“Infero” revela conexão misteriosa de quatro almas humanas

Enredo mistura drama e comédia com pinceladas de musical e carregado de expressões corporais

E se você lembrasse exatamente do dia em que nasceu? Suas angústias, dores, surpresas e primeiras impressões? E se, além disso, você se conectasse presencialmente com outros seres humanos, em diferentes países, sem sair do lugar? É o que propõe o diretor e dramaturgo Arthur Anderman, sócio do grupo teatral FALKOR, recém-criado por ele e pelos sócios Leila de Noce e Vinícios Duenhas. O grande debut da companhia acontece com a peça “INFERO”, que estreia dia 19 de março no Teatro Commune, na Consolação. Quem vive na pele os quatro personagens da peça são os atores Isabela Bustamanti, Isabella de Salignac, Karol Garret e Kaé Onofre. Os integrantes do grupo foram escolhidos depois de um longo processo de seleção, que envolveu cerca de 300 atores candidatos.

A peça conta a história de quatro desconhecidos: Lucy, uma jovem indiana que sofreu muito preconceito devido a sua aparência pouco convencional; Belle, uma jovem francesa com uma voz de mel; Luca, um rapaz americano extremamente melancólico e Ya, uma indígena, filha de bicho.

Cada um com sua cultura, sonho, crença, costume e vivência, mas com algo em comum: anseiam viver longe de suas casas e estão viajando pelo mundo para se redescobrir cada um à sua maneira.

Repentinamente, estabelecem uma conexão sensorial após uma experiência tocante de renascimento, na qual conseguem se lembrar de como foi nascer. Numa trama politizada, cheia de críticas e banhada pelas artes plásticas, a ação discorre, transforma e potencializa.

Estes quatro anti-heróis nunca mais serão os mesmos. “Aqui, há uma sutil e subjetiva observação de que eles, na realidade, não só sempre estão conectados, como sempre estiveram. Os quatro são, na realidade, a mesma pessoa aprisionada nos mármores eternos do ‘Inferno’, revivendo eternamente a tortura dos dramas mundanos”, conta Leila. O ciclo se repete em uma espiral viciosa até que quando um deles morre, há um recomeço. Uma espécie de limbo eterno.  “Misturamos diversas linguagens artísticas criando o nosso teatro pós-dramático, performance, música, dança contemporânea e artes plásticas”, diz Vinícios.

“Absortos em nossos próprios problemas e perdidos nas várias facetas – boas, más, indefinidas e complexas – trazemos a discussão de que todos os povos e nações devem conversar, conectar e dialogar porque somos o mesmo, sem classificar de maneira maniqueísta os personagens. Uma mandala de almas humanas”, diz Arthur. A peça estreia para o público dia 19 de março no Teatro Commune e ficará em cartaz até 17 de junho de 2017.

Teatro Commune – Rua da Consolação 1218. Tel.: (11)3476-0792;
Sábados às 21h e Domingos às 20h. De 19/3 a 17/6.
Preço: R$50
Classificação: 14 anos
Gênero: Drama
Com Isabela Bustamanti, Isabella de Salignac, Karol Garret e Kaé Onofre. Direção e texto: Arthur Anderman. (100 min)