Nora se despede da Casa de Cultura Laura Alvim – Espaço da Secretaria de Estado de Cultura/FUNARJ

Nos dias 23 e 24 de maio o projeto Nora de despede da Casa de Cultura Laura Alvim – Espaço da Secretaria de Estado de Cultura/FUNARJ. A iniciativa teve a sua pesquisa cênica patrocinada pela Prefeitura do Rio de Janeiro e Secretaria Municipal de Cultura. Com direção de Diana Herzog, a apresentação tem como ponto de partida a personagem Nora de Casa de Bonecas, peça teatral do dramaturgo norueguês Henrik Ibsen. Para compor a pesquisa cênica, a equipe do projeto foi as ruas do Rio para ouvir histórias reais de diferentes mulheres. Esse resultado é revelado no palco, numa pesquisa de linguagem de teatro documentário, onde a dramaturgia mistura ficção e fatos reais.

O projeto parte do teatro para rua; de uma personagem para mulheres. É um trabalho que chega nas vozes coletadas na rua, e nas vozes das atrizes através da voz da Nora – um dos grandes símbolos feministas na história do teatro. “Nosso objetivo é entender como ‘Nora’ continua presente nos dias de hoje. E de que maneira ela como símbolo é atual e necessária, para que mulheres continuem a ganhar voz numa sociedade ainda patriarcal. Por isso o trabalho da pesquisa de campo, de ir para a rua ouvir mulheres é essencial. Entendemos que o próprio ato da fala para a mulher é em si transgressor.” Afirma Diana.

A personagem de Ibsen despontou à época como uma transgressora ao optar por deixar casa, marido e filhos após anos de dedicação à família. Ela decide seguir sua vida em busca de uma prioridade: si mesma. Símbolo do feminismo, que começava a tomar corpo na Europa, Nora subverteu padrões de comportamento considerados ideais para a mulher do final do século XIX.

“Quando encenada pela primeira vez, em 1879, Casa de Bonecas provocou polêmica por questionar a função e valor da mulher na sociedade. Nora é a personificação e desconstrução destes papeis. Ela se tornou um símbolo feminista – mulher não mais como um papel social, como mãe, como esposa, e sim como pessoa, indivíduo. Passados mais de 100 anos da estreia da peça, ela segue transgressora”, declara a diretora.

Para compor o projeto Nora, Diana utilizou além do texto original de Ibsen, uma outra  versão contemporânea do autor para última cena de Eleanor Marx (filha de Karl Marx) e Israel Zangwill para a mesma obra, intitulada “A Doll’s House Repaired” “Casa de Bonecas Consertada, “Casa de Bonecas é um dos textos mais continuados da história. O autor finaliza com reticências. A personagem bate a porta e sai”, explica.

A terceira temporada de Nora conta com algumas mudanças, uma delas foi inspirada pelo trabalho do diretor Holandês Jörgen Tjon, que esteve no Rio de Janeiro abrindo o Tempo Festival de 2016 com espetáculo Invísivel, no qual Diana foi diretora assistente. Jörgen pesquisa teatro documentário e uma das técnicas utilizadas no Invisível foiverbatim – técnica que se propõe a reproduzir as palavras exatas de pessoas reais gravadas em entrevistas e conversas. E a partir desse contato, Diana experimentou a técnica em uma das cenas, onde a atriz reproduz uma série de respostas de diferentes mulheres para a mesma pergunta. São sempre três perguntas, que variam a cada apresentação na terça e quarta. É também a primeira temporada fora da Sede das Cias., onde todo espaço (casa e teatro) era utilizado como experimentação cênica. A readaptação de Nora para o Porão do Laura Alvim traz bastantes mudanças espaciais para a cena.

Cida de Souza comanda a produção do projeto, que conta com Duda Maia na direção de movimento, além iluminação de Luiz André Alvim e Guigá Ensá, trilha sonora de Isadora Medella e cenário e figurino de Elisa Faulhaber. No elenco da peça estão jovens e talentosas atrizes, que se revezam no papel de Nora. São elas: Joana Lerner, que integra a Cia. Pequena Orquestra desde 2008 e atuou em novelas como Senhora do destino, Tempos Modernos e Fina Estampa; Priscila Assum, que protagonizou na TV série As Canalhas (GNT), participou de novelas como Passione e Tapas e Beijos e atuou no espetáculo Sonhos de um Sedutor; Julia Stockler, que protagonizou o seriado “Só Garotas”, no Multishow, dirigido por Maria Flor, além de ter. Recebido prêmios de melhor atriz por “Sobe Sofia”, de André Mielnik, “Gaydar” de Felipe Cabral, e pelas cenas “Cacilda” e “Borboletas” no FESTU- Rio; Renata Ravani, que participou do Festival de Teatro do Rio de Janeiro com a peça premiada Fando e Lis e fez parte do elenco do musical Pop Kamikaze; Lilia Wodraschka, que já atuou nas peças: Malandrices, Abracadabra, Nirvana e A Bruxinha que era boa; e Maíra Kestenberg, atriz, palhaça e Diretora Teatral. Bacharel em Interpretação Teatral e Direção Teatral pela Uni-Rio.

FICHA TÉCNICA
Direção – Diana Herzog
Produção criativa – Valéria Martins
Atrizes – Joana Lerner, Julia Stockler, Lilia Wodraschka, Maíra Kestenberg, Priscila Assum e Renata Ravani
Dramaturgia – Diana Herzog                     
Texto – Eleanor Marx, Israel Zangwill, Diana Herzog, Joana Lerner, Julia Stockler, Lilia Wodraschka, Priscila Assum e Renata Ravani
Direção de Movimento – Duda Maia
Iluminação – Luiz André Alvim e Guiga Ensá
Trilha Sonora – Isadora Medella
Design Gráfico – Raquel Alvarenga
Cenário e Figurino – Elisa Faulhaber
Fotos – Alex Herzog e Ricardo Brajterman
Assistência de direção – Maíra Kestenberg
Produção Executiva: Cida de Souza 

SERVIÇO

Teatro – Projeto Nora

De 02 a 24 de maio

Horário: terça e quarta às 19h (sessão extra) e 21h

Local: Casa de Cultura Laura Alvim – Espaço da Secretaria de Estado de Cultura/FUNARJ / Teatro Rogério Cardoso

Endereço: Av. Vieira Souto, 176 – Ipanema

Funcionamento da bilheteria: terça a sexta das 16h às 21h, sábado das 15h às 21h e domingo das 15h às 20h

Telefone informações: 2332-2015

Duração: 1h

Gênero: ficção documental

Classificação etária: 12 anos

Preço ingresso: R$40 inteira e R$20 meia

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