“Lifting – Uma comédia cirúrgica” encerra temporada no Teatro Sesi neste domingo

O espetáculo reúne as atrizes Angela Rebello, Drica Moraes, Lorena da Silva e Luísa Pitta

A partir de esquetes cômicos em que as atrizes se revezam em múltiplos papéis, a peça faz uma crítica irreverente aos padrões inalcançáveis de beleza

Com direção de Cesar Augusto, texto do espanhol Félix Sabroso ganha sua primeira montagem no Brasil

Quatro atrizes amigas se encontraram, por acaso, em uma estreia teatral e resolveram botar o papo em dia. No meio de muita conversa, risadas e afeto, surgiu a vontade de trabalharem juntas. Foi o ponto de partida da primeira montagem brasileira do espetáculo Lifting – Uma Comédia Cirúrgica, que agora encerra, neste domingo 1º de abril, sua bem-sucedida temporada no Teatro Sesi, no Centro. O processo de adaptar a comédia do espanhol Félix Sabroso para a nossa cultura foi, ao mesmo tempo, divertido e dolorido, já que Angela Rebello, Drica Moraes e Lorena da Silva perderam a amiga Solange Badim nesse período. O diretor Cesar Augusto, então, convidou a atriz Luísa Pitta para completar o quarteto em cena. Sem patrocínio, a peça foi levantada na garra, com recursos das idealizadoras e dos amigos, em uma corrente de pessoas que amam o teatro.

O espetáculo tem uma comunicação muito forte com a plateia por jogar uma lente de aumento em uma sociedade adoecida pelo poder da imagem e dos padrões inalcançáveis de beleza. Em um caleidoscópio de situações, muitas delas à beira do absurdo, as atrizes se multiplicam em papéis de mulheres navegando em um mar de neuroses e loucuras, na incessante busca pela perfeição estética.

“Lifting – Uma comédia cirúrgica’ fala de como as mulheres são subjugadas pelos padrões de beleza impostos pela nossa sociedade, com suas identidades e autoestima pautadas pelo olhar externo, seja do homem, seja do mercado de trabalho ou até mesmo de outras mulheres. Seu autoconhecimento e sua autoestima estão a reboque do que dita a moda, os produtos, os padrões de comportamento, a indústria da juventude eterna etc.”, analisa uma das idealizadoras, a atriz Angela Rebello. “Tenho a impressão de que todos esses fatores fortalecem uma falsa ideia de felicidade, bem-estar e realização; ideia que é abraçada por cada mulher que se entrega à ilusão da imagem”.

O espetáculo reúne figuras femininas em seus espaços pessoais, familiares, profissionais e sociais, sempre às voltas com dilemas na relação com seus corpos. As situações corriqueiras abrem espaços para a apresentação de temas universais: a ânsia pela vida, a obsessão pela juventude, o medo da solidão, as carências e mazelas comuns a todos. A encenação tem linguagem que remete ao cabaré a ao teatro besteirol dos anos 80.

“Temos situações muito variadas: uma mãe e uma filha; uma aeromoça; uma mulher de bombeiro que usa fogo para um procedimento estético; uma cena de tribunal… São cenas curtas e situações bizarras que reúnem vários tipos de mulheres, em vários contextos, várias temperaturas e realidades. Em comum, a loucura da imagem”, acrescenta Angela.

Além do quarteto de atrizes e do diretor Cesar Augusto, fazem parte do time criativo Marcia Rubin (direção de movimento e coreografias), Maneco Quinderé (iluminação), Marcelo Olinto (figurinos), Marcio Mello (visagismo) e Tim Rescala (trilha sonora e música original).

Lifting pelas atrizes:

ANGELA REBELLO “A peça fala de muitas cirurgias plásticas. São várias cenas nas quais quatro mulheres enlouquecidas estão em situações distintas, sempre relacionadas a essa ânsia de ser outra pessoa, de aplacar sua necessidade de juventude eterna e seu medo da solidão.”

DRICA MORAES “Direta, divertida, sarcástica e crítica. Uma peça que traz ideias de

comunicação fácil, imediata e prazerosa. É uma ação entre amigos, um ‘pegar a bola e

descer pro play’”

LORENA DA SILVA “Somos quatro atrizes que sabem da importância do papel da mulher hoje. Levamos ao palco uma vivência de outra natureza para a nossa sociedade que está completamente adoecida”.

LUÍSA PITTA “Lifting é um jogo, uma brincadeira deliciosa entre as atrizes e o público. Com leveza e crítica, nos faz rir das nossas mazelas, dos nossos vícios, rir para jogar luz sobre temas delicados e humanos. É muito bom poder rir de si mesmo”.

SOLANGE BADIM “Quatro atrizes, amigas de longa data, que se encontram no bar e o teatro fala mais alto. E elas resolvem, então, que têm que fazer alguma coisa, têm que se juntar, fazer um trabalho, realizar. A peça fala sobre a loucura pela aparência, pela beleza”.

Ficha técnica

Autor: Félix Sabroso
Idealização: Angela Rebello, Drica Moraes, Lorena da Silva e Solange Badim
Tradução: Angela Rebello e Lorena da Silva
Supervisão da tradução: Angela Leite Lopes
Adaptação Coletiva
Direção: Cesar Augusto
Direção de Movimento e Coreografias: Marcia Rubin
Elenco: Angela Rebello, Drica Moraes, Lorena da Silva e Luísa Pitta
Cenário: Cesar Augusto e Drica Moraes
Figurino: Marcelo Olinto
Iluminação: Maneco Quinderé
Trilha Sonora: Tim Rescala
Preparação Vocal: Eveline Hecker
Fotografia (material gráfico): Antonio De Bonis
Visagismo: Marcio Mello
Designer Gráfico: Filipe Freitas
Mídia Social: Rafael Teixeira e Rachel Almeida
Adereços de Cena (criação e confecção máscara e asas): Filipe Cruz
Assistente de Direção: João Gofman
Assistente de figurino: Rodrigo Reinoso
Costureiras: Adélia Andrade e Bia Alvim
Camareira: Maninha
Cenotécnico: André Salles
Operador de som: Arthur Ferreira
Operador de luz: Dum Marino
Direção de Cena/Assistente de Produção: Jéssica Esteves
Produção Executiva e Administração: Cristina Leite
Direção de Produção: Alessandra Reis
Produtoras Associadas: Alessandra Reis, Angela Rebello, Cristina Leite, Drica Moraes, Lorena da Silva e Solange Badim 

Serviço

Lifting – Uma comédia cirúrgica
Temporada: 1º de março a 1º de abril
Teatro Sesi Centro: Avenida Graça Aranha, 1, Centro.
Telefone: 2563-4163
Dias e horários: 5ª a sáb., às 19h. Dom., às 18h.
Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia).
Lotação: 338 pessoas
Duração: 1h10 minutos
Classificação indicativa: 12 anos
Funcionamento da Bilheteria: segunda a sexta, das 12h às 20h. Sábados, domingos e feriados, quando houver atração, a bilheteria abre duas horas antes do espetáculo.

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