“Martírio dos Ratos” no CCJF

"Martírios dos Ratos", de Iremar Brito, retrata o sofrimento do homem ao perder sua liberdade

Martírio dos Ratos (foto: Thais Duarte)
Martírio dos Ratos (foto: Thais Duarte)

De 16 de março a 04 de maio, o PORTÔ – Coletivo de Arte apresenta, no Centro Cultural Justiça Federal, o drama “Martírio dos Ratos”, com sessões quartas e quintas sempre às 19h. Escrito nos anos 70, no auge da ditadura militar no Brasil, e censurado em seguida, a montagem, discute, através de metáforas, o desespero do homem diante o seu aprisionamento e as consequências drásticas, de caráter e valores, ocasionadas pela privação de liberdade.

A tomada do poder pelos ratos, que emergem dos bueiros à superfície da terra, e a luta pela sobrevivência dos dois últimos humanos vivos, subjugados, trancafiados em uma lixeira e duelando entre si e consigo mesmos, guiam a narrativa do autor, Iremar Brito, que trouxe para o seu texto a vivência de um período da história marcado pela repressão e tortura.

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“Quando escrevi O Martírio dos Ratos estava concluindo o curso de Direção Teatral na Escola de Teatro da FEFIERJ (hoje, UNIRIO), em 1974. Esse texto surgiu numa época em que a arte brasileira era dominada pela censura da ditadura. Assim, os textos teatrais, especificamente, buscavam diferentes caminhos para discutir suas ideias e fugir da proibição. Um desses caminhos foi à intensificação das metáforas como elementos da narrativa”, afirma Iremar Brito, dramaturgo e autor, dentre outras obras, de “Com a faca na alma e outros dramas”, livro que reúne onze peças teatrais publicadas por ele, incluindo “Martírio dos Ratos”. Perseguido e preso durante o regime militar, Brito possui uma produção dramatúrgica e literária singular, provocativa.

Com uma encenação apoiada no teatro físico, Wanderson Rosceno e Luan de Almeida assinam a direção do espetáculo e dão vida aos personagens Ney e Ray – aprisionados pelos ratos numa lixeira de onde precisam desesperadamente se libertar. 

A trilha sonora dirigida por Fernando Katullo, é inspirada nos experimentos e conceitos desenvolvidos na década de 50, pelos compositores John Cage, Pierre Schaeffer e Pierre Boulez, acerca do silêncio e do ruído, a música concreta e a música aleatória. O cenário de, Renê Salazar, traz no teto, um redemoinho de lixo, espiralado como uma cadeia de DNA, que submete as abjetas criaturas a uma condição inelutável de detrito, em cuja intimidade a sujeira esta impressa. No solo, uma lixeira funciona como a casa-abrigo de um mundo corrompido por ratos e seres humanos entrelaçados em uma rede de colaboração sórdida.

“Martírio dos Ratos”, idealizado em março de 2014, a partir da criação de um Núcleo de Pesquisa da Fisicalidade do Ator, teve sua montagem viabilizada pelo Programa de Fomento às Artes da Prefeitura do Rio de Janeiro 2016, sendo parte do seu processo de construção realizado no formato work in progress nas arenas cariocas e na UNIRIO. Agora, faz sua temporada de estreia nos palcos cariocas.

SINOPSE
Martírio dos Ratos é uma das onze peças teatrais publicadas no livro “Com a faca na alma e outros dramas”, do autor Iremar Brito. Escrita nos anos 70, censurada na ditadura militar, revela uma guerra instaurada entre homens e ratos. Derrotados e subjugados, os homens passam a viver em lixeiras. O encontro de Ney e Ray revela o desespero do aprisionamento e as consequências trágicas da falta de liberdade

SERVIÇO

MARTÍRIO DOS RATOS
Gênero: drama
Temporada: 16 de março a 04 de maio, quartas e quintas, às 19h
Local: Centro Cultural da Justiça Federal – CCJF – 
Endereço: Av. Rio Branco, 241 – Centro, Rio de Janeiro 
Duração: 80min
Ingresso: Inteira R$ 20,00 | Meia R$ 10,00
Capacidade: 141 lugares
Faixa etária: 16 anos 

FICHA TÉCNICA
Texto: Iremar Brito
Direção e atuação: Wanderson Rosceno e Luan de Almeida\ 
Direção musical: Fernando Katullo
Direção de movimento: Rodrigo Gondim
Cenário: Renê Salazar
Figurino: Júlia Reis
Iluminação: Rommel Equer
Preparação corporal: Jhonny Erik
Vídeo e Fotografia: Thais Duarte e Taisa Martins
Programação visual: Leonardo Miranda
Produção: Anderson Pereira
Realização: PORTÔ – Coletivo de Arte

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