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novembro 17, 2018
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Museu Nacional ganha acervo digital off-line para crianças

Recurso pedagógico digital off-line criado por ONG, dá acesso para crianças e adolescentes, conteúdos sobre o Museu Nacional do RJ

O conhecimento através dos livros e da tecnologia pode ajudar crianças e adolescentes a conhecerem mundos diferentes dos que estão habituados, além de exercitarem a imaginação. Nesse contexto, a Visão Mundial, organização humanitária não governamental especializada na proteção à infância, facilita o acesso das crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade no Rio de Janeiro a um recurso pedagógico digital chamado Caixas do Saber que oferece diferentes conteúdos educacionais. Por meio do método dinâmico, as crianças podem conhecer o Museu Nacional do Rio de Janeiro que foi atingido por um incêndio em setembro deste ano.

Mais de nove mil crianças e adolescentes do Brasil utilizam o instrumento pedagógico como uma ferramenta de educação. Atualmente, a Visão Mundial desenvolve esse trabalho em seis municípios do Brasil: Canapi (AL), Inhapi (AL), Recife (PE), Salvador (BA) e Nova Iguaçu (RJ), com 27 “salas do saber”, com instalação de computadores, tablets e ferramentas de jogos off-line com conteúdos sobre conhecimentos gerais, raciocínio lógico, matemática e português que se adequam à necessidade de cada local.

No Rio de Janeiro, 19 salas funcionam nas cidades do Rio de Janeiro, Complexo do Lins e Nova Iguaçu, e atendem mais de quatro mil crianças. A Escola Professora Therezinha de Jesus Araujo Hermida, em Nova Iguaçu, foi a primeira a receber o conteúdo sobre o Museu Nacional do Rio de Janeiro. Cerca de 200 alunos de 03 a 12 anos de idade do infantil ao quinto ano têm acesso ao material.

A gerente de projetos da Visão Mundial no Rio de Janeiro, Sueli Catarina, fala sobre a importância do conhecimento das crianças e adolescentes sobre o acervo do Museu. “A tragédia ocorrida no Museu Nacional do RJ trouxe para todos nós um sentimento de perda enorme. Temos a obrigação de perpetuar a memória de um espaço tão importante de cultura e diversidade. A Visão Mundial está contribuindo de forma concreta para que os meninos e meninas das escolas públicas de onde atuamos possam conhecer um pouco do acervo do museu, através de imagens que foram organizadas”. E continua: “Se as crianças não poderão mais ter o acesso real ao acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro, uma parte importante do Museu vai até as Escolas da Periferia de Nova Iguaçu”.

Evellyn, 10, aluna da Escola Prof. Therezinha de Jesus Araujo Hermida, fala sobre a experiência de conhecer o Museu Nacional do Rio de Janeiro por meio das Caixas do Saber. “Nunca fui para um Museu e pude ver muitas coisas legais que existiam há anos atrás. O que eu mais gostei de ver foram os animais, o ouriço, o tatu canastra, a preguiça, a capivara e outros”. E continua: “minha matéria preferida é história porque eu posso conhecer coisas antigas”.

Para facilitar o entendimento das crianças e adolescentes sobre a história do Museu, Vinicius Silva, 29, instrutor da ferramenta, ensina aos alunos e mostra o conteúdo em sala de aula de forma lúdica. “No Parque Estório, onde fica a escola, é um local de difícil acesso e eles não têm acesso à informação e tecnologia. Tudo que as crianças aprendem na escola, elas vão carregar para a vida inteira. Por isso, é importante ensinar a preservação dos museus, da natureza e dos patrimônios públicos”, conta.

Jorge Fortes, 66, é aposentado e engenheiro responsável por criar as Caixas do Saber que levam a história e a cultura do Museu para as crianças. O interesse de criar o recurso surgiu em 2010 com a necessidade de oferecer um material impresso ou digital sobre as exposições e estrutura do local. Com a autorização do Museu, Jorge utilizou o material do antigo site do Museu, além de um livro que têm mais de mil fotografias do local e das exposições. “O Museu do RJ tinha uma diversidade enorme de coisas, era uma mistura de tudo e por isso que era muito querido, tinha desde dinossauro até o trono de Dom Pedro. Hoje fico muito feliz porque eu jamais ia imaginar que ia acontecer esse desastre e que pelo menos as crianças não perdem contato com um material muito importante. O que me motiva a fazer esse recurso é saber que as crianças se divertem e aprendem com as Caixas do Saber”, conta.

Criado em 1818 por D. João VI, com o intuito de promover o progresso cultural e econômico no País, o Museu Nacional/UFRJ é a mais antiga instituição científica do Brasil e o maior museu de História Natural e Antropologia da América Latina. Antes do incêndio que destruiu grande parte do acervo do Museu, o local abrigava, ao total, mais de 20 milhões de itens das coleções científicas estudadas pelos Departamentos de Antropologia, Botânica, Entomologia, Invertebrados, Vertebrados e Geologia e Paleontologia.

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