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Artigo | O dia que o SBT se tornou a emissora mais infeliz do Brasil

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Para o SBT, quem não ama o Brasil, deve abandona-lo!

Nos anos 1950, o ex- Fuzileiro Naval da Marinha, Joseph McCarthy, então Senador dos Estados Unidos, pelo estado de Wisconsin, causava polêmica ao afirmar que, tinha em seu poder uma lista com os nomes de supostos membros do Partido Comunista e membros de uma rede de espionagem empregados dentro do Departamento de Estado daquele país. O Senador tinha um aliado: Walter Winchell, Capitão-de-Corveta da reserva da Marinha, que virou jornalista e foi o inventor da coluna social moderna, com direito as fofocas das celebridades. Na Rádio NBC, Winchell comandava um programa dominical. Após a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, suas colunas no jornal e seus programas no rádio passaram a ser dominadas pelo tema. Com tom político, virou um propagador das acusações do Senador McCarthy.

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McCarthy e sua equipe, tornaram-se famigerados e infames pelas investigações agressivas e truculentas contra o Governo Federal e pela campanha contra todos que eles suspeitassem ser ou simpatizar com os comunistas. Dentre seus alvos: estavam integrantes da indústria cinematográfica de Hollywood. O período que o Senador lançava essas denúncias, ficou conhecido como Red Scare (Terror Vermelho) e também como McCarthyism (Macartismo uma figurinha com o seu sobrenome). Durante esse período, todos aqueles que fossem acusados de comunistas, tornaram-se objeto de investigações e invasão de privacidade. Além dos artistas do cinema, pessoas da mídia, do governo e do exército foram acusadas de espionagem e aproximação com a União das Repúblicas Socialista Soviética (URSS, hoje a Rússia). Muitas pessoas tiveram suas vidas destruídas pelos macartistas, inclusive algumas levadas ao suicídio.

Enquanto isso, na imprensa, o radialista apoiador Winchell elogiava a atuação do parlamentar e numa das suas defesas ao Macartismo esbravejou no ar: “America: love it or leave it!” (America: ame-a ou deixe-a!) a frase, obviamente, era contra os críticos da atuação dos McCarthyisms. Até que o jornalista Edward R. Murrow, da rede CBS, denunciou em uma série de reportagens, as práticas abusivas e podres do senador. A decadência de McCarthy não tardou a vir. O mesmo não chegou a ser expulso do Senado, mas sofreu uma Moção de Censura Pública, acabou desprestigiado, como prática da política estadunidense, uma vez que suas ações tornaram-se uma mancha na história da democracia do país lembradas até hoje.

Entre os anos de 1966 a 1974, o Brasil (que sofreu um Golpe de Estado pelos militares em 1964), durante o Governo do General Emílio Garrastazu Médici e seu Vice, o Almirante Augusto Hamann Rademaker Grünewald, entrava no momento mais repressivo da Ditadura Militar. Esse período ficou conhecido como Anos de Chumbo. Pressionado pela Crise do Petróleo de 1973, Médici contratou uma equipe de publicitários para investir pesado na sua propaganda, como forma de sair da situação. Nas reuniões, saíram frases claras para os opositores ao Regime como: “Quem não vive para servir ao Brasil, não serve para viver no Brasil” e a tradução para o português da frase do radialista americano Walter Winchell: “Brasil, ame-o ou deixe-o!“.

A frase surtiu efeito imediato, já que milhares de brasileiros, opositores aos Militares, precisaram pedir exílio político em outros países. Médici contava com os poderes totalitaristas do Ato Institucional Número 5 (AI-5), o mais duro de todos os Atos Institucionais, que foi decretado em 1968 pelo Governo do General Artur da Costa e Silva. Tal decreto, resultou na perda de mandatos de parlamentares contrários aos regime, intervenções ordenadas pelo presidente nos municípios e estados e também na suspensão de quaisquer garantias constitucionais que eventualmente resultaram na institucionalização da tortura, comumente usada como instrumento pelo Estado.

Na tarde desta terça-feira, dia 06 de novembro, o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), ressuscitou o gravíssimo bordão durante seus comerciais, veiculando uma campanha cuja frase autoritária, “Brasil, ame-o ou deixe-o!” era apresentada no final da vinheta. Tal situação ganhou reações nas redes sociais e na opinião pública e de políticos.

O que é lamentável, pois o SBT tem como dono, o empresário Senor Abravanel (conhecido artisticamente como o apresentador Silvio Santos), filho de imigrantes. Segundo sua biografia, seu pai precisou fugir do país de origem (antigo Reino da Grécia, hoje a Grécia) para fugir do Alistamento Militar obrigatório. Ironia do destino?

Com a palavra, o SBT:

A reportagem procurou a Gerente de Comunicação da emissora, Maisa Alves e sua equipe, com os seguintes questionamentos:

1 – Como Silvio Santos, na verdade, Senor Abravanel, filho de imigrantes, cujo o pai, segundo a biografia, fugiu do seu país de origem se sentiu com toda a repercussão negativa da campanha?

2 – O SBT estuda ou já tomou alguma providência contra a equipe “criativa” da lamentável campanha?

3 – Como é idealizar uma campanha, cujo o objetivo é unir uma nação, mas utilizando uma frase que apresenta uma solução tão autoritária (era um bordão utilizado nos Anos de Chumbo, conhecidos como o pior período da Ditadura Militar brasileira)?

4 – Quais providências serão tomadas para que, campanhas tão negativas como a exemplo, que já não se encontra mais no ar, devido as reações negativas, desde o mesmo dia, serão evitadas? Tendo em vista que se o “idealizador” pensasse um pouco mais, lembraria que tal campanha seria exibida na segunda maior emissora do país e, como um veículo de comunicação, deve prezar pela sua Liberdade de Expressão (uma luta que os telespectadores mais democráticos abraçam e apoiam), mas também pelos Direitos Humanos?

A assessoria de imprensa respondeu com a seguinte nota: “A vinheta com o bordão ‘Brasil, ame-o ou deixe-o’ foi retirada do ar. A emissora cometeu um equívoco de não se atentar que este bordão foi forte na época do regime militar. A ideia das vinhetas é passar uma mensagem de união, esperança e otimismo aos telespectadores brasileiros e aos que não são, porém vivem no País.“.

Opinião:

A nota causa estranheza, pois não tira o peso totalitário da frase. Não precisa ser um Doutor em Linguística para interpretar que se trata de uma frase impactante e negativa. Se o leitor partir da hipotética ideia de que no Brasil, nunca ouve uma Ditadura Militar, por exemplo, e apenas em 2018 a frase foi veiculada numa emissora de televisão, ainda não tiraria a gravidade da mesma. O cidadão, natural do seu país, que não concorda com o seu Sistema Político, recheado de corrupção e com atuações políticas duvidosas, não pode ser expulso da nação, apenas por discordar das injustiças, crimes e politicagem que faz parte do triste cotidiano brasileiro. Como se vai unir o país, com uma frase que exige e determina a expulsão dos seus opositores? Onde está a democracia na campanha?

Recorrendo ao atual momento delicado que o Brasil, uma democracia com apenas trinta anos de idade, está vivendo atualmente, Carmem Lúcia, Ministra da Suprema Corte do país defendeu nesta semana que “Estamos vivendo uma mudança perigosamente conservadora“. Contudo, vale perguntar: seria o SBT, a substituta da TV Globo, em um eventual próximo Regime Autoritário? Com a palavra, a RecordTV!

Alyson Fonseca
Editor de Conteúdo na cobertura de pautas nacionais  e internacionais (sempre com olhares atentos em Hollywood). Com atuação 'in loco' no Nordeste e região.

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