Manada

Manada (foto: Pablo Henriques)
Manada (foto: Pablo Henriques)

Um espaço vazio. Nele, só atores e suas memórias. Suas confissões. A infância é o ponto de partida. O início. Era uma vez. Aqui, contos de fadas ganham outros contextos. Eles são revelados em suas versões não açucaradas. E também servem como pano de fundo para que histórias reais emerjam. Assim é Manada, que cumpre curta temporada a partir do dia 27 de maio no Galpão Gamboa.

O espetáculo foi criado a partir de memórias pessoais dos jovens atores formandos da CAL, tendo como ponto de partida recordações da infância, relação com os pais, irmãos, parentes, descoberta da sexualidade, afetos e desafetos, perigos, traumas, recalques, perdas dessa fase inicial de suas vidas. Os contos de fadas, em suas versões menos açucaradas, foram lidos, consultados, e nos serviram de base para criação de uma linguagem. O texto foi elaborado pelos atores com supervisão do diretor Marcelo Morato e, em muitos casos, a própria linguagem cênica se formou com colaboração maciça dos atores-criadores. A peça é formada por cenas independentes, com fragmentos de relatos pessoais colhidos durante os ensaios, histórias criadas pelos alunos onde suas memórias são contadas em formato de contos de fadas, canções que foram importantes para eles, contos de fadas que são revisitados e apresentados de forma concisa e poética, dando relevo mais aos afetos do que à linearidade das histórias. “O espetáculo é rico em imagens e sensações, apresentando com emoção e humor as lembranças desses alunos formandos. O objetivo é revisitar essas recordações, transformando-as, e levando a uma nova compreensão e ao perdão”, explica o diretor.

O palco nu é proposital para destacar a presença dos atores que ficam quase todo o tempo em cena. O piso cor de cereja, avermelhado, poucos objetos, alguns recursos cênicos envolvendo artes plásticas (um ator pinta rusticamente uma tela em cena), teatro de sombras (outro ator usa esse recurso para contar sua história), performance com tecido (um ator usa um tecido para criar formas do seu corpo contra o pano esticado) e com plástico (atores dentro de bolhas de plástico), manipulação de miniaturas representando personagens, são alguns dos recursos usados no espetáculo que tem também algumas músicas tocadas ao vivo, com atores usando gaita, instrumentos percussivos e violão.

FICHA TÉCNICA:

Texto: Processo colaborativo de criação cênica, a partir de lembranças de infância dos alunos formandos da Faculdade CAL, sob orientação do diretor Marcelo Morato

Iluminação – Renato Machado e Mauricio Fuziyama

Direção de Arte (Cenário e Figurinos) – Adriano Ferreira

Trilha Sonora – Joel Tavares e Turma Bt15

Assistentes de Direção – Joel Tavares e Thais Milliano

Preparação corporal – Marina Salomon

Preparação vocal – Rose Gonçalves

Elenco: Alan Arievilo, Alessanndro Salguero, Amanda Wanderley, Bruno Bicarios, Carol Gates, Carolina Kezen, César Cardadeiro, Cinthia Nunes, Daniel Dalcin, Debora Nunes, Félix Boisson, Giovana Cordeiro, Gustavo Vasconcelos, João Vitor Fontenele, John Nova, Luiz Felipe Leprevost, Luthy Fernandes, Myriam Vasconcelos, Nathália Sant’Ana, Renan Fidalgo, Tiago Fonseca, Victor Tempone e Yohana Nazzari.

SERVIÇO:

Temporada: Galpão das Artes – Rua da Gamboa, 279 – Gamboa – Tel.: 2516- 5929 e 98460-1350. Dias 27, 28 e 29 de maio e 3, 4 e 5 de junho às 20h; sessão extra às 17h no dia 3 de junho, sábado. Preço: 20,00, 10,00 e 5,00 (para a comunidade próxima ao Galpão). Classificação etária: 16 anos. Lotação do teatro: 86 lugares

 

  • Geovana Ribeiro

    Relatos, Lagrimas e Risos… Riqueza de detalhes a ser admirados! Sai dali cheia … Acredita que até agora eu não tenha saído dali… Claramente esta peça precisa ganhar outros palcos, outros públicos outras almas. “Manada”