Mostra de Cinema Colombiano traz A Caliwood de Luis Ospina para a Caixa Cultural

Crítica social, irreverência, horror e humor, em uma estética inovadora. Esses são alguns dos principais ingredientes que os espectadores encontrarão na mostra A Caliwood de Luis Ospina: Cinema colombiano de vanguarda, em cartaz na CAIXA Cultural Rio de Janeiro de 27 de junho a 9 de julho de 2017. Com curadoria de Lúcia Ramos Monteiro, a mostra traz uma retrospectiva completa do realizador colombiano fundador do Grupo de Cali e expoente do cinema independente da Colômbia.

Autor de ficções, documentários e filmes experimentais, Luis Ospina é reconhecido internacionalmente por sua obra, mas permanece pouco divulgado no Brasil. A mostra tem a intenção de reparar essa distorção, trazendo, inclusive, o diretor para uma masterclass gratuita no dia 1º de julho (sábado), às 15h.

“A cinefilia brasileira presta bastante atenção nos clássicos do cinema dos Estados Unidos e da Europa, mas tem estado menos atenta ao que se faz em outros continentes, sobretudo no continente latino-americano”, explica a curadora. “O cinema de Caliwood é muito importante por trazer reflexões interessantes para pensar a dinâmica entre cinema regional e cinema nacional, o estilo documentário e a relação entre humor e terror, todas essas características presentes no cinema brasileiro. Dito de outra maneira, vários temas presentes nos filmes da mostra dialogam diretamente com questões fundamentais para o cinema brasileiro”, conclui.

Apresentando um total de 34 filmes, A Caliwood de Luis Ospina: Cinema colombiano de vanguarda conta com 29 realizações do cineasta, entre longas e curtas-metragens, além de produções de parceiros como Carlos Mayolo e Patricia Restrepo, com os quais colaborou direta ou indiretamente. Entre os destaques estão o falso documentário Agarrando pueblo – Os vampiros da miséria (1978), de Ospina e Mayolo; Sopro de vida (1999) e Um tigre de papel (2007), de Ospina; A mansão de Araucaima (1986) e Carne de tu carne (1983), de Mayolo; além da mais recente realização de Ospina, Tudo começou pelo fim, longa documental que revisita toda a história de Caliwood e seus principais colaboradores.

Representação feminina:
E se Ospina, Mayolo e Caicedo são consideradas as figuras mais conhecidas do movimento cultural que teve como epicentro a Ciudad Solar, em Cali, a verdade é que muitas mulheres também desempenharam papéis fundamentais na produção cinematográfica dali, entre diretoras, figurinistas, produtoras, montadoras, etc. Dentre elas, destaca-se a realizadora Patricia Restrepo, representada na mostra por dois de seus filmes, de forte teor feminista: Pela manhã (1979), codirigido por Bellien Maarschalk, e Momentos de um domingo (1985). Restrepo foi companheira de Caicedo e de Mayolo, tendo participado ativamente do Grupo de Cali.

Atividades paralelas:
Além da masterclass no dia 1º (sábado), na qual o diretor discutirá sua profícua trajetória e a circulação do cinema experimental latino-americano, a mostra ainda oferece o minicurso Revoluções do cinema colombiano. Em três encontros, os pesquisadores Patricia Machado (PUC RIO), Fabián Núñez (UFF) e Marc Berdet (USP) debaterão diferentes aspectos do cinema de Luis Ospina e da Caliwood. As aulas serão realizadas nos dias 29 de junho (quinta), 6 de julho (quinta) e 7 de julho (sexta), sempre às 17h. Todas as atividades são gratuitas e os ingressos deverão ser retirados com uma hora de antecedência. Haverá certificado para os participantes do minicurso.

Sobre Luis Ospina e Caliwood:
Na Cali dos anos 1970, um trio composto por Luis Ospina (1949-), Carlos Mayolo (1945-2007) e Andrés Caicedo (1951-1977) iniciou um movimento de efervescência cinematográfica e cinefílica. Tendo como base uma casa ocupada coletivamente, a Ciudad Solar, eles escreviam críticas de cinema, programavam sessões em um cineclube e filmavam, reunindo um grupo cada vez maior de artistas, escritores, fotógrafos, atores, técnicos, cinéfilos, intelectuais e interessados.

Único sobrevivente da tríade fundadora do Grupo de Cali, Luis Ospina é o guardião da memória desse movimento e do chamado “Gótico Tropical”, cuja história vem contando em uma série de belos filmes. Autor de uma vasta, contundente e constante filmografia, que combina ficções, documentários e filmes experimentais, Ospina situa seus trabalhos na intersecção entre o cinema, o vídeo e as artes visuais ao mesmo tempo em que oferece um retrato da cultura e da sociedade colombianas para além dos estereótipos de violência e tráfico de drogas.

Ao longo de sua carreira, o diretor ganhou reconhecimento internacional, tendo filmado ao lado do franco-chileno Raúl Ruiz e do franco-suíço Barbet Schroeder, além de lecionar em escolas de cinema da Argentina, do Chile e do México e de exibir seu trabalho em inúmeros países (Estados Unidos, França, Espanha, Portugal, México, Cuba, Argentina, Chile, etc.). O MoMA (Museum of Modern Art), de Nova York, organizou recentemente sessões em sua homenagem e a Cinemateca do México dedicou-lhe, em 2014, uma importante retrospectiva. Seus filmes foram premiados em festivais realizados não somente na Colômbia, mas também em Cuba, na Espanha e na França. Livros e artigos foram publicados a seu respeito.

Programação:

27 de junho (terça-feira)

16h – Tudo começou pelo fim (2015), de Luis Ospina, 208 min. Livre

19h30 – Recepção de abertura

 

28 de junho (quarta-feira)

15h – No pé (1991), de Luis Ospina, 25 min. Livre + No cabelo (1991), de Luis Ospina, 25 min. Livre + Na corrida (1991), de Luis Ospina, 25 min. Livre.

17h – Andrés Caicedo: uns poucos bons amigos (1986), de Luis Ospina, 86 min. 16 anos

19h – Em busca de María (1985), de Luis Ospina e Jorge Nieto, 15 min. Livre + Fotofixações: retrato falado de Eduardo Carvajal (1989), de Luis Ospina, 25 min. Livre + Slapstick: a comédia muda norte-americana (1989), de Luis Ospina, 50 min. Livre.

 

29 de junho (quinta-feira)

15h – Ouça Veja (1972), de Luis Ospina e Carlos Mayolo, 27 min. Livre + Cali: de película (1973), de Luis Ospina e Carlos Mayolo, 14 min. Livre + Agarrando pueblo (1978), de Luis Ospina e Carlos Mayolo, 27 min. Livre + Olho e vista: periga a vida do artista (1987), de Luis Ospina,  26 min. Livre.  

17h – Minicurso com Patrícia Machado – Revoluções no cinema colombiano – Documentário, documentira, com Consuelo Lins

18h45 – Um tigre de papel (2007), de Luis Ospina, 114 min. Livre

 

30 de junho (sexta-feira)

15h – Antonio María Valencia: música de câmara (1987), de Luis Ospina, 87 min. Livre

17h – Asunción (1975), de Luis Ospina e Carlos Mayolo, 15 min. Livre + Pela manhã (1979), de Bellien Maarschalk e Patricia Restrepo, 8 min. Livre + Momentos de um domingo (1987), de Patricia Restrepo, 24 min. Livre.

18h30 – Sopro de vida (1999), de Luis Ospina, 110 min. 16 anos

 

01 de julho (sábado)

15h  Masterclass com Luis Ospina

17h – Autorretrato póstumo de Lorenzo Jaramillo (1993), de Luis Ospina, 9 min. Livre + Nosso filme (1993), de Luis Ospina, 96 min. 16 anos.

19h – A mansão de Araucaima (1986), de Carlos Mayolo, 85 min. 16 anos

 

02 de julho (domingo)

15h – Experimentações em filme e vídeo & História(s) do Cinema – Ato de fé (Redux) (1970/2017), de Luis Ospina, 17 min. 14 anos + Monserrate (1970), de Carlos Mayolo e Jorge Silva, 6 min. Livre + Autorretrato (Dormido) (1971), de Luis Ospina, 3 min. Livre + O bombardeio de Washington (1972), de Luis Ospina, 1 min. Livre+ Capítulo 66 (1994), de Luis Ospina e Raúl Ruiz, 25 min. 12 anos + Vídeo (B)art(h)es (2003), de Luis Ospina, 55 min. Livre

16h30 – Retratos de Cali & Documentário, Documentira – Adeus a Cali! (1990), de Luis Ospina, 50 min. Livre

18h – Documentário, Documentira – Mucho gusto (1997), de Luis Ospina, 138 min. 16 anos

 

04 de julho (terça-feira)

15h – Documentário, Documentira & História(s) do Cinema – Tudo começou pelo fim (2015), de Luis Ospina, 208 min. Livre

19h – Bate-papo entre Luis Ospina e João Moreira Salles

 

05 de julho (quarta-feira)

15h – Documentário, Documentira – Um tigre de papel (2007), de Luis Ospina, 114 min. Livre

17h30- Asunción (1975), de Luis Ospina e Carlos Mayolo, 15 min. Livre + Pela manhã (1979), de Bellien Maarschalk e Patricia Restrepo, 8 min. Livre + Momentos de um domingo (1987), de Patricia Restrepo, 24 min. Livre.

18h30 – Bate-papo entre Luis Ospina e Sandra Kogut

 

06 de julho (quinta-feira)

15h – Puro sangue (1982), de Luis Ospina, 98 min. 16 anos.

17h – Minicurso Revoluções no cinema colombiano – Sobre o Gótico Tropical, com Marc Berdet

19h – Carne de sua carne (1983), de Carlos Mayolo, 94 min. 16 anos

 

07 de julho (sexta-feira)

15h – O desassossego supremo: retrato incessante de Fernando Vallejo (2003), de Luis Ospina, 90 min. 14 anos

17h – Minicurso Revoluções no cinema colombiano – O cinema colombiano nos anos 1960 e 1970: conjuntura e estética, com Fabián Núñez

19h – Andrés Caicedo: uns poucos bons amigos (1986), de Luis Ospina, 86 min. 16 anos

 

08 de julho (sábado)

15h – Arte-são quadra a quadra (1988), de Luis Ospina, 25 min. Livre + Câmera ardente (1990-1991), de Luis Ospina,  50 min. Livre.

17h – Ato de fé (Redux) (1970/2017), de Luis Ospina, 17 min. 14 anos + Monserrate (1970), de Carlos Mayolo e Jorge Silva, 6 min. Livre + Autorretrato (dormido)(1971), de Luis Ospina, 3 min. Livre + O bombardeio de Washington (1972), de Luis Ospina, 1 min. Livre + Capítulo 66 (1994), de Luis Ospina e Raúl Ruiz, 25 min. 12 anos + Vídeo (B)art(h)es (2003), de Luis Ospina, 3 min. Livre.

18h30 – Sopro de vida, (1999), de Luis Ospina, 110 min. 16 anos

 

09 de julho (domingo)

15h – Autorretrato póstumo de Lorenzo Jaramillo (1993), de Luis Ospina, 9 min. Livre + Nosso filme (1993), de Luis Ospina, 96 min. 16 anos. Total 105 min

17h – Retratos de Cali & Documentário, Documentira – Ouça Veja (1972), de Luis Ospina e Carlos Mayolo, 27 min. Livre + Cali: de película (1973), de Luis Ospina e Carlos Mayolo, 14 min. Livre + Agarrando pueblo (1978), de Luis Ospina e Carlos Mayolo, 27 min. Livre + Olho e vista: periga a vida do artista (1987), de Luis Ospina,  26 min. Livre.       

19h – Antonio María Valencia: música de câmara (1987), de Luis Ospina, 87 min. Livre

 

Serviço:

Mostra A Caliwood de Luis Ospina: Cinema colombiano de vanguarda

Local: CAIXA Cultural Rio de Janeiro – Cinema 1

Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro (estação Carioca do metrô)

Telefone: (21) 3980 3815

Data: 27 de junho a 09 de julho (terça-feira a domingo)

Horários: Consultar Programação

Ingressos: R$ 4 (inteira) e R$ 2 (meia). Além dos casos previstos em lei, clientes CAIXA pagam meia. Obs.:A masterclass, o minicurso e a sessão de abertura são gratuitos.

Lotação: 78 lugares (mais 3 para cadeirantes)

Bilheteria: terça-feira a domingo, das 10h às 20h

Classificação indicativa: Consultar Programação

Acesso para pessoas com deficiência

Patrocínio: Caixa Econômica Federal e Governo Federal

 

Sitewww.caliwood.com.br

Facebookhttp://fb.me/mostracaliwood

Realização: Buena Onda Produções

Produção local: Buendía Filmes

Apoio: Consulado Geral da Colômbia em São Paulo, Embaixada da Colômbia no Brasil, eComunica e Bistrô do Paço.

 

Minicurso Revoluções do cinema colombiano

29 de junho (quinta-feira)

17h – Documentário, documentira

Consuelo Lins fará uma análise dos falsos-documentários de Ospina, abordando principalmente Agarrando pueblo.

 

6 de julho (quinta-feira)

17h – Sobre o Gótico Tropical

Marc Berdet explorará as características do Gótico Tropical.

 

7 de julho (sexta-feira)

17h – O cinema colombiano nos anos 1960 e 1970: conjuntura e estética

Fabián Núñez focará na relação entre a cinematografia de Ospina e o contexto colombiano mais amplo.

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