Home Livros Autoras transformam poesia em “Fio de corte”

Autoras transformam poesia em “Fio de corte”

por Jorge Rodrigues
Angela Brandão, Lucelena Ferreira e Ilana Eleá

O livro de poemas “Fio de corte” será lançado nesta quinta-feira (13), às 19h, na Travessa de Ipanema, pelas autoras Angela Brandão, Ilana Eleá e Lucelena Ferreira. Os versos retratam a sexualidade, o amor, a intimidade, os filhos, a maturidade e o confinamento, por um olhar feminino de ruptura com padrões de gênero. Elas moram no Chile, Suécia e Brasil, respectivamente, e contam que os textos foram apresentados e transformados em conjunto, via internet, no processo criativo. São 114 páginas publicadas pela editora 7Letras.

A crítica literária Heloisa Buarque de Hollanda aprova o resultado, na contracapa:

“Gostei muito mesmo. É um livro seguro, que desliza liquidamente e com firmeza do início ao fim. As três autoras têm grande afinidade, e é interessante ver as similaridades e diferenças entre elas ao correr da leitura. Por outro lado, essa dicção que enxergo nos textos me chama a atenção porque é uma forma bem nova e pessoal de ‘olhar para dentro para ver o que está fora’, que se sintoniza e, ao mesmo tempo, se distancia da poesia feminista recente. Os temas de ‘Fio de corte’ tratam da mulher de hoje, mas o tom é intimista. Entre o corpo e a alma parece não haver descontinuidade. É muito bom, na minha idade, ver que as minas, cada uma de seu jeito, estão pisando no acelerador. Bom demais.”

Felizes com a boa aceitação, as autoras reforçam que “Fio de corte” não são três livros escritos separadamente e reunidos sob um mesmo título. Conectadas em um grupo on line, as três trocaram ideias e experiências durante a feitura do livro. Foi um processo de criação conjunta. “A sintonia foi grande desde os primeiros encontros. O livro fala muito da perspectiva feminina no mundo machista, e foi pensado e tocado a seis mãos, como num concerto”, resume Lucelena, que uniu Angela e Ilana para o projeto.

Fotos antigas de mulheres inspiradoras e fortes saíram dos álbuns de família das poetas para ilustrar a abertura das três partes de “Fio de corte”. Estão lá a bisavó de Angela, a avó de Ilana e a mãe de Lucelena, antes dos poemas de cada uma. “Crescemos ouvindo mais as histórias sobre os homens da casa do que sobre elas. Com o livro, fomos nos reaproximando dessas matriarcas. A cadeia de transmissão não termina. Também somos mães de mulheres”, diz Angela.

Ela conta que o encontro das três por meio da poesia trouxe novos ares durante o isolamento: “No meu caso, esse diálogo poético ocorreu em meio à aridez de um cotidiano de completo confinamento. E o ambiente de afeto que estabelecemos permitiu que as fragilidades daquele momento delicado emergissem nos versos, de forma íntima, desencapada”, completa.

Para Ilana, o livro é um convite ao diálogo, com mulheres falando com mulheres e com quem mais quiser chegar. “É uma conversa aberta. Na minha literatura erótica, falo da desconstrução do amor romântico entre pares, da abertura do casamento monogâmico, da ampliação de possibilidades nos relacionamentos. Tem espaço também para escrever sobre o gozo, sobre a vaidade que aprisiona, além da violência cotidiana contra a mulher”, detalha Ilana, que conta ter na família uma bisavó vítima de feminicídio.

Doutora em Comunicação pela PUC-Chile, Angela Brandão é jornalista, escritora, compositora de MPB e tradutora. Em 2008, lançou o primeiro disco autoral, hoje nas plataformas digitais. Em 2015, publicou o primeiro livro, “Quarentena amorosa”, sobre separações, que foi lançado simultaneamente no Brasil (Sextante) e no Chile (Planeta), chegando à lista dos mais vendidos por lá. Atualmente, Angela mora no Chile, tem dois filhos e trabalha como tradutora.

Ilana Eleá é autora de “Encontros de neve e sol” (e-galáxia), “Poemas acesos” (publicação bilíngue português italiano pela Patuá, com tradução de Giacomo Falconi) e “Emma e o sexo” (primeiro volume de trilogia erótica publicado pela e-galáxia e em audiolivro pela Pop Stories). É doutora em Educação pela PUC-Rio e mora na Suécia desde 2011. Pela biblioteca infantil que abriu ao público no jardim de casa em Estocolmo, a Bibliotek Barnstugan, ganhou um prêmio local. Membro do Mulherio das Letras na Europa, Ilana está presente em antologias poéticas organizadas pelo movimento. Hoje, estuda Sexologia, na Universidade de Malmö, enquanto finaliza o segundo volume de “Emma”.

Lucelena Ferreira é escritora, professora e pesquisadora. Seu primeiro livro de poesia, “Inquietudes”, foi bem recebido. É doutora em Letras e em Educação pela PUC-Rio e pela École des Hautes Études en Sciences Sociales, de Paris. Foi pesquisadora da Cátedra Unesco de Leitura PUC-Rio. É autora premiada pela Fundação do Livro Infantil e Juvenil, na categoria Livro Teórico, com “Por que ler?”. Em 2019, publicou “Mulheres na liderança” (na segunda edição, pela Matrix Editora). Ainda este ano, será lançado o infantil “Bela e o balé”. Nas redes sociais, as três autoras dão uma palhinha da poesia do “Fio de corte”. Vale a busca.

Matérias relacionadas

Deixe um comentário