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março 22, 2019
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‘Procópio – Um exercício sobre o futuro’ no Teatro Municipal Serrado

Nunca foi tão importante falar de arte como nestes tempos. Por isso, é muito oportuno o espetáculo Procópio, que – depois do sucesso da estreia no Teatro Sesc Copacabana – volta ao cartaz, agora no Teatro Municipal Serrador, na Cinelândia. Idealizado pelos atores/produtores Kadu Garcia e Paulo Giannini, com texto de Carla Faour, que também colaborou na concepção do projeto, e direção de Dani Barros, Procópio volta em temporada de 2 a 24 de novembro, de quinta a sábado, às 19h30.

A reestreia no Teatro Serrador tem um gostinho a mais. O título da peça é uma homenagem ao magistral ator Procópio Ferreira (1898-1979), pai da maravilhosa Bibi Ferreira. E está aí a coincidência: o espetáculo de inauguração do Serrador foi justamente da companhia de Procópio, que havia arrendado o teatro. A abertura foi no dia 1º de março de 1940, com a peça de Joracy Camargo Maria Cachucha, em três atos, divididos em 6 quadros, com Procópio Ferreira à frente de grande elenco. Aliás, o teatro tem mesmo tudo a ver com a família. Foi lá que, em 1941, Bibi Ferreira fez sua estreia profissional na comédia La Locandiera, de Goldoni.

Então, é uma feliz coincidência encenar o espetáculo no Teatro Municipal Serrador, depois da bela acolhida de público e crítica, que renovou “Procópio” e confirmou para os artistas envolvidos no espetáculo que eles traçaram um caminho de verdade e emoção para agradar todo tipo de espectador. O crítico Rodrigo Fonseca, por exemplo, escreveu que a peça “crava nos palcos o punhal da erosão ética de nossa memória estética”. E prosseguiu: “Numa precisão cirúrgica do limite entre fábula e piquete, a direção de Dani Barros potencializa a dimensão filosófica deste ‘Amarcord’ carioca da dramaturga Carla Faour, com delicadas atuações”.

Também a crítica Ida Vicenzia, da Associação Internacional de Críticos de Teatro – AICT, encantou-se com o “fascinante jogo de cena” e empolgou-se com a proposta do espetáculo: “Ideia ótima, essa, de trazer para o nosso palco um assunto tão vibrante e atual – a decadência da nossa cultura”.

PROCÓPIO
No futuro, os moradores de uma praça são afetados por um “decreto” que muda a vida de todos. Toda e qualquer manifestação artística está proibida. Neste contexto, dois estranhos se encontram no interior de um prédio abandonado. A tensão da convivência forçada e suas opiniões divergentes sobre a ordem estabelecida provocam situações que vão revelando – com humor, poesia e humanidade – as mudanças na vida desses dois homens.

Para onde estamos caminhando? O que é passado? O que foi presente? Em que parte da história estamos? O futuro já chegou?

Procópio propõe um exercício sobre o futuro e uma provocação sobre o nosso tempo e nossa história. Em cena possíveis consequências na vida de dois homens que buscam sobreviver em meio a profunda aridez cultural. No nome do espetáculo, uma homenagem ao ator, diretor e dramaturgo Procópio Ferreira, considerado um dos grandes nomes do teatro brasileiro, que, em 62 anos de carreira, interpretou mais de 500 personagens em 427 peças.

Com texto de Carla Faour e direção de Dani Barros, o espetáculo é o segundo projeto dos atores Kadu Garcia e Paulo Giannini, já premiados pelo trabalho anterior, a peça Galápagos.

Galápagos – texto premiado, escrito a partir de argumento nosso com a autora Renata Mizrahi – estreou em 2014. Em 2015, nós dois começamos a pensar no novo projeto, dando prosseguimento ao nosso compromisso com a dramaturgia brasileira – mais um texto inédito para dois atores. Chamamos a Carla para escrever, acompanhando o fluxo de acontecimentos que atropelavam o Brasil, ouvindo as urgências que nos circundavam. Chegamos aProcópio em 2017. Convidamos a Dani Barros para conduzir nosso destino em direção ao futuro criado pela Carla. E agora, vamos os dois para o palco, mais uma vez, dando voz as nossas inquietações”.

Kadu Garcia e Paulo Giannini
A atuação dos dois atores agradou muito o crítico Rodrigo Fonseca: “O melhor desses engenhos é a construção de um passado quase idílico para um de seus protagonistas, defendidos de forma chapliniana por Kadu Garcia e Paulo Giannini, ambos em equilíbrio cirúrgico, ferozes e doídos.

O texto é da premiadíssima Carla Faour, que constrói alegorias para contar a história: “Quando começamos a nos reunir, tínhamos o desejo de falar sobre o momento que estamos vivendo, sobre o cenário político e cultural. Mas não queríamos apenas reproduzir os noticiários, achamos que seria mais eficaz nos descolarmos da realidade, para que pudéssemos enxergá-la melhor. Poderíamos voltar ao passado, mas preferimos dar um salto no tempo e imaginar um futuro para 2018. Desse desejo nasceu Procópio, nossa ficção futurista, que se passa numa praça imaginária. Procurei falar sobre as dores dos personagens de forma bem-humorada e poética. Procópio é uma provocação pra que a gente ria e reflita sobre um hipotético futuro do nosso presente”.

A direção de Procópio é de Dani Barros, atriz que estreou dirigindo Dançando no escuro, espetáculo baseado no filme do dinamarquês Lars Von Trier e muito bem recebido pela crítica. “Minha direção tem como proposta o foco no trabalho do ator, a partir da sua relação com o texto e com todos os elementos cênicos. Dois personagens num prédio abandonado. Um convite ao exercício de pensar um futuro sem arte. Como diria, Sotigui Kouyaté, um grande mestre das artes cênicas: “o teatro é o lugar onde vamos para esclarecer a visão”. Que Dionísio nos ilumine e ajude a nos livrar da escuridão”, exalta Dani Barros.

Como destacou Ida Vicenzia em sua crítica, “trata-se de um espetáculo para ser prestigiado e conhecido por todos. Os que amam a Arte e o Artista, e os que virão a amá-los, pois, conforme diz o personagem de Kadu, nas palavras de Johann Wolfgang von Goethe, ‘a arte salvará o mundo’!”

Ficha técnica:

Procópio
Autora: Carla Faour
Direção: Dani Barros
Elenco: Kadu Garcia e Paulo Giannini
Cenário: Fernando Mello da Costa
Figurinista: Bruno Perlatto
Iluminação: Renato Machado e Maurício Fuziyama
Direção musical: Rodrigo Marçal
Designer gráfico: Daniel de Jesus
Direção de produção: Kadu Garcia e Paulo Giannini
Realização: Saravá Cacilda Projetos Culturais

Serviço: Procópio

Datas: de 2 a 24 de novembro
Dias e horários: de quinta a sábado, às 19h30.
Local: Teatro Municipal Serrador
Endereço: Rua Senador Dantas, 13 – Cinelândia
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)
Informações: (21) 2220-5033
Bilheteria: de terça a sábado, a partir das 15h
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 60min
Lotação: 276 lugares
Gênero: Comédia

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