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dezembro 16, 2018
Teatro & Dança

Obra de Eduardo Galeano inspira atriz Nena Inoue na peça Para Não Morrer

foto: Raquel Rizzo
foto: Raquel Rizzo

Mulheres da resistência – célebres ou anônimas – que transformaram o meio e as pessoas com as quais conviveram é a temática do espetáculo Para Não Morrer, solo de Nena Inoue que, pelo papel, recebeu o Troféu Gralha Azul de Melhor Atriz em 2017.

Com dramaturgia do curitibano Francisco Mallmann a partir da obra Mulheres, do escritor uruguaio Eduardo Galeano (1940-2015), a encenação concebida por Nena em parceria de criação com Babaya (BH) apresenta temáticas femininas e feministas atreladas a questões políticas, especialmente da América Latina. Uma mulher se apropria da palavra e dá voz a muitas outras. Diferentes lugares, vidas e momentos históricos se mesclam em um clamor que traz a coragem de narrar, a urgência de ser dito e de contar essas histórias.

“Lendo o livro me inspirei na importância dessas mulheres que estavam na contramão do que era imposto e vi a importância de repassar para outras pessoas. Em seguida, quis colocar em cena mulheres que lutaram antes de nós pela liberdade e que, de alguma forma, venceram. As mulheres como protagonistas de suas histórias. Convidei, então, o Francisco Mallmann para a dramaturgia e ele trouxe um texto sensível, que emociona. Ele foi muito assertivo em captar o que eu queria desse espetáculo. Contei também com o olhar sensível e sempre preciso da Babaya, minha parceira há anos, que dirigiu comigo esse trabalho”, explica a atriz.

Escrito em 1997, o livro recupera a biografia de várias personagens históricas cuja importância a perspectiva dominante reduziu, deturpou ou simplesmente ignorou. Uma forma de dar voz às lutas de mulheres que não são vistas nem lembradas: negras, indígenas, guerrilheiras, mães, avós, filhas de diferentes épocas e lugares que foram violentadas, mutiladas, torturadas, assassinadas e esquecidas. E resgata ainda algumas mais conhecidas, como Sherazade, Rosa de Luxemburgo, Stela do Patrocínio, Josephine Baker e Olga Benário, entre outras.

O espetáculo se insere no debate atual interessado no resgate e na manutenção da memória, apresentando o Brasil em interlocução muito estreita com toda a América Latina. “A peça é sobre opressão e violências, mas também sobre resistências, lutas, afeto. É também sobre as mulheres de hoje, do que está adormecido, coisas esquecidas que precisamos despertar. Vivemos um momento de retrocessos sociais onde a consciência histórica e resistência se fazem ainda mais necessárias, e este espetáculo é minha forma de militar, de resistir. Ele vem tocando distintos públicos, que não somente mulheres, pois seus conteúdos são importantes para todos neste momento”, reflete Nena.

O espetáculo rememora os grandes feitos de perseverança contra a opressão. A figura de Nena Inoue, sentada em uma poltrona em cena, apresenta uma narradora limitada fisicamente, mas que insiste em falar e que intersecciona distintas vivências e aprendizados, evocando, ao mesmo tempo, muitas presenças, alternando força e ternura. Um contragolpe. Exercício de resistência.

TEMPORADAS
O espetáculo estreou no Festival de Curitiba (Mostra Oficial), em abril de 2017, na II Curitiba Mostra, uma idealização do Espaço Cênico coordenada por Nena Inoue e Gabriel Machado, com objetivo de fomentar processos de criação autoral e intercâmbio entre artistas de diversas áreas. Em seguida, fez temporadas em Curitiba (Ave Lola Espaço de Criação e Espaço Fantástico das Artes) e em São Paulo (SESC Pinheiros). Apresentou-se ainda nos festivais FILO (Festival Internacional de Londrina); SINGA 2017 (Simpósio Internacional de Geografia Agrária); Mostra SÓ EM CENA, de Maringá; Mostra Solos Ave Lola, no Festival Internacional (FICA / Natal-RN) , sempre com grande sucesso de público. Com temporada agendada no Teatro Poeirinha (RJ) para Agosto, a peça retorna a São Paulo em Setembro e Outubro.

NENA INOUE:
Nascida em Córdoba (Argentina) e criada desde os nove anos no Brasil, Nena Inoue é artista gestora, produtora, diretora teatral e atriz formada em 1978 pelo Curso Permanente de Teatro do Centro Cultural Teatro Guaíra. Completando 40 anos de carreira, contabiliza mais de 60 espetáculos profissionais e atua ainda como Coordenadora do Espaço Cênico desde 1997. Esteve na mesma função por nove anos (2000 a 2009) ao lado de Luís Melo no ACT – Ateliê de Criação Teatral, espaço que realizou e abrigou distintos trabalhos de caráter multi-área. Foi também Diretora Artísticado Centro Cultural Teatro Guaíra (2003 a 2006); produtora da Sutil Companhia de Teatro (2008 a 2010) e, desde 2009, tem sua produção artística voltada às temáticas de caráter histórico-político-social.

SERVIÇO:

“PARA NÃO MORRER”
Temporada: 03 a 26 de agosto
Quinta, Sexta e Sábado às 21h, Domingo às 19h
Duração: 60 minutos
Classificação Etária – 14 anos

Teatro Poeirinha
Rua São João Batista, 104 – Botafogo
Tel.: (21) 2537-8053

Ingressos:
R$ 20 (promocional para todos – 5ª feira)
R$ 60 (inteira – 6a a domingo) / R$ 30 (meia-entrada  – 6a a domingo)

FICHA TÉCNICA:

Dramaturgia – Francisco Mallmann (a partir da obra Mulheres, de Eduardo Galeano)
Criação, Direção e Atuação – Nena Inoue
Direção de Texto e Parceria de Criação – Babaya Morais
Iluminação – Beto Bruel
Criação de Figurinos/Adereços – Carmen Jorge
Cenário – Ruy Almeida
Técnico Operador – Vinicius Sant
Designer Gráfico – Martin Castro
Realização – Espaço Cênico
Colaboradores RJ – Abílio Ramos, Doroti Jablonski, Paula Rollo, Spectaculu – Escola de Arte e Tecnologia, Daniele do Rosario
Direção de Produção – Nena Inoue
Produção local – Bloco Pi Produções – Damiana Guimarães e Isabel Gomide
Assistente de Produção – Mariana Pantaleão

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