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outubro 21, 2018
Teatro & Dança

La ronde – A ronda do amor

La Ronde - Elenco
La Ronde - Elenco
Cia Enviezada encena clássico de Schnitzler, cuja última encenação no Brasil foi em 1991. A nova montagem estreia dia 9 de outubro no Teatro Serrador

Como se o espectador observasse pelo buraco da fechadura a plena intimidade entre dois amantes. Essa é a linha mestra de La Ronde, uma das peças mais encenadas do dramaturgo austríaco Arthur Schnitzler (1862-1931). Escrito em 1903 e originalmente intitulado de “Reigen”, o texto só foi encenado quatro anos depois.  E ainda assim causou alvoroço justamente pela visão despudorada (e hiper-realista) com que expõe os encontros entre diferentes amantes. E é nesse universo que a Cia Enviezada mergulha em sua quinta incursão teatral. Agora intitulada de “La ronde — A Ronda do amor”, o texto foi traduzido e adaptado pela própria trupe, e a montagem chega aos palcos 27 anos depois da que foi apresentada no CCBB (cujo elenco contou com Maria Padilha e Guida Viana, entre outros). “La ronde – A ronda do amor” tem direção de Zé Alex e poderá ser assistida, a partir de 9 de outubro, em curta temporada no Teatro Municipal Serrador, no Centro.

Schnitzler foi também médico. E, como tal, foi um dos precursores no estudo da psicanálise, chegando a trabalhar com hipnose.  Seus estudos nesse campo impressionaram aquele que é o papa da Psicanálise: Sigmund Freud. Durante muito tempo, Freud relutou em conhecê-lo, justamente por se intimidar com o que reconhecia no legado do colega: ele mostrava “as verdades do inconsciente”. E o que esse preâmbulo tem a ver com “La rode”. Tudo!

Se na medicina, Schnitzler desnudava o inconsciente humano, no teatro, ele expõe o comportamento sórdido dos homens. A peça é originalmente composta de 10 cenas com um casal de atores em cada uma delas. A montagem da Cia Enviezada reproduz seis dessas cenas, assim como a montagem de 1991. E os encontros entre as personagens seguem a seguinte linha estrutural: um personagem da cena anterior se sucede na cena seguinte, onde encontra um novo personagem, que, por sua vez, estará na cena subseqüente com um novo par – e assim sucessivamente.

Os amantes se conhecem de forma superficial (e a semelhança com usuários de aplicativos mostra que pouco avançamos nesse campo),  e as personagens  — seis ao todo —  nos são apresentadas como arquétipos de suas funções sociais. Temos, portanto, a Prostituta, o Soldado, a Empregada, o Rapaz, a Mulher e o Marido.

A encenação questiona as formas e preceitos da relação homem x mulher, subversivo x submisso em um instigante jogo de conquista, atração e repulsa. Da mesma forma que as relações são desnudadas, no palco tudo é também aparente. O elenco circunda a cena num semicírculo, e todas as rubricas são ouvidas de viva voz, para darmos dois exemplos.

Se “La ronde” escandalizou os que a assistiram no início do século XX, o mesmo pode acontecer com os entusiastas do retrocesso e com aqueles que torcem pela perda das liberdades conquistadas.  Teatro, SIM! #EleNão.

Ficha técnica:
Elenco: Francine Flach,  Pedro Cavalcante, Pedro Nunes, Rodrigo Pinho, Roberta Brisson e Sabrina Faerstein
Direção: Zé Alex
Tradução e adaptação: Cia EnvieZada
Iluminação: Daniela Galvan
Arte e figurino: Patrícia Muniz
Produção: Mosaico Produções e Cia EnvieZada

Serviço:
Temporada: de 9 a 31 de outubro
Dias e hora: terças e quartas, às 19h30m
Ingresso: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)
Local: Teatro Municipal Serrador (R. Senador Dantas, 13, Centro. Tel: 2220-5033)
Classificação indicativa: 16 anos
Duração: 70 minutos

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