Jacques e a Revolução no Zimba

Montagem da Todo o Mundo Cia de Teatro, comédia dramática dirigida por Theotonio de Paiva inaugura nova temporada dia 9 de julho no Teatro Municipal Ziembinski, na Tijuca

Jacques e a Revolução (foto: Flávia Fafiães)
Jacques e a Revolução (foto: Flávia Fafiães)

A cada nova temporada a comédia dramática Jacques e a Revolução, ou Como o criado aprendeu as lições de Diderot, de Ronaldo Lima Lins, montagem inaugural da Todo o Mundo Cia de Teatro, dirigida por Theotonio de Paiva, torna-se mais atual, como o público poderá conferir a partir de 9 de julho, às 19h30, no Teatro Municipal Ziembinski, na Tijuca. Acalentada por cinco anos, a montagem começou a tomar forma através de leituras dramatizadas em 2015, iniciando apresentações por lonas e arenas da prefeitura e uma curta temporada no Parque das Ruínas, em 2016. Artistas de várias gerações compõem a Todo o Mundo Cia de Teatro: os atores Abílio Ramos, Ana Luiza Accioly, Katia Iunes e Luiz Washington, que interpretam 18 personagens, sob a iluminação de Renato Machado, com a trilha sonora original de Caio Cezar e Christiano Sauer e direção de arte de Marianna Ladeira e Thaís Simões, além da direção de movimento da coreógrafa Carmen Luz. A atual temporada está sendo viabilizada por colaborações através do Catarse.

Jacques e a Revolução traz em sua narrativa  arquitetura dramatúrgica que alinha tirania, manipulação, jogos de poder, sedução e sexo, elementos que recheiam os diálogos de Jacques, um empregado de segundo escalão, e seu chefe, o Empresário. De conversa em conversa, qualquer sentido de moral desaparece. Jacques conta suas proezas e aprende com o Empresário. A história, que se passa sem definição de lugar e tempo, poderia ser no Planalto Central, numa empresa pública, agronegócio, enfim, na vida real. De fato, foi escrita a pedido do mestre Luís de Lima (1925-2002), ator português notabilizado por sua grandeza na mímica. Ele nunca a encenou. “Luís sugeriu em 1989 que Ronaldo elaborasse um texto para teatro a partir de ‘Jacques, o Fatalista, e seu amo, de Diderot. A ideia era o centenário da Revolução Francesa estar no centro da peça. O que Ronaldo fez, porém, foi estabelecer um diálogo intenso com a obra do filósofo francês iluminista Denis Diderot”, destaca o diretor e dramaturgo Theotonio de Paiva.

Jacques e a Revolução é o único texto teatral de Ronaldo Lima Lins. Registre-se que fez sua tese de doutoramento em torno da obra de Nelson Rodrigues: “O teatro de Nelson Rodrigues: uma realidade em agonia”, em 1979. O estudo se tornou uma referência sobre o autor de “Vestido de Noiva”. Ronaldo Lima Lins é Professor Emérito da Faculdade de Letras da UFRJ, da qual foi diretor por duas vezes. Possui mais de cem artigos publicados dentro e fora do Brasil. É poeta, ficcionista e autor de livros de ensaio, nos quais elabora reflexões envolvendo cultura, literatura e sociedade. Suas mais recentes obras são ‘Crítica da moral cansada’ (Editora UFRJ), João, o microscópio e a vida selvagem  (romance) – lançado em 2014 pela 7Letras – e O saber e os ventos do não saber  (ensaios) – lançado em 2016 pela Mauad. Jacques e a Revolução, ou Como o criado aprendeu as lições de Diderot, conquistou o Prêmio Maurício Távora – 1989 / Secretaria de Cultura do Estado do Paraná.

Momento diverso, porém igualmente perturbador
Theotonio de Paiva, diretor e dramaturgo carioca com 40 anos de trabalho, foi orientando no Mestrado e no Doutorado por Ronaldo Lima Lins. “Dois motivos básicos me levaram a encenar Jacques e a revolução: a possibilidade de avançar numa pesquisa de linguagem, dentro de uma perspectiva de um teatro narrativo e a percepção que tive na época – e lá se vão 5 anos! – de que estava diante de um texto teatral, que se revelava como uma expressão incomum, por ser capaz de pensar/refletir sobre as grandes questões contemporâneas de um modo extremamente maduro”, afirma.

E continua: “Apesar de escrito num momento diverso, porém igualmente perturbador (no início do processo de democratização do país, à época da queda do muro de Berlim), o texto parece dialogar mais intensamente com os tempos atuais, como se estivéssemos diante de uma espécie de expressão premonitória das sucessivas crises hegemônicas e representativa dos poderes. Para examinar um conjunto de ideias delineadas pelo iluminista francês, a peça reinaugura questões antigas na dinâmica dos últimos séculos da modernidade”.

O “tema da viagem”, conforme aparece em Diderot, em Jacques e a Revolução se concentra num único eixo, no coração de um império econômico, metáfora do próprio sistema. Nessa condição, Jacques e o Empresário passam em revista as suas próprias histórias, ambições e derrotas. O público é colocado diante de uma dialética envolvendo dominador e dominado, na qual há trânsito e alternância de posições. Quem estava por baixo vê-se por cima e vice-versa.

A direção acentua esse jogo de espelhos, numa encenação que exercita o poder da síntese, ao trabalhar com quatro naipes de personagens: dois homens e duas mulheres. Essa composição permite revelar mais claramente o jogo presente no próprio texto, favorecendo uma grande construção dramático-narrativa entre atores e público.

Ficha Técnica_Texto: Ronaldo Lima Lins | Direção e dramaturgia: Theotonio de Paiva | Atores: Abílio Ramos, Ana Luiza Accioly, Katia Iunes e Luiz Washington | Trilha sonora original: Caio Cezar e Christiano Sauer | Direção de arte: Marianna Ladeira e Thaís Simões | Direção de movimento: Carmen Luz | Iluminação: Renato Machado | Design gráfico: Nicholas Martins | Fotos de divulgação: MarQo Rocha e Flávia Fafiães | Assessoria de imprensa: Mônica Riani | Direção de produção: Katia Iunes | Realização: Todo o Mundo Cia de Teatro | Produção: Nonada – Arte e cultura contemporânea.

Serviço: Jacques e a Revolução, ou como o criado aprendeu as lições de Diderot. Com a Todo Mundo Cia de Teatro. Direção: Theotonio de Paiva.

Gênero: Comédia dramática
Teatro Municipal Ziembinski _  Rua Heitor Beltrão, s/nº – Metrô São Francisco Xavier
Tel. (21) 3234.2003. Dias: 9, 16, 23 e 30 de julho de 2017 – sempre aos domingos
Horários: 19h30 | Faixa Etária: 14 anos | Duração: 80 min
Valor do ingresso: 40 (inteira) 20 (meia) 15 (lista amiga)
FACEBOOKhttps://www.facebook.com/jacquesearevolucao/