Logan: uma história independente com clima de quadrinhos

Todo fã de quadrinho dos queridos mutantes X-Men sabe que a sua história cinematográfica é uma montanha russa. Alguns filmes como “X-Men: Primeira Classe (2011)” e “X-Men 2 (2003)” são considerados bons, enquanto outros como “X-Men: o confronto final (2006)” e “X-Men origens: Wolverine” (2009) se tornaram alvos de revolta do público em geral.

“Logan” (2017), escrito e dirigido por James Mangold (Garota Interrompida, Johnny e June) é um filme diferente de todos do universo mutante da FOX. Seguindo a linha adulta do ótimo “Deadpool” (2016), a obra mostra uma história sombria e violenta, retratando com fidelidade a essência dos quadrinhos clássicos do amado baixinho (no cinema nem tão baixinho assim).

A história do longa se passa em 2029. Não existem mais mutantes nascendo e os que restaram estão espalhados pelo globo. Como a Fox é confusa em relação à cronologia, não se sabe se é passado em uma realidade alternativa ou após os eventos de “X-Men: Apocalipse (2016). Logan (Hugh Jackman) agora é um motorista particular e evita qualquer tipo de envolvimento com causas mutantes. Ele cuida em segredo do idoso professor Charles Xavier (Patrick Stewart), que aparentemente apresentou problemas mentais, sendo considerado uma arma de destruição em massa ambulante.

No início da trama, a mutante Laura/X-23 (Dafne Keen) aparece, perseguida por agentes de uma empresa genética liderados por Pierce (Boyd Holbrook) e cabe ao restante da formação dos X-Men transporta-la até um suposto refúgio chamado Eden. A partir desse momento, começa uma perseguição pelos Estados Unidos, na qual os mercenários buscam a qualquer custo aniquiliar a pequena mutante.

Vale alertar que é um filme com classificação etária para 18 anos, sendo bastante violento. Não há censura e a todo momento aparecem cabeças voando, empaladas, braços cortados e sangue, muito sangue. As cenas de ação são espetaculares e pode-se dizer que em muitos aspectos superam a cena da luta no aeroporto em “Guerra Civil” (2016), pois as pancadas realmente parecem possuir peso e impacto. Destaque para pequena X-23, que rouba a cena com sua violência e selvageria, superando inclusive o protagonista.

A direção de arte e fotografia são excelentes, proporcionando uma atmosfera sombria e depressiva em quase todo o longa. Certas cenas parecem tiradas da nova revista da Marvel, chamada “Old Man Logan”. Talvez seja um dos filmes de hérois mais bonitos, pois evita cenas fantasiosas e coloca os mutantes em um ambiente real. A trilha sonora é espetacular, possivelmente a segunda melhor já feita pra esse gênero (Guardiões da Galáxia ainda é insuperável). Vale a pena comprar e escutar em casa. Spoiler: tem Johnny Cash.

A crítica negativa vai para a falta de um vilão realmente ameaçador, que parece ser fato recorrente nos filmes de hérois atuais. Outro problema é o ritmo lento em alguns momentos, deixando o espectador um pouco sonolento. Porém nada que chegue a tirar os méritos da obra.

“Logan” não é o melhor filme de hérois já feito, porém pode-se afirmar que é o melhor filme de mutantes. Com uma atmosfera e história envolventes e ótimas cenas de ação e violência, a obra é a que mais se aproxima de transmitir o clima das revistas em quadrinhos para a grande tela. Recomendadíssimo.

Ficha Técnica:
Ano: 2017
Título: Logan
Título original: Logan
Roteiro: James Mangold, Scott Frank
Direção: James Mangold
Elenco (principais):  Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne Keen, Boyd Holbrook

Patrick “Rick” Ribeiro – Arquivista nas horas vagas. Viciado em Games, Cinema, Séries de TV e Livros. Escreve sobre games aqui pois acha que são a maior sopa cultural de todas.