Mostra Aventura Antonioni

Aula magna com o crítico e historiador italiano Adriano Aprà sábado, 13 de maio, às 18h, entrada franca

Michelangelo Antonioni no Set de O Passageiro, Profissão Repórter
Michelangelo Antonioni no Set de O Passageiro, Profissão Repórter

A retrospectiva Aventura Antonioni, que apresenta no CCBB Rio de Janeiro, até 22 de maio, 34 filmes do diretor, roteirista e produtor italiano Michelangelo Antonioni, promove no próximo sábado, 13 de maio, às 18h, a aula magna Antonioni overground com o crítico e historiador italiano Adriano Aprà. A entrada para a aula é franca e as senhas serão distribuídas a partir das 17h. Antes da aula, às 15h30, será exibido O Passageiro: Profissão Repórter (1975), com Jack Nicholson e Maria Schneider. A mostra conta com o com apoio do Instituto Italiano do Rio de Janeiro e patrocínio do Banco do Brasil.

Aprà é um dos maiores historiadores do cinema italiano e um dos nomes fundamentais da crítica européia desde os anos 70. Colaborador da revista Filmcritica e cofundador de Cinema e Film, dirigiu os festivais de cinema de Salsomaggiore (nos anos 70 e 80) e de Pesaro (na década de 90) e a Cineteca Nazionale, em Roma, entre 1998 e 2002.  Editou livros de cineastas como Jean-Luc Godard, Jean-Marie Straub, Roberto Rossellini  e Michelangelo Antonioni. Aprà também foi professor de História do Cinema Italiano na Università di Roma Tor Vergata, entre os anos 2002 e 2008. Em 2015, apresentou na Cinemateca Portuguesa o ciclo Histórias do Cinema, onde comentou uma seleção de cinco filmes de Michelangelo Antonioni.

Além da aula magna, Adriano Aprà tem outra participação importante em Aventura Antonioni – ele editou o livro-catálogo da mostra, com filmografia comentada, fotos, ensaios e entrevistas.

A mostra Aventura Antonioni exibe, em película 35 mm ou em digital, desde os poucos vistos documentários de curta-metragem dirigidos por Antonioni até as suas colaborações finais com cineastas como Wim Wenders, Steven Soderbergh e Wong Kar-Wai, passando pela fase mais conhecida, de obras-primas como a “trilogia da incomunicabilidade” (A Aventura, A Noite e O Eclipse), Deserto Rosso – O Dilema de uma Vida, Blow-Up – Depois Daquele Beijo, Zabriskie Point e Passageiro: Profissão: Repórter.

O curador Paulo Ricardo Gonçalves de Almeida selecionou também alguns títulos nos quais Antonioni assinou como roteirista – Um Piloto Retorna, de Roberto Rossellini, e Abismo de Um Sonho, de Federico Fellini, que foi inspirado no curta L’amorosa Menzogna, de Antonioni -, e assistente de direção – Trágica Perseguição, de Giuseppe De Santis, e Tempestade, de Alberto Lattuada, no qual dirigiu as cenas de interiores. E ainda alguns filmes que homenageiam o cineasta, como Antonioni-Hitchcock: A Imagem em Fuga, de Júlio Bressane, e os documentários Faire un Film Pour Moi C’Est Vivre, de Enrica Antonioni, e Michelangelo Antonioni, Lo Sguardo Che Ha Cambiato Il Cinema, de Carlo Di Carlo e Sandro Lai.

A programação da mostra traz ainda, com entrada franca, uma sessão inclusiva (com closed caption e audiodescrição) de Amores na Cidade, filme em seis episódios dirigido por Antonioni, Fellini, entre outros cineastas, no dia 17 de maio, às 15h.

A trajetória de Antonioni
“Antonioni manipula as bordas mais silenciosas e indiretas da estrutura cinematográfica, tão discretamente que seus enigmas existenciais são sentidos antes que possam ser intelectualizados. O espaço negativo é tão proeminente quanto o positivo, o silêncio tão alto como o ruído, a ausência tão palpável como presença, e a passividade uma força tão potente como a ação direta. Transgredindo as leis cinematográficas não ditas, Antonioni se concentra em protagonistas femininas, mas se recusa a sentimentalizá-las ou a julgá-las moralmente, e as coloca em pé de igualdade com os outros elementos dentro do seu sistema dinâmico total, como sons ou elementos do set”, comenta o curador Paulo Ricardo Gonçalves de Almeida.

Michelangelo Antonioni (1912-2007) estudou economia na Universidade de Bolonha, onde co-fundou um grupo teatral. Enquanto se dedicava à pintura e trabalhava em diferentes posições da indústria cinematográfica, Antonioni escrevia críticas para a revista “Cinema”, editada por Vittorio Mussolini, filho do Duce, que reuniu em seus quadros a geração que iniciaria o neo-realismo após a Segunda Guerra Mundial – Giuseppe De Santis, Carlo Lizzani, Luchino Visconti, Roberto Rossellini e Federico Fellini.

Em 1947, Antonioni dirigiu seu primeiro filme, o curta-metragem documentário Gente do Pó, retrato dos pescadores do vale do Pó onde ele cresceu. Insatisfeito com os rumos neo-realistas do cinema italiano, ele dirigiu uma série de curtas documentários oblíquos e excêntricos, que revelavam seu desejo de explorar os mistérios da psique interior das personagens.

Em seu primeiro longa-metragem de ficção, Crimes da Alma, Antonioni desafiou o enredo tradicional e a expectativa do público que antecipam a dinâmica expressionista formal e emocional dentro do inovador A Aventura, que o consagrou internacionamente no Festival de Cannes de 1960, quando, em meio à vaias do público e aplausos entusiasmados de colegas artistas e cineastas, ele conquistou o Grande Prêmio do Júri.

A Aventura revelou a ambivalência controlada de Monica Vitti – que se tornaria companheira e musa de Antonionu ao longo da famosa trilogia A Aventura, A Noite e O Eclipse –, além de Deserto Rosso – O Dilema de Uma Vida que marcou outra mudança significativa no cinema de Antonioni, em direção à cor expressiva, aos protagonistas masculinos e ao trabalho com foco suave e com cortes mais rápidos.

Convidado para fazer China pelo governo chinês, Antonioni fez um passeio de quatro horas hipnotizante e sentimental pela China, que foi rejeitada pelo Partido Comunista Chinês que o encomendou. Alguns anos mais tarde, Antonioni voltou à ficção na obra-prima O Passageiro, Profissão: Repórter, uma fábula enigmática que oferece um complemento ousado para A Aventura. Além de Identificação de Uma Mulher e de O Mistério de Oberwald, em que conduziu experimentos incomuns com cor e vídeo, Antonioni encerrou sua carreira com curtas-metragens, muitos dos quais foram feitos depois que ele sofreu um acidente vascular cerebral, em 1985.

Programação – CCBB Rio de Janeiro – últimas semanas  – 12 a 22 de maio 

Sexta, 12/05

15h China”. “Chung Kuo – Cina”. De Michelangelo Antonioni (Itália, 1972). 14 anos

Com Giuseppe Rinaldi. 14 anos

Um documentário sobre a China, concentrando-se principalmente nos rostos das pessoas, filmado nas áreas onde eles eram permitidos a visitar. A versão completa consiste de três partes. A primeira parte, filmada em Beijing, inclui uma fábrica de algodão, antigas seções da cidade e uma clínica onde uma acontece uma cesariana, usando acupuntura. A parte do meio visita o canal Bandeira Vermelha e uma fazenda coletiva em Henan, assim como a velha cidade de Suzhou. A parte final mostra o porto e as indústrias de Xangai, e termina com uma apresentação de acrobatas chineses.

19h – “Zabriskie Point”.  De Michelangelo Antonioni (EUA, 1970). Com Mark Frechette, Daria Halprin, Paul Fix. 12 anos.

Um retrato épico do fim dos anos 60 na América, através de dois de seus filhos: a estudante de antropologia Daria (que está ajudando na construção de uma vila no deserto de Los Angeles) e Mark (que é procurado pelas autoridades por supostamente ter assassinado um policial durante um conflito estudantil).

Sábado, 13/05

15h30 – O Passageiro: Profissão Repórter”. “Professione: Reporter”. De Michelangelo Antonioni (Itália, 1975). Com Jack Nicholson, Maria Schneider, Jenny Runacre. 14 anos.

Um correspondente de guerra frustrado, incapaz de encontrar a guerra que lhe foi pedida, toma o caminho perigoso de roubar a identidade de um traficante de armas morto.

18h – Aula magna Antonioni overground” com o crítico e historiador italiano Adriano Aprà. Entrada franca.

Domingo, 14/05

13h – O Passageiro: Profissão Repórter”. “Professione: Reporter”. De Michelangelo Antonioni (Itália, 1975). 14 anos.

Com Jack Nicholson, Maria Schneider, Jenny Runacre. 14 anos.

Um correspondente de guerra frustrado, incapaz de encontrar a guerra que lhe foi pedida, toma o caminho perigoso de roubar a identidade de um traficante de armas morto.

16h – “Blow-Up, Depois Daquele Beijo”. “Blow-Up”. De Michelangelo Antonioni (Itália, 1966). 14 anos. Com David Hemmings, Vanessa Redgrave, Sarah Miles. 14 anos.

Um fotógrafo londrino parece encontrar algo muito suspeito nas fotografias que tirou de uma linda mulher misteriosa em um parque desolado.

18h30 – “Zabriskie Point”.  De Michelangelo Antonioni (EUA, 1970). 12 anos.

Segunda, 15/05

15h30 –  “Gente do Pó”. “Gente del Po” (Itália, 1947) + “N.U. – Nettezza Urbana” (Itália, 1948) + “L’amorosa Menzogna” (Itália, 1949) + “Superztizione” (Itália, 1949)  + “La Villa dei Mostri” (Itália, 1950) + “Sette Canne Un Vestito” (Itália, 1949) + “Vertigine” (Itália, 1950). Curtas-metragens de Michelangelo Antonioni. Livre. 

17h – Faire un Film Pour Moi C’Est Vivre”. De Enrica Antonioni (França/Itália, 1995). Com Michelangelo Antonioni, Fanny Ardant, Irène Jacob, John Malkovich. Livre.

Documentário sobre a realização do filme “Além das nuvens”.

19h – “Tempestade”. “La Tempesta”. De Alberto Lattuada (Itália, 1958). Assistente de direção: Michelangelo Antonioni. Livre. Com Silvana Mangano, Van Heflin, Viveca Lindfors. Livre.

Um jovem oficial do exército de Catarina da Rússia salva um estranho em seu caminho para o novo posto em um forte remoto. Ao chegar, uma revolta dos Cossacos locais explode e o forte é sitiado pelos rebeldes. O jovem oficial se surpreende quando descobre que o líder dos Cossacos é o estranho que ele salvou.

Quarta, 17/05

15h – “Amores na Cidade”. “L’amore in Città”. De Michelangelo Antonioni, Federico Fellini, Alberto Lattuada, Carlo Lizzani, Francesco Maselli, Dino Risi, Cesare Zavattini (Itália, 1953). Livre. Sessão inclusiva com closed caption e audiodescrição. Entrada franca.

Filme em seis episódios. Uma suicida discute seu desespero. Um salão de baile provinciano. Um repórter investigativo se fingindo de futuro marido. Uma jovem mãe solteira. Técnicas de observar mulheres dos homens italianos. Um olhar sobre a prostituição.

18h – “Ritorno a Lisca Bianca”. De Michelangelo Antonioni (Itália, 1983).  Com Gabriele Ferzetti, Monica Vitti, Lea Massari.  Vinte e três anos após “A Aventura”, Antonioni retorna à ilha de Lisca Branca. A atmosfera rarefeita do desaparecimento de Lea é relembrada por alguns excertos de áudio do filme original.

“Fotoromanza”. De Michelangelo Antonioni (Itália, 1984). Videoclipe da música Fotoromanza, de Gianna Nannini.

“Khumba Mela”. De Michelangelo Antonioni (Itália, 1989). Documentário sobre o mais importante festival Hindu da Índia, Kumbha Mela.

“Um Pò di Giappone”. De Michelangelo Antonioni (Itália, 1992). Versão reduzida do documentário Viaggio in Giappone. 

“Noto, Mandorli, Vulcano, Stromboli, Carnevale”. De Enrica Antonioni e Michelangelo Antonioni (Itália, 1993). Produzido para o pavilhão italiano na Expo Sevilha, Antonioni observa aspectos específicos da Sicília.

Livre.

19h30 – Archeologia del Set – Ritorno a Lisca Bianca”. De Enrico Ghezzi, Michele Mancini e Michelangelo Antonioni (Itália, 1983). Documentário. Antonioni retorna a Lisca Bianca, 23 anos depois das filmagens de “A Aventura”.

Quinta, 18/05

16h30 – “O Mistério de Oberwald”. “Il Mistero di Oberwald”. De Michelangelo Antonioni (Itália, 1980). Com Monica Vitti, Paolo Bonacelli, Franco Branciaroli. 14 anos.

Um homem atormentado invade o castelo em Oberwald para matar a Rainha, mas desmaia antes de fazê-lo. Ele é Sebastian, a imagem gêmea do Rei que foi assassinado no dia de seu casamento. A Rainha descobre que Sebastian escreveu um poema subversivo que ela gosta, embora a ataque. A Rainha desafia Sebastian a matá-la, ou ela promete matá-lo.

19h – “Identificação de Uma Mulher”. “Identificazione di Una Donna”. De Michelangelo Antonioni (Itália, 1982). Com Tomas Milian, Daniela Silverio, Christine Boisson. 12 anos.

O diretor Niccolo foi abandonado por sua mulher, o que lhe deu a idéia de fazer um filme sobre relacionamentos femininos. Ele começa a procurar uma mulher que possa atuar no papel principal do filme mas também em sua própria vida.

Sexta, 19/05

16h30 – “Eros”. De Michelangelo Antonioni, Steven Soderbergh, Wong Kar Wai (Itália/EUA/Hong Kong/França/Luxemburgo/Reino Unido, 2004). Com Li Gong, Chen Chang, Feng Tien. 14 anos.

Três curtas-metragens, um de cada diretor, sobre o tema do amor e sexo.

19h – “Além das Nuvens”. “Al di là delle Nuvole”. De Michelangelo Antonioni, Wim Wenders (França/Alemanha/Itália, 1995). Com Fanny Ardant, Chiara Caselli, Irène Jacob. 18 anos.

Quatro histórias curtas, ligadas por outra filmada por Wim Wenders. Com cenários em Ferrara, Portofino, Aix em Provence e Paris, cada história, que sempre tem uma mulher no centro, convida para uma viagem interior.

Sábado, 20/05

15h – Ritorno a Lisca Bianca”. De Michelangelo Antonioni (Itália, 1983)

“Fotoromanza”. De Michelangelo Antonioni (Itália, 1984).

“Khumba Mela”. De Michelangelo Antonioni (Itália, 1989).

“Um Pò di Giappone”. De Michelangelo Antonioni (Itália, 1992).

“Noto, Mandorli, Vulcano, Stromboli, Carnevale”. De Enrica Antonioni e Michelangelo Antonioni (Itália, 1993).

Livre.

16h30 – “Eros”. De Michelangelo Antonioni, Steven Soderbergh, Wong Kar Wai (Itália/EUA/Hong Kong/França/Luxemburgo/Reino Unido, 2004). 14 anos.

18h30 – “Identificação de Uma Mulher”. “Identificazione di Una Donna”. De Michelangelo Antonioni (Itália, 1982). 12 anos.

Domingo, 21/05

15h – Faire un Film Pour Moi C’Est Vivre”. De Enrica Antonioni (França/Itália, 1995). Livre.

16h30 – “Além das Nuvens”. “Al di là delle Nuvole”. De Michelangelo Antonioni, Wim Wenders (França/Alemanha/Itália, 1995). 18 anos.

18h30 – “O Mistério de Oberwald”. “Il Mistero di Oberwald”. De Michelangelo Antonioni (Itália, 1980). 14 anos.

Segunda, 22/05

17h – “12 Diretores para 12 Cidades”. “12 Registi per 12 Città”. De Michelangelo Antonioni, Bernardo Bertolucci, Giuseppe Bertolucci, Mauro Bolognini, Alberto Lattuada, Carlo Lizzani, Mario Monicelli, Ermanno Olmi, Gillo Pontecorvo, Francesco Rosi, Mario Soldati, Lina Wertmüller, Franco Zeffirelli (Itália, 1989). Livre.

19h – Archeologia del Set – Ritorno a Lisca Bianca”. De Enrico Ghezzi, Michele Mancini e Michelangelo Antonioni (Itália, 1983). Documentário. Antonioni retorna a Lisca Bianca, 23 anos depois das filmagens de “A Aventura”.

Aventura Antonioni

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Patrocínio: Banco do Brasil

Curadoria: Paulo Ricardo Gonçalves de Almeida

Produção: Voa Comunicação e Cultura

Realização: Centro Cultural Banco do Brasil

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