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julho 22, 2019
Teatro & Dança

Monólogo “Arap”, com Elias Andreato, aporta no Clube Manouche, com lançamento de sua biografia

O ator Elias Andreato apresentará no Clube Manouche, nos dias 18 e 19 de junho, terça e quarta, o monólogo “Arap”, em homenagem ao ator Fauzi Arap, que deixou a cena no auge para dar espaço ao grande diretor. Nestas duas noites será também lançada no Rio de Janeiro a sua biografia Elias Andreato, A Máscara do Improvável“, escrita pelo jornalista paulista Dirceu Alves Jr, que estará presente.

O espetáculo mostra a preparação do personagem e de como o artista usa o seu ofício para questionar o seu tempo através da dramaturgia e pensamentos, colocando a arte e a educação como caminho de grandeza para que uma nação exista plena e fortaleça a sua democracia. O espetáculo também investiga o papel da palavra no processo terapêutico, ao lado da importância da arte, no mesmo processo.

Mais do que nunca é preciso pensar para transformar o nosso tempo. O teatro dá aos homens a ternura humana. Ele é a expressão mais verdadeira e viva de uma civilização. Toda vez que um ator pisa num palco, ele perpetua sua paixão e oferece o seu coração, para que possamos suportar o que temos de mais monstruoso e de mais belo. É assim, que nos tornamos artistas soberanos.

Elias Andreato afirma que seu novo projeto é “uma reflexão sobre o nosso ofício e uma declaração de amor ao Teatro. Escrever para mim mesmo, numa postura alquímica de transformação, é tudo que me resta e prezo de verdade. Quem sabe, o subproduto dessa empreitada poderá no futuro, ser útil não só a mim. Mas o que importa é abrir espaço contra a inércia que me vinha dominando”, completa.

Fauzi Arap – Meu Mestre do Encantamento
Por Elias Andreato

Você descerrou a cortina das minhas retinas revelando segredos…

E como numa longa viagem de regressão… Fui conduzido ao universo místico do teatro… Como uma deliciosa brincadeira entre “Mocinhos e Bandidos”.

Suas palavras imantadas… Num inesquecível poema… Me revelaram um “Ponto de Luz”.

Guardo também a lembrança da sua “Rosa dos Ventos” que provocou minha juventude… Inundando de amor meu coração nas águas profundas do “Mare Nostrum” e foi assim que eu passei a viver o meu grande “Amor do Não”.

Hoje sei que só os poetas… Loucos e enfermos de alma podem brilhar tanto… É para iluminar nosso planeta toda vez que se abre um “Pano de Boca”.

QUEM FOI FAUZI ARAP
Nascido em 29 de janeiro de 1938. Formado em engenharia civil pela Escola Politécnica da USP. Autor e diretor em atividade desde 1961, tendo participado como ator dos grupos Oficina e Arena, naquela década.

Como ator, foi dirigido por Augusto Boal, Zé Celso e Antônio Abujamra, em peças de autores como Gorki, Pinter, Bráulio Pedroso, Boal, Max Frisch, Benedito Ruy Barbosa, entre outros.

Em 1967 estreia como diretor profissional, na montagem de “Navalha na Carne”, de Plínio Marcos, na versão carioca produzida por Tônia Carrero. No mesmo ano dirige seu primeiro show com Maria Bethânia, inaugurando uma parceria que se prolonga até os dias de hoje, e que deu a luz a vários shows memoráveis como “Rosa dos Ventos”, “A Cena Muda” e “Pássaro da Manhã”. Suas direções mais importantes, na década de 60, foram de autores brasileiros como Plínio Marcos, José Vicente e Antônio Bivar, que faziam parte da chamada nova dramaturgia. Na década de 70, estreia como autor, com “Pano de Boca”, e passa uma temporada dirigindo apenas seus próprios textos: “O Amor do Não”, “Um Ponto de Luz”, “Às Margens da Ipiranga”, entre outros. Em 86, dirige Zeno Wilde, “Uma Lição Longe Demais”, com Gabriela Rabelo, e “Rua Dez”, de Nery Gomide. No final da década de 80 cria o projeto “Rosa dos Ventos” que ocupou o Teatro Eugênio Kusnet por dois anos e conseguiu recuperar aquele espaço com encenações, leituras e shows de música popular. O projeto mereceu o Grande Prêmio da Crítica, da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA), e lançou a autora Noemi Marinho, com “Fulaninha e Dona Coisa”, seu texto de estreia. Também na década de 80, coordenou o seminário permanente de dramaturgia da APART (Associação Paulista de Autores Teatrais).

Seus trabalhos mais recentes, nos anos 90, incluem as direções de “Adorável Desgraçada”, de Leilah Assumpção, “Perdidos na Praia”, de Leo Lama, “A Quarta Estação”, de Israel Horowitz, “Caixa Dois”, de Juca de Oliveira, “Santidade”, de José Vicente, e os shows de lançamento dos discos “Âmbar” e “A Força que Nunca Seca”, ambos de Maria Bethânia. Também publicou em 98 o livro “Mare Nostrum”, pela Editora Senac, relato autobiográfico em torno de suas experiências lisérgicas, vividas nas décadas de sessenta e setenta.

Entre os atores que dirigiu se incluem Tônia Carrero, Juca de Oliveira, Denise Fraga, Rubens Correia, Paulo Autran, Jardel Filho, Walderez de Barros, Cecil Thiré, Bruna Lombardi, Nelson Xavier, Paulo Cesar Pereio, Odete Lara, Carlos Alberto Riccelli, Francisco Cuoco, Celia Helena, Nuno Leal Maia, Denise Stocklos, Walmor Chagas e Marcos Palmeira, entre outros. Na área de shows, além de Bethânia, dirigiu Gonzaguinha, as cantoras Marília Medalha e Jane Duboc, e também, ao lado de Hermínio Bello de Carvalho, a cantora Marlene.

Seus prêmios incluem dois “Moliere”, como autor, (nos anos 77 e 88), mais inúmeros prêmios Shell, Mambembe, Apetesp, e APCA como diretor e autor. Pelas direções “Santidade” e “Caixa Dois”, em 97, recebeu os prêmios Shell e Apetesp de melhor direção e os dois espetáculos também empataram como “melhores do ano” na votação do premio Apetesp, na categoria. Em 2007, recebeu o premio de melhor autor com a peça “Chorinho”, seu texto mais recente. Foi premiado com o “Saci” (que era concedido pelo Jornal O Estado de São Paulo, na década de sessenta) em sua estreia como ator, em 61, como melhor coadjuvante masculino. 

Ficha Técnica:
Roteiro, direção e atuação: Elias Andreato
Trilha:  Rafael Gama
Desenho de luz: Eder Soares
Projeto gráfico: Rodrigo Bognar
Fotos: João Caldas

Biografia

“Elias Andreato, A Máscara do Improvável” revela a trajetória de um artista que há quase cinco décadas subverte a vida em nome do teatro

A biografia, escrita pelo jornalista Dirceu Alves Jr., conta como o garoto criado em cortiços se tornou um representativo ator e diretor e protagonizou histórias pessoais ao lado do ator Paulo Autran e da cantora Maria Bethânia

O ator e diretor Elias Andreato, de 64 anos, é bastante conhecido no meio teatral. O que poucos sabem são as trilhas percorridas para que o sonho de ser artista se convertesse em realidade. A biografia “Elias Andreato, A Máscara do Improvável” (Editora Humana Letra, R$ 39,00), que tem prefácio da jornalista e atriz Marília Gabriela, mostra que a infância pobre, a frágil formação cultural e os golpes do destino pregados até hoje não impediram o artista de testemunhar e protagonizar importantes passagens do teatro brasileiro e ganhar dois prêmios Shell de melhor ator.

Em 1975, o jovem Elias foi camareiro e contra-regra de Antonio Fagundes. Depois, técnico, assistente de palco e operador de luz da companhia de teatro liderada por Renato Borghi, responsável por sua profissionalização como ator e com quem manteria um relacionamento de quase 10 anos. Elias Andreato ganhou reconhecimento com monólogos em que interpretou o pintor Vincent Van Gogh e o escritor Oscar Wilde na década de 1990. Para o ator Paulo Autran (1922-2007), dirigiu as peças “Visitando o Senhor Green” (2000) e “Adivinha Quem Vem Para Rezar” (2005), além de dividir o palco com o célebre intérprete na comédia “O Avarento” (2006), seu último trabalho.

Responsável por despertar a paixão pela arte em Elias, a cantora Maria Bethânia também é personagem importante do livro. Em 1972, o garoto de 17 anos pisou pela primeira vez em um teatro para ver o show “Rosa dos Ventos”.Passados 25 anos, em uma sessão de Oscar Wilde, Bethânia o aplaudiu e, ali, nasceu uma amizade que ganhou os palcos em 2010. A cantora convidou Andreato para dirigir o recital “Bethânia e as Palavras”.

Aos 64 anos, Elias Andreato tem seu nome associado a mais de uma centena de espetáculos e recebeu os principais prêmios do teatro brasileiro. Com esporádicas passagens pela TV e pelo cinema, o artista fez do palco sua prioridade e, nos últimos anos, dirigiu espetáculos com os atores Irene Ravache, Dan Stulbach, Juca de Oliveira, Ary Fontoura e Ana Lucia Torre, além de atuar em peças de Jorge Takla e Gabriel Villela.

Sobre o autor:

Dirceu Alves Jr. nasceu em Porto Alegre e vive em São Paulo desde 2002. Formado em jornalista pela PUC-RS, trabalhou no jornal Zero Hora, na revista IstoÉ Gente, colaborou para Bravo!, Claudia e Viagem e Turismo e, desde 2007, é crítico de teatro de Veja São Paulo.

Serviço
Espetáculo: “Arap”, com Elias Andreato
Lançamento do livro: “Elias Andreato, A Máscara do Improvável”, de Dirceu Alves Jr.
Local: Clube Manouche/Casa Camolese (Rua Jardim Botânico, 983, Jardim Botânico, Tel: 3514-8200)
Data e horário: 18 e 19 de junho, terça e quarta, 21h
Ingressos: R$ 60,00 (inteira), R$ 45,00 (com 1 kg de alimento não perecível) e R$ 30,00 (meia) www.eventim.com.br
Duração: 60 minutos
Classificação: Livre
Estacionamento no local (tarifado)

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