Picassos Falsos lança “Nem tudo pode se ver”  no Rival

Picassos Falsos (foto: Letícia Romanholli )
Picassos Falsos (foto: Letícia Romanholli )

Quarto álbum reúne inéditas e regravação de “Pavão Mysteriozo”, de Ednardo

Fernanda Takai e Duda Brack cantam no disco

A banda assume formato de trio e vai cair na estrada com baterista convidado

“Nem tudo pode se ver” (independente) é o quarto álbum do Picassos Falsos, formado por Humberto Effe (voz), Gustavo Corsi (guitarra) e Romanholli (baixo). Ao todo, a bolacha reúne dez faixas – nove inéditas e a regravação de “Pavão Mysteriozo”, clássico de Ednardo, de 1974. O show de lançamento será na noite de 22 de junho, às 20h, no Teatro Rival Petrobras, Centro. Ingressos de R$ 20 a R$ 60.

Produzido por Jr. Tostoi (que toca guitarra e baixo em algumas faixas), o álbum foi gravado entre dezembro de 2015 e novembro de 2016 no Lab Tostoi – Ministereo Estúdio, no Rio de Janeiro. A banda está de volta, após “Novo Mundo” (2004), com uma coleção de canções que passeia por diversas veredas da música brasileira. Após o fim das gravações, o baterista Abílio Rodrigues anunciou a sua saída do grupo. Lourenço Monteiro assume as baquetas para o show no Rival.

Duas faixas contam com participações especiais. Fernanda Takai divide os vocais com Humberto Effe numa nova versão de “Nunca fui a Paris”. Parceria do cantor com Mauro Sta. Cecília, “Paris” já havia sido lançada como single em 2015, junto com um clipe dirigido por Luciano Cian, mas sem os vocais de Takai. A voz delicada da cantora da banda mineira Pato Fu acrescentou suavidade à canção. A inédita “O que fiz foi gostar” tem a participação de Duda Brack. A jovem cantora gaúcha, radicada no Rio, encanta com uma interpretação incendiária no dueto com Effe. Ricardo Vignini, outra participação especial na faixa, tempera a mistura com uma viola caipira. 

“Recebi com surpresa um e-mail do Humberto com o convite para participar do disco novo do Picassos. Digo isso porque não tivemos oportunidade de nos encontrar nos palcos ou estúdio nesses 25 anos de carreira que tenho. E olha que, por muitas vezes, o John citou os Picassos Falsos como uma das bandas brasileiras preferidas dele! Adorei a canção, nosso dueto combinou demais. A banda vem com uma sonoridade consistente com toda a sua boa fama. Não sei como esse tipo de coisa acontece, Rio e BH. Tão longe, tão perto. Enfim juntos!”, diz a vocalista do Pato Fu.

O novo disco inclui outra parceria de Humberto com Sta. Cecília. O funk “Vou à Vila” foi escrito depois de uma visita à Vila Mimosa, onde a dupla de compositores assistiu a um show de Mr. Catra. Os teclados de “Vila” ficaram a cargo de Humberto Barros, que também gravou em “Misturando” (Humberto Effe e Alvin L.) e “Indômita”.

A faixa-título trata da superexposição e da dificuldade de troca de ideias, que, seja em redes  sociais, seja na mídia tradicional, parecem ser duas das doenças do nosso tempo. Nome e capa do CD foram inspirados num conceito de José Saramago. No documentário “Janela da alma” (2001), dirigido por João Jardim e Walter Carvalho, o escritor português dá um depoimento em que discorre sobre a ilusão de “entender as coisas na forma que elas nos chegam”:  “É importante em tudo dar-lhes a volta, tentar ver, perceber todas as faces”.

“Nem tudo pode se ver” é fruto de um bem-sucedido projeto de financiamento coletivo realizado ao longo de 2016. Em parceria com o selo Embolacha, o crowdfunding mobilizou fãs do Picassos Falsos em todo Brasil, que compraram pacotes de recompensa diversos.

Pioneiros na mistura de ritmos regionais ao pop rock
E​m meados da década de 80, poucos grupos pensavam em misturar ritmos tradicionais e regionais brasileiros ao pop/rock da época. Formando uma chamada nova música brasileira, essa salada rítmica só viria a ser comum a partir dos anos 90, com artistas como Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S/A.

Porém, uma banda carioca já unia essas duas pontas uma década antes: desde a sua formação, em 1985, na Tijuca, o quarteto Picassos Falsos misturava rock, soul e funk com baião, afoxé, maracatu e samba. O som particular do PF, chamou a atenção de crítica e público, que fez de músicas como “Carne e osso”, “Quadrinhos”, “Bolero” e “Rio de Janeiro”, sucessos cultuados por fãs em todo o Brasil.

Em 1986, o Picassos Falsos gravou a sua primeira fita demo com as canções “Carne e osso”, “Quadrinhos” e “Idade Média”. A Fluminense FM (na época, a maior divulgadora do pop rock brasileiro que se firmava) passou a tocar as três músicas. Foi assim, escutando a Maldita – apelido carinhoso da rádio de Niterói – que o jornalista e produtor José Emílio Rondeau conheceu o som do grupo. O interesse acabou levando a banda a assinar, em 1987, um contrato com o Plug, selo dedicado a novos artistas distribuído pela RCA/BMG-Ariola. O primeiro disco, “Picassos Falsos​”, foi lançado no mesmo ano. As músicas “Quadrinhos” e “Carne e​ Osso”​ tornaram-se hits instantâneos. A primeira entrou para a trilha sonora do programa “Armação ilimitada”, da Rede Globo; a segunda incluía uma citação do samba “Se você Jurar”, de Ismael Silva, algo incomum na época.

Foi com o elepê “Supercarioca​” que o Picassos Falsos radicalizou o conceito de misturar rock, funk e soul com música brasileira. Gravado pelos músicos que integram a banda até hoje – Humberto Effe​ (voz e violão), Gustavo Corsi (guitarra) e Romanholli (​baixo) – mais Abílio Rodrigues​ (bateria), “Supercarioca” ainda é considerado, pela crítica e pelos seus pares, como um dos trabalhos mais inovadores da sua geração.

Em 1990, o grupo se separou. Durante o tempo em que o PF esteve hibernando, os seus integrantes se voltaram a outras atividades. Humberto Effe dedicou-se à carreira solo, chegando a lançar um disco em 1995 pela Virgin. Gustavo Corsi caiu na estrada como músico, emprestando o seu talento a artistas como Ivo Meireles, Gabriel o Pensador, Marina Lima, Cláudio Zoli, Leoni e Léo Jaime, além de rodar o Brasil com a banda Rio SoundMachine. Depois de fazer parte da banda Cruela Cruel (com Fernando Magalhães, do Barão Vermelho, na guitarra), Romanholli pendurou temporariamente o baixo para se dedicar ao jornalismo. Abílio chegou a tocar com Belchior e Ivo Meireles, abriu um estúdio e uma loja de instrumentos e formou-se em Filosofia.

De volta à atividade em 2001, vieram novos projetos: a gravação do terceiro disco “Novo mundo​”, lançado em junho de 2004 pelo selo Psicotronica, e o show “Hipercariocas”, uma celebração da canção carioca, em que o Picassos Falsos tocava músicas de compositores como Paulo da Portela, João Donato, Chico Buarque e João Nogueira. Durante a temporada numa casa noturna do Leblon, no Rio de Janeiro, “Hipercariocas” contou com a participação de nomes como Frejat, Dado Villa-Lobos, Thalma de Freitas, B. Negão, Ivo Meireles e Domenico.

Em novembro de 2004, a banda participou do TIM Festival,​ o mais importante evento de música pop do país. Tocou no palco principal, abrindo a noite do dia 6, sábado, para a cantora inglesa PJ Harvey, seguida do grupo escocês Primal Scream.

Em 2012, a banda retornou a carreira, com uma série de shows para celebrar os 25 anos do “Supercarioca”, completados em 2013. Esse ciclo desembocou no projeto “Picassos Falsos – Supercarioca 25 anos​”. A banda regravou, nos estúdios da  Deck Disc, todo o “Supercarioca” ao vivo. As faixas de “Supercarioca 25 anos” foram lançadas pela Deck digitalmente. E todo o processo de gravação foi registrado num documentário exibido a partir de setembro de 2014, pelo Canal Brasil. Além das performances musicais de todas as faixas do “Super” na íntegra, o filme narra a história da banda, do disco histórico, e conta com depoimentos de fãs, como os jornalistas Lorena Calábria e Marcus Preto e os supracitados B. Negão e José Emílio Rondeau.​

Em 2015, Picassos Falsos lança o single e o clipe da música “Nunca fui a Paris” ​(Somlivre), o primeiro passo para a gravação de “Nem tudo pode se ver”, quarto álbum da banda.  

Em junho de 2017, o baterista e fundador Abílio Rodrigues decidiu sair do grupo para se dedicar a projetos pessoais na área acadêmica, após de 32 anos de Picassos Falsos, que agora segue como um trio, trabalhando com bateristas convidados.

Picassos Falsos lança “Nem tudo pode se ver”, serviço:.

QUANDO: 22 de junho, uma quinta-feira, às 20h

ONDE: Teatro Rival Petrobras – Rua Álvaro Alvim, 33/37, Centro do Rio (próximo ao Metrô Cinelândia)

QUANTO: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada) nos setores A, B e Lounge; R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada) no Mezanino
E MAIS: A bilheteria funciona de terça a sexta, das 12h às 22h; e aos sábados, das 16h às 22h. Acesso para portadores de necessidades especiais. A classificação é 18 anos