com quem fez diversos shows pelo Brasil. Dessa parceria, nasceu o selo Porangareté, criado ao lado de Chico Chico, Rodrigo Garcia e Maria Eugênia. Também no final daquele mesmo ano, lançou o CD e DVD Júlia Vargas & os Barnabés ao Vivo em Niterói, no Teatro Municipal de Niterói.

Em 2016, Júlia se dedicou à gravação do seu segundo álbum de estúdio, intitulado Pop Banana, fruto de uma parceria entre a cantora, o selo Porangareté e a gravadora Biscoito Fino. Júlia assina a produção e direção musical do álbum, lançado em maio do ano passado.

 Posada e o Clã, exemplo do underground carioca, mostra um Brasil caótico e desigual

Posada e O Clã – Um voz grave unida a uma base ruidosa de camadas de efeitos e jam sessions em um samba sujo. Este é o estilo do Posada e o Clã, um dos projetos mais reverenciados do underground carioca, que busca amplitude nacional em trabalhos mais maduros. A voz grave é de Carlos Posada, pernambucano radicado no Rio de Janeiro e um dos compositores mais conceituados de sua geração. Suas letras já foram gravadas por nomes como Lenine e Duda Brack, que faz participação especial no novo disco, recém lançado. Com olhar de cronista, Posada se volta ora com lirismo (como em Cochilo), ora com ironia (como em Poréns), para o mundo que o cerca.

O Brasil, presente em suas composições, é um país caótico, de relações pessoais distantes e grandes desigualdades sociais (em Tijolo, por exemplo) e com um sincretismo de crenças fortes (encontrado em Conga). Após lançar o primeiro álbum com a banda em 2013 e lançar o minimalista Isabel (selo Porangareté, 2016) como trabalho solo, Posada e o Clã, o novo disco, que leva o nome do grupo,  é o trabalho mais coletivo e menos centrado na figura de Posada dos três álbuns.

Isso está sensível na forte presença da guitarra de Gabriel Ventura e no baixo de Hugo Noguchi, ambos da Ventre (atração do Lollapalooza 2018), e na bateria de Gabriel Barbosa, que faz parte da banda instrumental SLVDR com Noguchi.

Posada e o Clã é formado por Carlos Posada (voz), Hugo Noguchi (baixo), Gabriel Ventura (guitarra) e Gabriel Barbosa (bateria).

Serviço:

Projeto Música Livre – Júlia Vargas & Posada e o Clã
05 de abril de 2018 (quinta), às 20h
Teatro da UFF – Rua Miguel de Frias 9, Icaraí, Niterói
Ingressos – R$30,00 (inteira) e R$15,00 (meia para maiores de 60 anos, professores e servidores da UFF e estudantes)
Classificação etária: 14 anos
Duração do espetáculo: 120 minutos

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