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dezembro 16, 2018
Teatro & Dança

‘Para Onde vão os Corações Partidos’ no Teatro Ipanema

Foto: Paula Kossatz
Foto: Paula Kossatz

A partir de 06 de outubro o Teatro Ipanema recebe a montagem inédita do espetáculo ‘Para Onde vão os Corações Partidos’, da argentina Cynthia Edul, que estreou em Buenos Aires em 2012. A direção é Guilherme Piva, com tradução de Sérgio Flaksman. No elenco, Clara de Andrade, Cristina Amadeo, Julia Dalavia e João Pedro Zappa.

Projeto idealizado e realizado por Cristina Amadeo através do crowdfunding ‘Vakinha’ – maneira que muitos artistas e produtores vêm recorrendo para viabilizar seus projetos –, traz pela primeira vez ao Brasil um texto de Cynthia Edul, renomada autora, diretora de curadora artística da Argentina. Mas, segundo Cristina, esse formato “na raça” de produzir teatro não pode se perpetuar. A atriz acredita que é uma saída emergencial e que em vários momentos se questionou se o que estava fazendo estava certo e ainda não se sente cem por cento convencida disso. “Precisamos de políticas públicas. E precisamos fazer teatro. Precisamos manter o teatro existindo, vivo. Aqui chamo de teatro qualquer ‘performance alive’ precisamos das experiências ao vivo e sair do celular, encontrar fora do tinder. Estou sendo movida por esse mote, para realizar a produção de ‘Para Onde Vão Os Corações Partidos’”, coloca Amadeo.

Essa peça fala de memórias, laços, laços familiares e cuidado, com isso vieram os agradecimentos no Facebook, que meu colega, Leonardo Netto, me sugeriu. Esses foram os elementos que acabaram se tornando o recheio desses agradecimentos. Estamos desesperadamente precisando uns dos outros para vivermos com alguma dignidade. Precisamos olhar para o melhor do outro. É sobre o tal do amor mesmo. Mas é aí é que mora o perigo! Amor não paga contas. Amor faz a gente pagar as contas com alegria, inteligência e delicadeza. Esse projeto é patrocinado com dinheiro do público, aliás, quase igual a uma peça incentivada pela Lei Rouanet”, completa.

A peça se passa numa praia em frente ao Farol. São as primeiras horas da tarde, o céu está nublado e há poucas pessoas por perto, apenas um grupo de garotos que joga uma partida de futebol. Silvana (Cristina Amadeo) e seus três filhos já adultos, Marina (Clara de Andrade), Santiago (João Pedro Zappa) e Agustina (Julia Dalavia), voltam depois de muitos anos ao lugar onde passavam as férias, num tempo em que viviam com o pai e quando ainda existia o que eles podiam chamar de família. Agora o pai está morto, os laços se transformaram e eles começam a perceber essas mudanças. Já não são mais os mesmos. São adultos, que não compartilham um cotidiano que os vincule e lhes permita se reconhecerem uns nos outros. Encontram-se nesse tempo vazio da praia. Se conhecem? Há uma inquietação. As lembranças são aparentemente “felizes”, mas os sentimentos, desordenados.

Assim passam algumas horas à espera de um familiar que não vem. Uma bola se apresenta como elemento de interferência violenta na peça, um objeto que materializa a agressividade latente daquilo que todos sabem, mas não dizem. A dor, a perda, se materializam na figura da filha menor que é quem dá voz, talvez por todos, a esse passado que, nessa tarde, se torna tão presente. Uma certeza eles têm: esse lugar onde foram felizes já não existe mais e não se pode voltar àquele tempo.

Poderia se dizer que os personagens dessa peça têm pontos nebulosos, obscuros, tempos indefinidos, onde o presente não é só o presente representado por esse eterno entardecer. Quando o sol se puser e a luz do farol, que de alguma maneira também é um dos protagonistas, os iluminar, eles irão embora, atrevendo-se a se despedir de suas lembranças.

Sinopse:

Uma mulher e seus três filhos voltam à praia onde costumavam passar a infância, quando o pai ainda era vivo, para colocar a casa de veraneio à venda. Uma tarde de lembranças, de desconfortos e de expectativas. As lembranças são aparentemente felizes, mas os sentimentos desordenados. Agora esses filhos precisam cuidar dessa mãe. Eles esperam um tio que não chega e que, de alguma forma, acaba facilitando esse (des)encontro.

FICHA TÉCNINA

Dramaturgia Cynthia Edul
Tradução Sérgio Flaksman
Direção Guilherme Piva
Elenco Clara de Andrade, Cristina Amadeo, Julia Dalavia e João Pedro Zappa
Cenografia Bia Junqueira
Figurinista Antônio Medeiros
Iluminação Renato Machado
Direção Musical Rodrigo Marçal
Fotos Paula Kossatz
Programação Visual Raquel Alvarenga
Textos Projeto Aline Cardoso
Produção Executiva Dayana Lima
Produção de Ensaio Felipe Herculano
Assessoria de Imprensa Daniela Cavalcanti
Direção de produção Tatiana Garcias

SERVIÇO

“Para Onde vão os Corações Partidos”

Estreia para convidados e público: dia 06 de outubro, às 20h30
Temporada: de 06 de outubro a 04 de novembro
Local: Teatro Ipanema (Rua Prudente de Morais, 824 – Ipanema)
Horário: sábado a segunda, 20h30
Ingresso: R$40,00
Informações: (21) 2267-3750
Capacidade: 222 lugares
Duração: 70 minutos
Classificação:  12 anos
Gênero: drama
Bilheteria: no dia do espetáculo 1 hora antes

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