Homem-Aranha: de volta ao lar. Finalmente!

É difícil escrever sobre um herói diversas vezes explorado em reboots e sequências fracassadas. Enquanto algumas produções retratavam um Peter Parker coerente, falhavam em mostrar o bom humor do nosso adorável cabeça de teia enquanto vestia o uniforme. Outros faziam exatamente ao contrário. “Homem-Aranha: de volta ao lar” (2017) consegue finalmente fazer isso, de forma simples e ao mesmo tempo incrivelmente divertida.

Dessa vez, a origem de Peter Parker/Homem-Aranha (Tom Holland) não é recontada (graças aos céus) e o filme já começa após os eventos ocorridos em “Capitão América: Guerra Civil (2016)”. Embora esteja animado com a possibilidade de se tornar o mais novo Vingador, nosso herói enfrenta um dos seus maiores desafios: o segundo grau e o baile de formatura. Logo de início fica claro que “de volta ao lar” não é um filme com vilões grandiosos querendo destruir a terra. É “apenas” a vida de um garoto comum que tenta se adaptar aos dilemas pessoais e como utilizar seus poderes com responsabilidade.

Peter é um personagem adorável. Enquanto está nas aulas, não vê a hora de sair do colégio para se balançar entre os prédios de Manhattan e do Brooklyn, embora ainda não seja reconhecido. Seus atos heroicos incluem ajudar velhinhas e tirar gatos de árvores, o que torna o filme ainda mais divertido. O núcleo de apoio foi muito bem elaborado e os fãs dos quadrinhos irão perceber rapidamente personagens clássicos totalmente reformulados. Seu inseparável amigo Ned (Jacob Batalon), Flash Thompson (Tony Revolori), Liz (Laura Harrier) e Michelle (Zendaya). Sua vida na escola é sofrida, exatamente como nos quadrinhos, porém de forma muito mais autêntica do que mostrada em “Homem Aranha”(2001), que basicamente era uma highschool com adultos de 30 anos.

Além disso, o filme conta com a participação do Homem de Ferro/Tony Stark (Robert Downey Junior), Pepper Potts (Gwyneth Paltrow) e Happy Hogan (Jon Favreau ), que são os “responsáveis” por vigiar o jovem herói e não deixar que ele faça nenhuma besteira enquanto aprende a lidar com seus poderes.

Porém tudo vai por água abaixo quando o grande vilão do filme, o Abutre/Adrian Toomes (Michael Keaton) aparece. Vítima indireta da guerra ocorrida em “Os Vingadores” (2012), Toomes aproveita a tecnologia Chitauri para obtenção de lucros, tendo em vista que entrou em falência. A partir daí, começa a jornada de Peter Parker na descoberta de que com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades. E acreditem, o filme tem reviravoltas que deixarão todos abismados.

Embora o longa seja excelente, um dos pontos de destaque são as atuações dos personagens. Todos soam verossímeis e reais, com destaque para Peter e Toomes. Pela primeira vez, temos o Aracnídeo fiel ao quadrinho, tanto nos trejeitos quanto nas falas, além de um vilão que arranca aplausos com seus diálogos e motivações. O núcleo de apoio também diverte com diálogos que farão o público gargalhar a todo minuto. O filme tem cenas sérias, mostrando o lado humano de Peter e também de Toomes. Não há uma dicotomia absoluta entre bem/mal. Esse tipo de narrativa segue bastante da linha de comics “Ultimate Spider Man”, que mostrava um Homem Aranha mais jovem e contextualizado com a geração atual.

Falando em contextualização, esse é outro trabalho excelente da produção: a diversidade cultural. É maravilhoso ver Flash Thompson, Ned e Liz pertencendo a etnias diferentes, saindo do estereótipo dos jovens brancos da década de 70. A tia May (Marisa Tomei) deixa de ser uma senhora de 80 anos para se tornar uma mulher de meia idade, na faixa dos 40-45, que faz todo o sentido, tendo em vista que Peter possui 15 anos no longa. Realmente fizeram um trabalho maravilhoso nesse sentido.

Nos aspectos técnicos, é um ótimo filme, com cenas de ação interessantes, embora nenhuma cena de luta ainda supere o duelo Homem Aranha X Doutor Octopus, do filme “Homem Aranha 2” (2004). Porém os movimentos do herói, graças à computação, estão mais fluídos e realmente lembram uma aranha se movimentando. A trilha sonora é divertida, mas nada que seja algo impactante, assim como a fotografia, que possui alguns takes que foram nitidamente tirados das páginas dos quadrinhos.

“Homem Aranha: de volta ao lar” é um filme sobre heróis, mas principalmente sobre adolescentes. Tanto que o título original “Homecoming” se remete ao baile de formatura das escolas americanas, um dos grandes desafios de Parker. É com certeza o melhor filme do aracnídeo já feito, mas não o melhor do gênero, que pelo menos em 2017 continua nas mãos de “Guardiões da Galáxia 2”. Porém é aquele tipo de obra com um imenso potencial, que deixa o espectador com um gosto de quero mais, na esperança de ver o jovem Peter crescer e se tornar o ícone de heroísmo e altruísmo que todos conhecemos e amamos.

PS: O filme tem DOIS pós créditos. O segundo demora um pouco. Não deixem de assistir, é super importante.

Ficha Técnica:
Ano: 2017
Título: Homem Aranha: de volta ao lar.
Título original: Spiderman: homecoming.
Roteiro: Jonathan Goldstein, John Francis Daley
Direção: Jon Watts
Elenco (principais): Tom Holland, Robert Downey Jr., Michael Keaton, Gwyneth Paltrow

Patrick "Rick" Ribeiro - Arquivista nas horas vagas. Viciado em Games, Cinema, Séries de TV e Livros. Escreve sobre games aqui pois acha que são a maior sopa cultural de todas.