A História dos Ursos Panda – de Matéi Visniec

Direção da montagem é de Marcio Meirelles. Estreia dia 8 de agosto no Sesc Copacabana. Idealizador da montagem e tradutor do texto, o ator Alexandre David divide o palco com Mariana Nunes na trama sobre a solidão na primeira montagem profissional realizada no Brasil.

Um dos mais importantes dramaturgos vivos, Matéi Visniec, romeno naturalizado francês, notabilizou-se por registrar em seus textos teatrais a tragédia contemporânea das guerras, refugiados e barbáries do poder. Comparado a Beckett e Ionesco por atualizar o teatro do absurdo, Matéi Visniec muda de campo de batalha ao escrever A História dos Ursos Panda(de 1998), que aborda a solidão de um homem frente à vida que escolheu viver. A trama flagra o romance de um DJ e de uma mulher misteriosa, uma história de amor com pitadas de surrealismo. O público vai poder conferir aonde esta história vai dar com a estreia nacional deA História dos Ursos Panda, dia 8 de agosto, às 20h, no Sesc Copacabana.

Sob a direção de estudiosos e confrades de Matéi Visniec, o ator e tradutor Alexandre David e o diretor Marcio Meirelles, o espetáculo tem cenários de Mina Quental (indicada ao Prêmio Shell pela peça Mata teu pai), trilha sonora de Caíque Botkay, luz de Paulo Cesar Medeiros e fotos de divulgação de Dalton Valério. O ator Alexandre David divide a cena com a atriz brasiliense Mariana Nunes. A História dos Ursos Panda cumpre temporada de 8 a 31 de agosto, terças, quartas e quintas-feiras, sempre às 20h, no Sesc Copacabana.

Tudo começa em… Uma cama. Um homem, uma mulher. De manhãzinha, um acordar estranho. Ele está um pouco perdido, não deveria mais estar ali. Ela está com um pouco de pressa, já deveria estar em outro lugar. Um olhar e  Ele não quer mais deixar que Ela vá embora sem saber se irá vê-la novamente… Ela lhe faz uma promessa. De quantas noites ele precisaria para render-se ao amor? Combinam nove noites. Esta é a montagem número 105 do diretor Marcio Meirelles, que está completando 45 anos de trabalho, registre-se, como fundador do Bando de Teatro Olodum, entre outras realizações.

Meirelles considera a encenação “uma peça rock’nroll”. A começar pelo DJ, personagem de Alexandre David, às voltas com as noites de ofício, ressacas e habituado a dançar com a solidão. “Cada ator é co-autor do espetáculo. Me identifico muito com a obra do Matéi Visniec. É como se eu visse minhas idéias de teatro ali, de forma muito limpa e clara”, acentua. Já montouduas vezes o texto, uma no Brasil, outra em Portugal, cada qual com uma assinatura específica. “O texto A História dos Ursos Panda é bastante estranho ao restante da obra do autor. Seja pelos diálogos poéticos, seja pelo que as imagens evocam. É cheio de camadas. A princípio é a questão de um casal. Não acontece em um lugar determinado, nem no tempo e nem no espaço, tudo é indefinido. Mas há pistas que levam ao cotidiano, parece que aconteceu ontem. Parece que foi com um amigo nosso”, diz.

Mineiro de Juiz de Fora, morando há 30 anos no Rio de Janeiro, o ator Alexandre David conheceu Matéi Visniec em 1997 no Festival de Avignon, na França. No ano de2000, com o aval dele, realizou a primeira montagem de um texto do autor no Brasil, a peça “Pequenos Trabalhos para Velhos Palhaços”, com direção de André Paes Leme. Foram cinco anos em turnê. A crítica Bárbara Heliodora escreveu na época sobre a montagem: “Comunicação direta com o público. O Cômico e o trágico num espetáculo singelo, despretensioso e encantador”.Desde então Alexandre traduziu várias peças do autor.Em 2015 o tema do seu TCC do Bacharelado em Teatro é: “Matéi Visniec, um teatro contra as opressões do mundo”. Em 2016 ganha a primeira edição da bolsa Programa de Estímulo à Criação, Experimentação e Pesquisa Artística da FAPERJ para estudar e se aprofundar na vida e obra do autor.

Há 20 anos, David acalenta montar A História dos Ursos Panda. “Marcio já usou traduções minhas de outras peças do Matéi e como ambos gostamos muito da obra dele foi um movimento natural que surgisse este projeto em comum”, conta o ator. Neste ínterim de 20 anos, montou, além de “Pequenos Trabalhos para Velhos Palhaços”, “O Homem Decomposto” e “Paparazzi”. “Panda é diferente de tudo o que Matéi já escreveu. Ele deixa de falar do macro (guerras étnicas e conflitos sócio-políticos) e dedica-se a um universo íntimo, a vida e os conflitos de um homem, um artista, diante da vida. Sempre de maneira poética, leve mas densa. Ele é um artista que cansou de viver sob as garras do sistema, almeja uma nova maneira de estar vivo, coisa que reaprende através dessa misteriosa mulher que aparece em sua cama numa certa manhã”.

Mariana Nunes, atriz brasiliense, atuou em filmes como “Febre do Rato” de Cláudio Assis, “Alemão” de José Eduardo Belmonte, “Pelé, The BirthoftheLegend” de Mike e Jeff Zimbalist, “São Jorge” de Marco Martins e “Zama” de Lucrécia Martel. No teatro trabalhou com diretores como Adriano e Fernando Guimarães e Cristina Moura, e, seus últimos trabalhos foram a peça “Invisível” onde foi dirigida por JorgenTjon e Patríck Pessoa, no projeto “HOBRA” e, posteriormente, no “Tempo Festival” de 2016 e “Hamlet, please continue” dirigida por Roger Bernat e Yan Duvyendak. Mariana Nunes é formada pela Faculdade de Artes Dulcina de Moraes, fez Oficina de Atores da Globo e estudou interpretação para televisão e cinema no Instituto del Cine de Madrid.

O autor:

Considerado o herdeiro de Eugène Ionesco e Samuel Beckett por dar continuidade ao gênero do teatro do absurdo, o dramaturgo e jornalista romeno naturalizado francês Matéi Visniec é autor de mais de 30 peças, montadas em 20 países. É hoje um dos nomes de maior prestígio da dramaturgia européia e um dos autores estrangeiros mais montados no país.

Matéi é um feroz crítico do que costuma chamar de “lavagem cerebral”: o modo como as mídias usam corações e mentes para fortalecer o consumismo e o individualismo, características que o transformaram numa coqueluche entre diretores, atores e público no Brasil. Faz com frequência palestras em escolas e universidades. O assunto mais recorrente é a política e o posicionamento humanista diante de um mundo cada vez mais individualista e materialista.

Ficha técnica:
Texto: A História dos Ursos Panda – De Matéi Visniec
Tradução: Alexandre David
Direção: Márcio Meirelles
Atores: Mariana Nunes e Alexandre David
Direção Musical: Caíque Botkay e Alexandre Negreiros
Iluminação: Paulo César Medeiros
Cenografia: Mina Quental
Figurino: Carol Lobato
Direção de Produção: Mina Quental
Produção Executiva: Flávia Menezes e Fernanda Camargo
Assistente de Direção: Felipe Koury
Idealização: Alexandre David

Serviço: A História dos Ursos Panda – de Matéi Visniec. Direção: Marcio Meirelles. Elenco: Alexandre David e Mariana Nunes. Estreia nacional dia 8 de agosto, às 20h
Local: Cine Teatro do Sesc Copacabana – Temporada de 8 a 31 de agosto.
Sessões às 20h
Ingressos: R$ 6 (associado do Sesc), R$ 12 (meia), R$ 25 (inteira)
Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro – RJ
Informações: (21) 2547-0156
Bilheteria – Horário de funcionamento:
Segundas – de 9h às 16h;
Terça a Sexta – de 9h às 21h;
Sábados – de 13h às 21h;
Domingos – de 13h às 20h.
Classificação indicativa: 14 anos
Duração: 75 minutos
Lotação: 39 lugares
Gênero: Romance existencial