Julia Carrera, incentivadora da arte da atuação, dirige peça no Rio, ao mesmo tempo em que lança escola de atuação no Rio e em SP

Com 21 anos de carreira, Julia já participou de novelas, criou e produziu diversas peças e hoje se dedica ao papel de professora e diretora de teatro

Atriz, professora, diretora, produtora e mãe. Julia Carrera tem o gás de alguém que não desiste, que ultrapassa barreiras, que se descobre cada vez mais e ainda transmite seu conhecimento do mundo das artes para aqueles que estejam dispostos a aprender. A arte da atuação tem um caráter terapêutico, como foi o caso dela ao iniciar suas aulas com apenas 12 anos para perder a timidez no Teatro O Tablado (Rio), assim como também tem um papel transformador na vida de quem atua.

“Eu fui fazer teatro para resolver um problema pontual. No entanto, as aulas, que aconteciam dentro de um teatro mesmo me deram a chance de viver a experiência por inteiro, e foi nesse envolvimento que eu me descobri atriz”, afirma Julia. Com o incentivo dos pais, ela se formou em Comunicação Social na UFRJ, e aproveitou o aprendizado da área para aprimorar suas habilidades na área teatral. “Aproveitei o conhecimento de marketing cultural para começar a produzir meus próprios espetáculos. Outra grande influência na universidade foram meus anos de estágio no Núcleo de Tecnologias da Imagem, coordenados pelo André Parente e pela Katia Maciel, artistas que me abriram os olhos para as interseções entre tecnologia e arte, um campo que se reflete no meu trabalho como pesquisadora e diretora até hoje”, diz.

Um marco na sua formação teatral foi sua breve experiência no Théâtre du Soleil, em Paris, em 2002, onde se encantou pelo mundo das máscaras teatrais e da vivência coletiva da trupe. Desde então sua relação com o Soleil veio se intensificando e neste momento Julia se prepara para atuar em um grande projeto sob supervisão de Ariane Mnouchkine, com estreia no Brasil em 2019. Julia Carrera fez diversos trabalhos em novelas, tanto como atriz, quanto como instrutora de atores, além de mais de 25 peças teatrais que teve a oportunidade de atuar, produzir e dirigir no Rio e em São Paulo.

Um dos momentos mais peculiares na carreira foi o desafio de ter o parto de um de seus quatro filhos, Valentina (hoje com 11 anos), acompanhando pela equipe de gravação da novela “Páginas da Vida”, da Rede Globo (2006), da qual fazia parte do elenco, como forma de campanha incentivando o parto natural. Essa foi a primeira vez que um parto foi transmitido na televisão, foi um marco para a carreira de Julia e também para o universo das telenovelas no Brasil. “Eu não me bloqueio frente aos desafios, procuro superar minhas dificuldades focando sempre no próximo passo”, afirma.

Esse aprendizado reflete a forma como ela ministra suas aulas. Em 2015 idealizou o curso para atores da Casa Aguinaldo Silva de Artes, onde coordenou e deu aulas para mais de 250 alunos até 2017. Em 2017 também lançou a Escola Mutatis, em parceria com a Livraria Cultura, presente no Rio de Janeiro e São Paulo. Idealizada por Julia e Renata Pina, a Escola tem a proposta de levar as ferramentas da atuação para o maior número de pessoas e idades, por acreditar que a metodologia seja uma opção ao desenvolvimento pessoal de cada um, independente da vida profissional. Outra frente da Mutatis será atuar diretamente com escolas de Educação Básica, oferecendo a atuação como um curso complementar, que irá desenvolver habilidades e competências essenciais para a formação das futuras gerações para o mercado de trabalho e para a vida. “É um projeto apaixonante! O teatro funciona como um laboratório de ensaio para a vida, funciona como um espelho onde cada um se vê refletido no outro, e ver a criança e o adolescente se descobrindo no palco é um privilégio”, diz.

“Eu me vejo muito nos atores, que são meus alunos, e procuro trazer ferramentas para que cada um possa ter o seu próprio desenvolvimento pessoal”, diz. A empatia, o autoconhecimento, a autoestima e a capacidade de trabalhar em grupo são habilidades trabalhadas nas aulas de teatro que ministra. Tudo isso reflete de forma significativa, transformando os indivíduos na esfera educacional e social e ainda proporcionando um grande prazer.

Julia Carrera dá aula para públicos de todas as idades. As crianças são o nicho com o caminho mais facilitado, conta Julia: “Nessa fase tem aquela coisa lúdica presente, e quando eu comecei a dar aula para o público infantil, a professora Sueli Poggio me ensinou sobre a importância do uso do fantoche”, afirma. “Eu percebi que o fantoche é um grande facilitador, pois é um boneco vivo em que a criança fica vidrada e se sente muito confortável ao realizar ela mesma a atuação; o fantoche funciona para a criança como a máscara funciona para o ator”, conclui.

Atualmente, Julia Carrera está em cartaz como diretora da peça Iter Kriminis, na Cidade das Artes no Rio de Janeiro. A peça é uma instalação e retrata momentos da vida de criminosos reais e fictícios antes de cometerem os crimes e acontece em uma sala de exposição onde o público pode fazer seu próprio itinerário dentro do espaço.

Escola Mutatis: Coordenada por Julia Carrera, atriz, diretora de teatro, professora de atuação há muitos anos, responsável por implementar os cursos de atuação da Casa Aguinaldo Silva de Artes, onde deu aula para mais de 250 alunos, e administradora, de 2014 a 2017, do Teatro “O Tablado”, do Rio de Janeiro. A Mutatis – Escola Livre de Atuação nasceu através de uma parceria inédita com a Livraria Cultura, na busca por promover o acesso ao maior número de pessoas possíveis, desde os 4 anos de idade, crianças, jovens e adultos, à arte da atuação. O foco é o aprimoramento pessoal ou profissional, de atores e não atores, incentivando a autoralidade, o trabalho coletivo e que estas pessoas levem pela vida afora as ferramentas aprendidas ao longo das aulas. Para mais informações acesse www.escolamutatis.com.br.

A peça Iter Krimins: produzida pelo Grupo Novo de Teatro, um coletivo de teatro reunido por Julia Carrera e formado por um grupo de atores em diferentes momentos da profissão, a peça é uma experiência provocadora e contemporânea, que procura iluminar um lado obscuro do ser humano, íntimo e velado. O público é convidado a conhecer/apreciar cada peça/instalação, observando mais intimamente cada personagem e sua situação. A ideia é levar o espectador a penetrar no mundo íntimo de cada um dos criminosos e investigar o impulso, o fio condutor que poderia levar ao crime, num ambiente mais humano do que esperaríamos. Apesar do universo sombrio, a peça torna-se leve à medida que mostra situações banais da vida daqueles personagens, chegando ao humor tragicômico muitas vezes. Em cartaz na Cidade das Artes/RJ até 25 de março.

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