Jequitibá do Samba recebe Glória Bomfim no Espaço Catete

O grupo Jequitibá do Samba faz mais uma edição notável da sua roda de samba, neste domingo 04 de março (a partir das 17h), gratuitamente no Espaço Catete, e recebe a cantora Glória Bomfim como convidada especial, para celebrar o mês das mulheres e apoiar a campanha de financiamento coletivo para a realização do segundo CD da baiana, chamado “Chão de Terreiro” (https://benfeitoria.com/chaodeterreiro).
 
Composto por jovens músicos do Rio de Janeiro, atuantes nas rodas de samba e choro de casas da Lapa, de Santa Teresa e do centro (como o Trapiche Gamboa, o Carioca da Gema e a Casa do Choro, principalmente, sendo alguns integrantes também professores da Escola Portátil de Música – EPM), o grupo vem desde setembro de 2017 — quando retornaram à agenda do samba do Rio neste novo espaço da cidade — mantendo o seu ponto de encontro quinzenal (sempre aos domingos) com o samba tradicional, o samba de roda, sambas autorais dos integrantes e de jovens compositores. Em uma roda de cada mês, recebe um cantor convidado, já tendo participado Pedro Amorim (também bandolinista), Eduardo Gallotti (também cavaquinista), Elisa Addor Nina Wirtti. Canjas surpresas de instrumentistas e cantores também já se tornaram famosas e são garantidas, sempre contagiando o público. Já passaram por lá, por exemplo, o violonista Paulão 7 Cordas, o cantor Moyseis Marques, o compositor Chico Alves, o bandolinista Luis Barcelos, as cantoras Suzana Dal Poz e Ivy Morais.
 
Por alguns anos, o Jequitibá do Samba “marcou época” realizando sua roda de samba mensal, aos domingos, na Ilha de Paquetá, e nesta nova fase, no Espaço Catete, atende aos moradores da região do Catete e entorno e os muitos sambistas da cidade. Tem virado ponto de encontro de famílias e sambistas de várias idades, que já conheciam o grupo enquanto programação exclusiva de Paquetá, ou que vem a conhecer em cada nova edição.
 
O grupo
Com o nome inspirado no samba dos compositores mangueirenses José Ramos e Marcelino Ramos, o grupo Jequitibá do Samba destaca-se dos demais grupos atuais do gênero por ter como característica marcante um repertório com apenas os chamados “sambas de raiz” antigos e alguns mais recentes, e também autorais dos integrantes, com destaque pra sonoridade, fruto do trabalho cuidadoso de cada componente — que fundamenta seu aprendizado no legado daqueles que, com técnica, talento e criatividade, fizeram escola na música popular brasileira, como Dino, Meira, Canhoto, Jonas, Luna, Marçal e Elizeu, Jorginho, Doutor, Gordinho e tantos outros. O entrosamento entre os integrantes e o espaço para todos cantarem, juntos ou não, além de tocarem, também são características marcantes e singulares da formação.
 
O principal critério de seleção do repertório é a beleza dos contornos melódicos e a sinceridade das poesias dos versos. Acreditando que um bom samba não tem idade, o grupo prioriza, portanto, um repertório que contemple os inesquecíveis sambas da década de 1930 do Estácio, passando pelos sambas saídos dos terreiros das primeiras escolas, sem se esquecer das obras-primas de grandes compositores, como Nelson Cavaquinho, Noel Rosa, Cartola, Candeia, Zé Kéti, Mauro Duarte, Paulinho da Viola e Paulo César Pinheiro, entre muitos outros cuja obra persiste pouco explorada.
 

Músicas como “Menti” (Anderson Balbueno e Eduardo Tardin), “O morro e o samba” (Julião Rabello Pinheiro e Paulo César Pinheiro), “Novo amor” (Iuri Bittar), “O samba vai durar” (Ronaldo Gonçalves e Bernardo Diniz) e “Sem mordaça” (Ronaldo Gonçalves e Bernardo Diniz) são alguns dos sambas autorais dos integrantes sempre cantados nas rodas também pelo público cativo.

 
Glória Bomfim
Glória Bomfim (foto: Silvana Marques)
Glória Bomfim (foto: Silvana Marques)
Para muitos, a história dessa baiana é comovente e cinematográfica. Nascida em Areal, um pequeno povoado no interior da Bahia, Glória era requisitada desde muito menina pra cantar nas festas de casamento, batizados e eventos, quando não havia rádio, nem discos e as festas dependiam dos músicos e cantores da região. Filha de Domingas e Miguel, a pequena intérprete de oito anos agradava a todos com sua voz potente. De cima de um caixote de madeira, era ouvida de longe, garantindo boa dança e boa festa. Já na década de 60, a pequena cantava versos de João de Aquino e Paulo César Pinheiro. Aos quatorze anos veio pro Rio à procura de melhores oportunidades. Exerceu diversas profissões e continuou cantando, nos finais de semana, nas rodas de samba do subúrbio, nas quadras de escolas de samba. Ali conheceu mestre Marçal que, encantado com sua voz, apelidou-a de Baianinha e convidou-a para as rodas da Velha Guarda da Portela, das quais Glória participou, mas após o falecimento de Marçal a sua vida tomou outro rumo.
 
Apenas em 2007 ela lançou seu primeiro CD de carreira chamado “Santo e Orixá” (Acari Records), produzido por Luciana Rabello e apenas com músicas inéditas do compositor Paulo Cesar Pinheiro, tendo tido grande repercussão em todo país. Em 2011, o selo Quitanda, de Maria Betânia, encantada com a musicalidade de Glória, relança o repertório e as gravações de “Santo e Orixá com o nome “Anel de Aço”. Desde então, ela se apresenta pelo país e atualmente está em fase de campanha de financiamento coletivo para a realização do seu segundo CD, o “Chão de Terreiro” (https://benfeitoria.com/chaodeterreiro), que é encerrada em 24 deste março.
 
“Glória Bonfim é uma das mais expressivas e autênticas vozes que conheço. Seu canto primitivo, forte, verdadeiro, despretensioso e absolutamente intuitivo é um diamante bruto que representa, de forma emocionada, a cultura dos terreiros de candomblé, trazida pelos negros africanos e mantida aqui pelos mestiços brasileiros”, enaltece a instrumentista Luciana Rabello.
 
Formação:
 
Anderson Balbueno: Percussão e voz
Bidu Campeche: Percussão
Iuri Bittar: Violão 6 cordas e voz
Jeferson Scott: Percussão e voz
Julião Pinheiro: Violão 7 cordas e voz
Ronaldo Gonçalves: Cavaquinho e voz
 
 
Serviço:
Roda de samba do grupo Jequitibá do Samba – Glória Bomfim convidada
Local: Espaço Catete (Rua do Catete, 97 – Glória – próximo ao metrô)
Data: domingo, 04 de março
Horário: 17h – 22h
Gratuito
Classificação: livre

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