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Amigos para sempre

Peça escrita por Tônia Carrero e por Luís Artur Nunes, encenada entre 1996 e 2000, sai em livro que celebra os 70 anos de carreira da saudosa atriz. A edição, pela Ibis Libris, é enriquecida com fotos, fortuna crítica e textos sobre ou para a artista

foto: Carlos Studio
foto: Carlos Studio

Peça escrita por Tônia Carrero e por Luís Artur Nunes, encenada entre 1996 e 2000, sai em livro que celebra os 70 anos de carreira da saudosa atriz. A edição, pela Ibis Libris, é enriquecida com fotos, fortuna crítica e textos sobre ou para a artista

“Tive a sorte, o privilégio de ter como amigos algumas das figuras mais fascinantes, mais importantes do meu tempo”. A frase era uma das falas de Tônia Carrero (1922-2018) em “Amigos para sempre”, peça escrita por ela em parceria com Luís Artur Nunes, homem de teatro au grand complet. E a afirmação nada tem de exagerada.  A artista teve a sorte de desfrutar da amizade dos nomes mais relevantes das nossas artes, não somente do teatro, seu métier, como da Literatura, da música e das artes visuais. Eram nomes como Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Nelson Rodrigues, Rubem Braga e Paulo Autran, entre outros. A vontade de homenagear essas figuras foi a mola propulsora da peça, que estreou em 1996 e, devido ao sucesso, ficou em cartaz até o ano 2000.  Vinte e três anos após ganhar os palcos, o texto é editado em livro. “Amigos para sempre” (Ibis Libris) marca os 70 anos de carreira que Tônia completaria. A organização e introdução são assinados por Luís Artur Nunes, o prefácio é do ator e diretor Carlos Thiré, neto da atriz, e a jornalista Deolinda Vilhena e o ator e dramaturgo Leonardo Thierry assinam as apresentações da obra, que traz também fotos, além de fortuna crítica e reproduções de textos escritos para (ou sobre) a atriz, um dos grandes nomes da sua geração. 

Dez foram os amigos escolhidos por ela. São eles (em ordem alfabética): Aníbal Machado, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Heitor Villa-Lobos, Manuel Bandeira, Nelson Rodrigues, Paulo Autran, Rubem Braga, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. E o mesmo é o número de cenas da peça, acrescida de prólogo e epílogo. Cada cena segue uma premissa: Tônia fala,na primeira pessoa, sobre o autor/amigo que vai interpretar. Ela conta, por exemplo, como o conheceu e relata causos  e  episódios saborosos desse convívio. Em seguida, ela interpreta textos escritos por eles, que podem ser desde uma crônica ou conto a poemas. Alguns nomes fogem à regra. Ao falar de Tom Jobim, por exemplo, Tônia arremata a cena com texto sobre o maestro, escrito pelo arquiteto Paulo Casé na ocasião da morte do compositor. Ao lembrar da amizade com Paulo Autran, ela brindava o público (e agora leitores) com trechos de duas das peças de Shakespeare que encenou com o amigo: “Macbeth” e “Otelo”.

A edição de “Amigos para sempre” é ricamente ilustrada com imagens, muitas delas do acervo da própria atriz, além de transcrições de textos para ela, alguns em fac-símile– como o bilhete do casal Tom e Ana Jobim, gaiatamente assinado (algo comum em se tratando de Tom) como “Anatom (o melhor colchão)” —  e também artigos sobre a artista, assinados por grandes nomes como Ruy castro, Nélida Piñon, Ronaldo Bôscoli ou mesmo seu próprio filho, o ator Cecil Thiré. 

Voltando à peça, ela tem como um de seus trunfos o de ser, também, um roteiro dramático, que permitia à atriz inserir ou mesmo  improvisar comentários sobre os amigos escolhidos. A ideia inicial era a de que Tônia falasse de improviso, mas  –“ bicho de teatro” que era –,   tinha a necessidade de saber o texto de cor. Luís Artur passou então a gravar essas improvisações e a editá-las, trazendo de volta ao ensaio textos definidos para Tônia decorar, mas sempre guardando na interpretação o frescor da fala espontânea.

Ao elencar memórias e fatos relacionados aos próprios amigos, Tônia Carrero acaba por revelar pormenores de sua personalidade – e da própria vida. E a persona pública, atriz deslumbrante (em todos os sentidos) revela-nos muito da mulher que foi Maria Antonieta Portocarrero. Mulher de nome austero, mas a quem os amigos (esses mesmos por ela escolhidos) chamavam de Mariinha. Tônia e Luís Artur acabam por ir além:  jogam luz sobre um Brasil que não pode cair no esquecimento. Ainda que este seja o desejo de alguns.

Serviço:
Título: “Amigos para sempre”
Autores: Tônia Carrero e Luís Artur Nunes
Editora: Ibis Libris
Lançamento: dezembro de 2019
Formato:  21 X 28cm, brochura
Número de páginas: 232
Preço: R$ 60

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