“Histeria” chega ao Rio para um dos maiores encontros do século passado

“Um encontro entre Freud e Dalí, realmente, só poderia terminar em uma imensa histeria”, brinca Jô Soares, que completa 59 anos de trajetória artística e mergulhou no relacionamento improvável entre o pai da psicanálise e o mestre do surrealismo para dar forma a comédia “Histeria”, do autor britânico Terry Johnson, que fica em cartaz no Rio até 30 de abril no Sesc Ginástico. O espetáculo, escrito em 1933, marca o retorno de Jô Soares à direção teatral, após quase três anos. No elenco estão Norival Rizzo, interpretando Freud; Cássio Scapin, como Salvador Dalí; Érica Montanheiro, vivendo uma misteriosa mulher e Milton Levy, como Yarruda, um médico judeu. O ator Rubens Caribé poderá substituir Cassio em algumas sessões.

Ambientada em Londres (1938), a comédia promove a junção entre a psique humana e o delírio imaginário, quando Sigmund Freud é visitado em seu consultório pelo pintor Salvador Dalí. “Achei que era uma fantasia da cabeça do autor, mas é tudo baseado em fatos. Poucos sabem da conexão entre essas duas personalidades”, relata Jô, que conheceu o texto na montagem dirigida por John Malkovich, em Paris, e logo correu atrás da compra dos direitos.

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Na trama, Freud, já perto da morte, acabara de escapar da Europa nazista. Perturbado, é visto em situações comicamente atrapalhadas, para o encanto do mestre surrealista, que conclui: “O que Dali vê apenas em sonhos, você vive na realidade”. Numa das sequências mais absurdas, Freud encontra-se segurando uma bicicleta coberta por caramujos, com uma das mãos presa dentro de uma galocha e com a cabeça enfaixada numa espécie de turbante.

Entre diálogos inteligentes, situações farsescas, ritmo frenético e até alucinações, surge uma das “encruzilhadas” do texto: retirar a essência do mito é minar o fundamento da fé? Um espetáculo que transpira psicanálise, a começar pela cenografia de Chris Aizner e Nilton Aizner, que faz referência ao consultório de Freud, passando por seus casos e algumas de suas teorias, que são questionadas pelos outros personagens. Há também um trabalho de projeção, idealizado por André Grynwask e Pri Argoud, apropriado como o delírio do Psicanalista; além da trilha sonora original de Ricardo Severo.

Ficção inspirada em fatos reais, “Histeria” promove um dos maiores encontros do século passado. “O texto é muito bem escrito, há mudanças de gênero, uma hora é comédia, outra vaudeville, drama, além de retratar duas figuras icônicas.  Me encantei desde o começo, quando Jô me chamou para produzir”, conta Rodrigo Velloni, que também realizou “Atreva-se”, outro sucesso dirigido por Jô Soares.

Serviço Histeria:
Teatro Sesc Ginástico
Av. Graça Aranha, 187 – Centro
Tel: (21) 22794027
Temporada: Até 30 de abril
Dias: Quinta a sábado 19h/ Domingo 18h
Ingressos: R$25,00/ R$12,00/ R$6,00
Duração: 115 min
Recomendação: 14 anos

Ficha Técnica:
Texto: Terry Johnson
Tradução e direção: Jô Soares
Produção: Rodrigo Velloni
Elenco: Norival Rizzo, Cassio Scapin, Erica Montanheiro e Milton Levy
OBS: Rubens Caribé poderá substituir Cassio Scapin em algumas sessões
Diretor assistente: Mauricio Guilherme
Iluminação: Maneco Quinderé
Cenografia: Chris Aizner e Nilton Aizner
Figurino: Fábio Namatame
Música Original: Ricardo Severo e Eduardo Queiroz
Videografismo e Mapping: André Grynwask e Pri Argoud
Fotografia: Priscila Prade
Realização: Velloni Produções Artísticas

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