A união dos conhecimentos de um grande divulgador da pré-história brasileira, professor Luiz Eduardo Anelli, com o maior paleoartista nacional, Rodolfo Nogueira, foi fundamental para reconstruir, em livro, os dinossauros e as paisagens pré-históricas onde viviam que, em 2018, será convertido em megaexposição no Parque do Ibirapuera

Se o Brasil conhece muito pouco sobre sua história, imagine sobre sua pré-história. Diferente de países desenvolvidos do hemisfério norte e Austrália, que se apoderaram desta grande riqueza cultural, aqui ainda estamos por descobri-la.

Todo nosso território e grande parte dos patrimônios geológicos que possuímos foram construídos ao longo do imenso tempo geológico. Nossas reservas de minérios, petróleo, gás, a terra roxa, o Aquífero Guarani e Alter do Chão, duas das maiores reservas de água doce do mundo, e mesmo a grande floresta Amazônica, são patrimônios que herdamos da nossa pré-história. É este um Brasil que ainda precisa ser descoberto.

Nosso território passou por gigantescas transformações naturais, acolhendo desde nossos mais antigos registros de vida, bactérias com mais de dois bilhões de anos de idade, até a grande diversidade atual. Entre esses dois extremos,  a vida em nosso território atravessou momentos de grandes extinções em massa, extensos vulcanismos e inevitáveis choques de asteroides. 250 milhões de anos atrás, não por acaso no tempo quando a vida enfrentava a sua maior crise, um grande impacto ocorreu em terras hoje brasileiras. A maior cratera de impacto conhecida na América do Sul, a Cratera de Araguainha, ainda pode ser vista próxima à fronteira de Goiás e Mato Grosso, testemunha incontestável dessa grande calamidade.

Até o início da Era Mesozoica, cerca de 250 milhões de anos atrás, a Terra era habitada por uma enorme variedade de animais e plantas, a grande maioria já extinta, relíquias da era anterior, desde a evolução da vida multicelular. Em seguida, num intervalo de 30 milhões de anos, de pequenos répteis sobreviventes da grande extinção, a evolução deu vida aos primeiros dinossauros. Em nosso território existiram diversos deles, dos pequeninos e mais antigos conhecidos, como o Pampadromeus e Saturnalia, que viveram há 230 milhões de anos, a gigantes titanossauros como o Austroposeidon e Uberabatitan, no final da grande Era, cerca de 70 milhões de anos atrás. Em cemitérios pré-históricos espalhados por todo o Brasil, cerca de outras 35 espécies já conhecidas tiveram seus esqueletos fossilizados, hoje tesouros descobertos por paleontólogos brasileiros. Seguramente, muitas outras espécies virão por aí.

O resultado de cinco anos de estudos e desenvolvimento de ilustrações é o livro O Brasil dos Dinossauros, que mapeia este caminho desde o nascimento das primeiras linhagens ancestrais desses que são as grandes estrelas da nossa pré-história até sua extinção, há 66 milhões de anos. Ricamente ilustrado, nos conta em detalhes a jornada de nossos dinossauros, bem como a evolução de nossas paisagens pré-históricas.

As detalhadas reproduções das espécies em seu ambiente de vida – os grandes protagonistas desta obra – foram resultado de um empenho da equipe reunida pela Marte, que traz um estudioso brasileiro no assunto, o professor Luiz Eduardo Anelli, e um dos gênios da paleoarte nacional, Rodolfo Nogueira, um ‘fotógrafo’ que usa a lente da ciência para gerar, através da técnica do desenho digital, imagens há muito escondidas no interior das rochas. Uma obra de leitura fácil e instigante, que reunirá diferentes gerações para conhecer a história e as paisagens que os dinossauros brasileiros podem nos contar.

O livro traz em suas 132 paginas ilustrações de 25 das 40 espécies nomeadas no Brasil, até o momento, e seus entornos – que em 2018 serão convertidas em megaexposição na OCA, no Parque do Ibirapuera, com projeto expográfico de Daniela Thomas. Os dinossauros atuam como cicerones da pré-história, pois através deles o leitor será introduzido ao vasto universo da pré-história brasileira.

O lançamento de O Brasil dos Dinossauros acontece no dia 13 de dezembro, às 19h, na Livraria Cultura – Conjunto Nacional, com a presença de seus criadores, o editor Edoardo Rivetti e Marcelo Arantes, da editora Marte, do professor e paleontólogo Luiz Eduardo Anelli e o paleoartistaRodolfo Nogueira.

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Luiz Eduardo Anelli
O paleontólogo e escritor brasileiro Luiz Eduardo Anelli é conhecido por seus livros de divulgação científica sobre dinossauros brasileiros. Anelli é biólogo graduado pela Universidade Estadual de Londrina em 1989, mestre e doutor em paleontologia pelo Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo, onde ministra disciplinas de graduação e pós-graduação desde 1996. Coordena há 20 anos a Oficina de Réplicas do Instituto de Geociências e foi o idealizador e curador da exposição Dinos na Oca e Outros Animais Pré-Históricos, no Parque do Ibirapuera, em 2006, visitada por 550 mil pessoas.

Montou as primeiras réplicas de esqueletos de dinossauros na cidade de São Paulo, incluindo o Allosaurus fragilis (Instituto de Geociências). Em Santo André, montou o esqueleto do Tyrannosaurus rex, o único esqueleto completo do grande predador em exposição permanente na América do Sul. Em São José dos Campos foi responsável pela produção da réplica do nosso maior dinossauros predador, o Oxalaia quilombensis.

Luiz Anelli é um defensor do ensino de paleontologia nas escolas, onde o tema é pouco abordado até mesmo pelas disciplinas nas quais deveria ser assunto, como Biologia e Geografia. Divulgador científico nacional, reitera que a paleontologia foi toda construída sobre a ciência do hemisfério norte e que as escolas precisam conhecer e ensinar a pré-história do Brasil. Considera que a forma como os dinossauros são mostrados no cinema e em brinquedos contribui para a visão equivocada que se tem deles, de seres cruéis e violentos, e muitas vezes considerados um “brinquedo de menino”. Há uma preocupação em seus livros de não mostrar dinossauros de forma violenta e agressiva, mas sim como animais complexos e vibrantes. Anelli também defende que tanto quanto eram maravilhosos, os dinossauros podem nos levar para lugares incríveis do tempo da sua existência em terras brasileiras, e que conhecer a história profunda de um país é a forma mais eficiente de olhar para o futuro. 

É autor de uma série de livros sobre dinossauros no Brasil e sobre a pré-história brasileira, dentre eles Dinossauros e outros monstros – uma viagem à pré-história do Brasil. Editora Peirópolis/Edusp, São Paulo, 248p. – finalista do Prêmio Jabuti em 2016; O Guia Completo dos Dinossauros no Brasil, Editora Peirópolis, São Paulo, 222p. – selecionado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) para a 48º feira de Bolonha, recebeu o selo Altamente Recomendável pela FNLIJ em 2011, foi finalista do 53º Prêmio Jabuti na categoria Ciências Naturais, selecionado para a FDE – Programa Sala de Leitura em 2013; e Dinos no Brasil, Editora Peirópolis, São Paulo, 82p. – recebeu o selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) na Categoria Informativo em 2012, recebeu o

Prêmio FNLIJ de melhor Livro Informativo no mesmo ano, selecionado para o Catálogo de Bolonha 2012 / FNLIJ na 49ª Bologna Children’s Book Fair 2012, Categoria Não-ficção, e finalista do Prêmio Jabuti 2012, na Categoria Didático e Paradidático, tendo obtido o 4º lugar. Em 2013, foi selecionado para a FDE – Programa Livros na Sala de Aula. Em 2015, alguns de seus livros sobre dinossauros, escritos em coautoria com Celina Bodenmüller, foram adotados pelo programa Portuguese Dual Language Immersion em escolas bilíngues no estado de Utah, Estados Unidos.

Rodolfo Nogueira
Rodolfo Nogueira é paleoartista graduado em Desenho Industrial pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP. Desenvolveu e publicou uma metodologia científica para reconstituir animais extintos chamada Paleodesign. Possui trabalhos em museus nacionais e em países como Argentina, Espanha, Estados Unidos, Portugal e Alemanha e Geórgia. Com mais de 15 anos de experiência em ilustração artística e 10 em ilustração cientifica, já ministrou diversos cursos e palestras sobre desenhos de observação, ilustração científica e paleoarte a mais de cinco mil pessoas. É autor de ilustrações estampadas em selos postais de circulação nacional, incluindo o Melhor Selo do Ano de 2015 e ilustrador da linha de brinquedosDinossauros do Brasil, da empresa Xalingo S/A, possui ilustrações publicadas em livros didáticos de ensino médio e fundamental, revistas científicas nacionais e internacionais – Plos One, Cretaceous Research, Journal of Vertebrate Paleontology, entre outras – e revistas e jornais de divulgação científica – como Scientific American, Folha de S.Paulo, Superinteressante, Ciência Hoje, BBC, National Geographic. Concedeu entrevistas e participou de diversos programas de rádio e TV, incluindo o Encontro com Fátima Bernardes e Fantástico (Rede Globo) e Artefato (TV UNESP). É detentor de oito prêmios internacionais em concursos de ilustração de animais extintos, entre eles o Prêmio Lanzendorf de Ilustração Científica, em Dallas/EUA em 2015.  Participou como jurado em concursos de paleoarte, como o 1° Prêmio Rodolfo Nogueira de Paleoarte. É criador dos personagens da Exposição de Realidade Virtual Dinos do Brasil para o Museu Catavento, em São Paulo. Ilustrador do livro O Brasil dos Dinossauros, da editora Marte. Professor no Projeto Megafauna e criador do design dos espaços do projeto Geoparque Uberaba – Terra dos Dinossauros do Brasil, atualmente está à frente da empresa de design voltada à ilustração científica Prehistoric Factory.

O Brasil dos Dinossauros
Editor: Edoardo Rivetti
Autor: Luiz Eduardo Anelli
Ilustrador: Rodolfo Nogueira
Editora: Marte
Edição: 1ª
Ano: 2017
Idioma: Português
Especificações: Brochura | 132 páginas |
Acabamento: luxo superior, com sobrecapa em acetato
ISBN: 978-85-69827-00-9
Dimensões: formato gigante 51cm X 24,5 cm
Papel: couché fosco
Impressão: totalmente em cores (4/4) 
Valor de capa: R$ 149,00

 

  • André Martins

    Wowww!! Preciso desse livro urgente!

  • Beth Lourenço

    O Rodolfo Nogueira é meu primo! Estou encantada com a obra!
    Parabéns a todos os envolvidos!
    (tem um erro na palavra “traz” lá na manchete – está ‘treaz’ )