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novembro 15, 2018
Teatro & Dança

‘O espectador condenado à morte’ no Teatro Municipal Maria Clara Machado

O espectador condenado à morte - foto: Pablo Henriques
O espectador condenado à morte - foto: Pablo Henriques

Escrita por Matéi Visniec, considerado por muitos como o “novo Ionesco”, O Espectador Condenado À Morte,  peça em que um espectador se vê transformado em personagem estreia no próximo dia 7 de novembro no Teatro Municipal Maria Clara Mahado, na Gávea com direção de Adriana Maia.
O espectador condenado à morte é uma comédia impetuosa de humor negro que satiriza o sistema judiciário e os julgamentos arbitrários da sociedade moderna. Personagens em situações incoerentes e agindo de forma absurda desfilam pelo palco. O texto de Matéi Visniec, escrito em 1985 ainda na ditadura romena de Ceaucescu, se passa na sala de um tribunal. Um tribunal implacável, que não leva em conta a inocência de um suposto acusado, atribuindo ao indiciado faltas e erros que transformariam qualquer pessoa inocente em réu. “É teatro dentro do teatro”, explica a diretora Adriana Maia. “A quarta parede é irreversivelmente bombardeada: realidade e ficção se misturam. Um texto híbrido que mistura gêneros e estilos: pode se encontrar o teatro absurdo de Ionesco, assim como o surrealismo de Kafka e o existencialismo de Camus em várias passagens da obra. Matéi Vişniec nos transporta com sua prodigiosa imaginação para um universo mordaz e derrisório podendo até confundir a plateia: será realidade ou ficção o que está acontecendo no palco? A escolha do local – a sala de um tribunal – incorpora todos os espectadores neste processo (de justiça ou de ensaio?) para que o público realmente se perceba como um membro de uma corte judicial”, completa Adriana.

O inusitado do texto de Visniec, – um romeno naturalizado francês, que vive e trabalha na França há 28 anos, desde que se refugiou em fuga da ditadura de Nicolae Ceausescu  – quem vai a julgamento é uma pessoa que faz parte do público: o espectador é condenado pelo tribunal de um novo gênero teatral, pois permanece imóvel em relação às propostas do diretor, dos atores e, em última análise, do autor. Na sala reina um desconforto, pois o acusado é um mau espectador! Juiz, procurador, defensor, escrivão, cada um tem o seu ponto de vista. E as testemunhas são os funcionários do teatro que são arrolados para dar o seu depoimento: o bilheteiro, a camareira, a garçonete do bar, o diretor, o escritor… E no decorrer da peça o público assiste de forma passiva essa condenação sem se rebelar. E haja nervos! O pobre espectador que pagou pelo seu lugar se torna a grande vítima de uma cena delirante e hilariante. Mas esse espectador é culpado do quê? De ficar calado, de não agir quando a justiça perde o rumo e a razão. Mas quem está cena em cena: membros de um tribunal ou atores em ensaio? Aos poucos, cada vez mais solitários diante de si mesmos, o tribunal e as testemunhas passam da acusação à autocrítica: todo mundo é culpado quando a justiça é uma farsa; quando a encenação é uma farsa.

Ficha técnica:
Texto – Matéi Visniec
Direção – Adriana Maia
Diretor Assistente – Gilberto Góes
Direção musical – Edvan Moraes
Luz – Anderson Ratto
Cenário – Silas Pinto
Figurinos – Magdalena Vianna
Voz – Rose Gonçalves
Corpo – Soraya Bastos
Projeto gráfico – Rita Ariani
Fotografia – Pablo Henriques
Assistentes de produção: André Julião e Dayene Ruffo.
Direção de Produção: Marcia Quarti

Elenco: Anna Bittencourt, Anna Luiza Marques, Bernardo Marques, Bia Ribeiro, Bia Santana, Camila Sigiliano, Camila Swan, Gabriela Abravanel, Guilherme Galazzo, Lucas Nog, Luca Porto, Lúcio Matínez, Mayara Tubino, Matheus de Cerqueira, Pedro soares, Renan Mayer, Romário Saraiva, Victória Barreto.

Serviço:
Teatro Municipal Maria Clara Machado – Av. Padre Leonel Franca, 240 – Planetário da Gávea
Tel.: 2274 7722
Data:  de 7 a 29 de novembro de 2018
Horário:  quartas e quintas as 20h
Valor do Ingresso: R$30,00 inteira, R$15,00 meia e R$ 10,00 – aluno CAL
Classificação: 14 anos
Duração: 120 minutos
Capacidade: 117 lugares

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