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junho 26, 2019
Música

Leopold Nunan lança Banzé, em parceria com Beto Brown e produção de Donatinho

Clipe tem a participação do índio Inuia Kamaiura Amarü, da aldeia Kamaiura, do Xingú, com mensagem relativa ao abandono da causa indígena

Carioca radicado em Los Angeles há 18 anos, o cantor Leopold Nunan, uma das figuras mais memoráveis da noite carioca nos anos 90 e 00, lança, em parceria com Beto Brown, puxador do blocos Suvaco de Cristo e Monobloco e também autor da faixa, a música Banzé, um Miami Bass com produção de Donatinho. O clipe, com cengas gravadas em Los Angeles e no Rio de Janeiro, foi dirigido por Billy Clift, nomeado ao Emmy com o documentário The Advocate Celebrates 50 Years: A Long Road to Freedom, sobre a revista gay americana. O clipe tem a participação do índio Inuia Kamaiura Amarü, da aldeia Kamaiura, do Xingú (Mato Grosso), com uma mensagem relativa ao abandono da causa indígena pelo atual governo federal e é um libelo pela remarcação das terras dos índios.

“Estamos aqui há muito tempo e cuidando da terra para todos os parentes. Hoje e todos os dias é dia de luta pra nós. Não só pela vida dos nossos parentes, mas também pela vida da floresta e dos brancos. Esse presidente não sabe o que diz e não quer conversar com a gente, mas nós estamos prontos para lutar e avançar”, diz o índio Inuia Kamaiura Amarü,  ao final do clipe.

O clipe também conta com a participação da ativista americana Morena Santos, filha de brasileiro e dançarina de samba, que se sente protegida pelo muiraquitã, talismã indígena. O muiraquitã, no qual Leopold se transforma, no filme, é uma lenda e uma pedra jade, em forma de sapo, encontrada no Pará. É um talismã protetor, dado a guerreiros, índios pescadores e, normalmente, amarrado no pescoço com um cordão de algodão. A pintura corporal foi feita pelo pelo grafiteiro argelino Kool Skull.

O video foi gravado com câmera Black Magic e drones, em estilo guerrilha. Nos Estados Unidos, as cenas foram captadas na comunidade artística East Jesus, literalmente fora da lei, chamada Slab City. Considerada o último solo livre e gratuito na América, a área não tem prefeito, governo, leis ou polícia. East Jesus foi montada pelo artista Charlie Russell, que criou a cidade com sucata, lixo, restos, garrafas, uma grande escultura a céu aberto. Em uma das cenas, uma limosine é queimada. No Rio, as cenas foram filmadas na praia de Copacabana e no Cristo Redentor,  com participação de Severo e Iguinho, bailarinos de passinho, fundadores do “Os Imperadores da Dança”, da Favela do Jacaré (Zona Norte do Rio).

Com estilo e figurinos assinados pela brasileira radicada em Los Angeles Carolina Darrieux,  o viual do clipe é um glam mangue beat, juntando a arte inconsciente de Bispo do Rosário, poluição e sucata. Uma arte vestível, misturando Boy George com Chico Science e maracatu eletrônico. Outra grande inspiração foi a arte do mexicano Mario Rivoli.

Banzé é uma gíria e significa confusão, escândalo, cena, uma palavra  resistência. A faixa é um funk, tamborzão com rap no estilo old school Miami Bass e também uma homenagem às belezas e aos encantos do Rio, uma celebração ao estilo de vida do carioca. “Estou com muitas saudades do Brasil e preocupado com o quadro político atual. Queria me posicionar de alguma forma”, explica Leopold, que vem cantando as músicas do Beto Brown desde quando se conheceram, em Nova York, na legendária Body and Soul.

“Me apaixonei pela palavra Banzé e quis fazer uma faixa de percussão. Banzé é uma batucada. Falo que me sinto um índio em Copacabana. Desde a colonização, triste e injustamente, os índios são tratados de maneira ilícita, desleal e cruel. Mas isso não era um assunto tão importante como hoje por conta das discussões sobre diversidade”, resume o autor da música, Beto Brown.

EP “LEO FROM RIO”
A faixa tem sete versões de quatro cantos do mundo, como a tech house com global bass de Paulo Flores, a bem pesada do novaiorquino BANGINCLUDE, três versões do italiano Mike Generale e uma visão moombaton do argelino Kool Skull. O lançamento é do selo australiano Wile Out, comanado por Paulo Flores. “Banzé” será lançada no palco da Long Beach Pride, 19 de maio, comemorando 50 anos da rebelião de Stonewall, marco historico na luta pelos direitos LGBTQ no mundo. “Banzé” faz parte de um EP, “Leo from Rio”, com quatro canções e lançamento oficial também em 19 de maio.

Mais sobre Leopold Nunan

Foto: Márcio Martins

Cantor,  compositor, dançarino, ator, modelo e coreógrafo, Leopold começou a carreira musical em 2000, aos 19 anos, no Rio, com o lançamento de “I’ve Got it”, pela Utter Records, de Andre Gismonti. Com a faixa, ele se apresentou nos clubes históricos da cena carioca, como Le Boy, Dama de Ferro e Bunker. Outros lançamentos musicais importantes são “Multiple Personality“, no qual faz 47 trocas de look no videoclipe, “Got to be strong”, e a mais recente, o funk “Bate Bum Bum”, com clipe gravado em Los Angeles.

Ele também fez, ainda no Brasil, trajetória no ballet moderno, participando de peças premiadas com Prênio Sharp e Coca Cola de Teatro, como Hair e Sweet Charity, além de ter atuado em curtas metragens e comerciais. Nascido no final dos anos 70, teve o gosto musical forjado pela pós-disco com música electrônica, techno e house, por meio de DJs como Felipe Venâncio e Mauricio Lopes, festas como Valdemente, B.i.t.c.h. e clubs como Dr Smith. “Tornei-me um club kid de carteirinha e moda sempre me atraiu. Montação, fechação e muita dança foram meus esportes favoritos durante os anos 2000”, conta.

Há 18 anos nos Estados Unidos, fez shows em todos os clubes, teatros e festas locais de Los Angeles. Produziu a legendária festa DRRRAMA, no The Standard Hotel, na Sunset Boulevard, e abriu para Miss Kier, do Deee Lite. Participou também, no Food Network, de duas temporadas do hilário reality show “Worst Cooks in America”. No Brasil, ele participou, em 2017, do programa “Amor e Sexo”, de Fernanda Lima, cantando “Bete Balanço”, de Cazuza.

LETRA:

Banzé
Vou fazer Banzé
Vou mostrar no pé
Vou dar pra morena tudo tudo que ela quer
A praia é bonita
A praia é bacana
Me sinto um índio em Copacabana, bana bana.

Banze es una fiesta
Un Ritmo, una loucura
Me pone a bailar
Bajando hasta el suelo
Bajano hasta el suelo
Bailamos todos
Sabroso Caliente
Banze Banze de Copacabana
Un samba funk
Que vien De Rio
Una invencion de Copacabana
Banze Banze de Copacabana

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