“Hoje é dia de Rock”, de José Vicente, estreia 02 de março no Teatro Ipanema

Gabriel Villela assina direção, cenário e figurinos da montagem que abre as comemorações pelos 50 anos do Teatro Ipanema, mesmo teatro que abrigou a montagem histórica desta peça, com direção de Rubens Corrêa, em 1971

Depois de bem sucedidas temporadas em Curitiba e São Paulo, é a vez do Rio, mais precisamente do Teatro Ipanema, receber a versão de Gabriel Villela para “Hoje É Dia de Rock“, peça emblemática de José Vicente (1945-2007) que entrou para a história do teatro carioca pelas mãos de Rubens Corrêa (1931-1996), diretor da antológica montagem de 1971, cuja temporada durou um ano lotando a sala e se encerrou nas areias da praia de Ipanema, tamanho o volume de público que tentava entrar na última sessão.

No elenco atual, estão 13 atores oriundos do TCP – Teatro de Comédia do Paraná. Ao lado de Rosana Stavis, que interpreta a matriarca Adélia, e de Rodrigo Ferrarini, que dá vida ao músico sonhador Pedro Fogueteiro, destacam-se talentos selecionados em testes comandados por Villela: Arthur Faustino, Cesar Mathew, Evandro Santiago, Flávia Imirene, Helena Tezza, Kauê Persona, Luana Godin, Matheus Gonzáles, Nathan Milléo Gualda, Paulo Marques e Pedro Inoue, acompanhados por Marco França, ator e músico especialmente convidado para a montagem.

O Teatro de Comédia do Paraná TCP foi criado em 1963 com a finalidade de orientar e coordenar as atividades teatrais do Teatro Guaíra. O primeiro diretor a trabalhar no TCP foi Cláudio Corrêa e Castro.

Ao olhar para as últimas montagens de Villela – Peer Gynt (2016), Rainhas de Orinoco (2016), A Tempestade (2015) e a mais recenteBoca de Ouro –, é na peça de Vicente que o diretor reserva mais de seu saudosismo: “A estreia carioca no Teatro Ipanema foi num período turbulento no Brasil e de emancipação no mundo”, diz o diretor, citando a ditadura brasileira, o Maio de 1968, com a greve geral na França, e o movimento hippie antibélico. “A peça trata da dissolução da identidade da família frente às transformações, muitas vezes trágicas.”

O diretor, em texto publicado no programa do espetáculo, resume a força da obra: “Se assumir a poesia ainda é um ato de coragem, a maior transgressão desse texto é fazer um elogio à diferença. Da mesma forma que Erasmos de Rotterdam já tinha feito em 1509 no Elogio da Cultura, exaltar a diferença é se juntar ao coro da liberdade; Zé (Vicente) faz isso de maneira soberba. Aliás, ele é um dos corifeus da liberdade“, comenta.

SINOPSE
A peça-biografia de José Vicente conta a saga de uma família que sai do sertão de Minas e tenta sobreviver numa capital movida a consumo. O patriarca é Pedro Fogueteiro, músico sonhador que procura descobrir uma clave musical jamais inventada. A mãe, Adélia, vê na fuga para a cidade grande a única chance de uma vida melhor para seus cinco filhos. Lá, porém, a prole se deslumbra com o jeito americanizado de se vestir, comportar e consumir.

A ATUALIDADE DO TEXTO
“Os jovens precisam enxergar uma alternativa para a política e para essa onda moralista que tomou o Brasil. Estão bebendo o sangue e os hormônios deles, de canudinho”, observa Gabriel Villela, que na juventude foi impactado pelo texto de Vicente.

A MONTAGEM
Entre cenário, figurinos e adereços, mais de 100 peças foram produzidas artesanalmente pelo atelier de criação de Gabriel Villela,transferido especialmente para as dependências do Teatro Guaíra, em Curitiba, onde ficou residente por mais de um mês para a criação e confecção das peças.

A trilha sonora vai de Milton Nascimento/Clube da Esquina a Beatles e Mercedes Sosa. 

AS MÚSICAS DA PEÇA

As Mocinhas da Cidade (Nhô Belarmino)
Bola de Meia, Bola de Gude (Milton Nascimento e Fernando Brant)
Caçador de Mim (Sergio Magrão & SÁ)
El Condor Pasa (Daniel A. Robles / Jorge Milchberg)
Encontros e Despedidas (Milton Nascimento, Fernando Brant)
Fé Cega, Faca Amolada (Milton Nascimento)
It’s Now Or Never (Elvis Presley)
Let It Be (Lennon & McCartney)
Love Me Tender (Elvis Presley/Vera Matson)
O Trem Azul (Lô Borges; Ronaldo Bastos)
Panis Angelicus (César Franck)
Queremos Deus (Adaptação De Milton Nascimento e Túlio Mourão)
San Vicente (Milton Nascimento, Fernando Brant)
Trenzinho Caipira (Heitor Villa Lobos)
Tristeza do Jeca (Angelino de Oliveira)
Tutti Frutti (Little Richard)
Um Gosto de Sol (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos)

Estreia: dia 02 de março (6ªf), às 20h30  
Local: Teatro Ipanema – R. Prudente de Morais, 824, Ipanema / RJ    tel: 21 2267-3750  
INGRESSOS: R$ 50,00 e R$ 25,00 (meia) / HORÁRIOS: de sexta a segunda feira, sempre às 20h30 / horário funcionamento bilheteria: de 5ªf a 2ªf, sempre 1h antes do espetáculo / vendas diretamente na bilheteria do teatro e nas bilheterias da Ticket Mais e internet) / CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA 14 anos / DURAÇÃO DA PEÇA: 80 minutos / GÊNERO: Drama musicado / Temporada: até 19 de março  

FICHA TÉCNICA

Texto | JOSÉ VICENTE 
Direção, Cenografia e Figurinos | GABRIEL VILLELA

Elenco | Rosana Stavis, Arthur Faustino, Cesar Mathew, Evandro Santiago, Flávia Imirene, Helena Tezza, Kauê Persona, Luana Godin, Matheus Gonzáles, Nathan Milléo Gualda, Paulo Henrique dos Santos, Pedro Inoue, Rodrigo Ferrarini

Diretor Assistente | IVAN ANDRADE 
Direção Musical, Arranjos e Preparação Vocal | MARCO FRANÇA
Aderecista e Assistente de Figurinos | JOSÉ ROSA 
Iluminação | WAGNER CORRÊA 
Fotografia Vitor Dias 
Projeto Gráfico | JOSÉ VITOR CIT 
Arranjo de Trenzinho Caipira/Desenredo | Ernani Maletta 
Produção | Áldice Lopes, Daniel Militão e Diego Bertazzo

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