Guilherme Rodio estrela curta-metragem Sal

Produção conta com direção de Diego Freitas e deve ser apresentado ao público no final de 2017

O ator paulista Guilherme Rodio estrela o premiado curta Sal, em uma parceria com a Parakino Filmes e o diretor Diego Freitas. Baseado em uma história real, o filme acompanha um técnico de informática solitário que encontra um homem intrigante em um site, onde pessoas compartilham estranhas fantasias. O resultado final rendeu ao curta os prêmios de Melhor Diretor no Festival de Cinema Brasileiro de Toronto (2016); Melhor Diretor e Melhor Ator no Comunicurtas 2016 e Melhor Ator no Festival da Diversidade de Toronto (2016) para Rodio. O curta ainda percorre diversos festivais e só deve estar disponível para o público no final deste ano. Confira abaixo o trailer e a entrevista com Rodio.

Como teve início o projeto (Sal)?
O Sal começou com uma parceria com o Diego Freitas, da Parakino Filmes. Eu tinha vontade de atuar em um curta e procurava produtoras para co-produzir. Ele estava com vontade de dirigir uma ficção para poder experimentar algumas técnicas de direção para o seu longa “O Segredo de Davi”, que será gravado em julho deste ano, e do qual eu também participo como ator. O Diego me procurou com o texto de teatro da Claudia Barral: “Sal, Pimenta e Noz Moscada”, nós gostamos e achamos que daria um curta interessante. A Claudia topou roteirizar e o filme nasceu.

Como foi atuar e trabalhar na produção? Foi um momento novo para você?
Eu já havia produzido teatro, quando tive minha companhia por 5 anos. Atuar e produzir acabam sendo fundamentais para você conseguir tirar seus projetos do papel. Produzir cinema foi uma coisa totalmente nova, tive que me aprofundar em como funcionava uma equipe, a importância fundamental de cada um, e como fazer o melhor trabalho possível. Uma surpresa também foi o custo de inscrição do filme em festivais internacionais, que eu não imaginava tão alto. Por ser uma produção independente de baixíssimo orçamento, acabamos gastando praticamente a mesma coisa que gastamos para produzir o filme todo.

Pelo trailer temos ideia de cenas fortes, com concentração máxima dos atores e equipe. Foi um dos trabalhos mais difíceis de fazer? Se sim, qual a maior dificuldade?
Com certeza este foi um dos trabalhos mais difíceis que já fiz. O personagem é muito complexo, e a própria estrutura do roteiro, que não permite revelar com muita clareza o que esta realmente acontecendo entre os personagens, deixou algumas cenas bem difíceis. A maior dificuldade para mim foi criar a personagem e encontrar justificativas plausíveis e humanas para os seus atos no filme, que são a primeira vista, muito repelentes para qualquer pessoa. Depois disso, já na filmagem, a conexão com as circunstâncias da personagem cena a cena também foi bastante desafiadora.

Já vimos que o Sal venceu grandes festivais e ainda percorre outros importantes. Em sua opinião, qual o grande diferencial para receber tantos elogios da crítica?
O Tema com certeza é um diferencial. As pessoas que assistem ficam realmente surpresas, pois não imaginam o desfecho do filme. A produção também recebeu muitos elogios, assim como a trilha sonora do Flávio Pereira, mas o que mais surpreende é quando após a exibição, dizemos o orçamento do filme, que realmente é muito baixo pelo resultado alcançado.

Gostaríamos de saber quando o curta será disponibilizado para o público brasileiro.  Temos alguma data para este lançamento?
O curta está viajando por festivais no Brasil e no Mundo até janeiro de 2018. Teremos uma exibição especial agora dia 01/07 no Cine PE em Recife, onde o filme concorrerá ao prêmio de melhor curta metragem do festival, e provavelmente uma exibição no Festival do Rio em outubro. Tivemos algumas propostas de comercialização posteriores a este período, mas ainda não fechamos nenhuma.

Além do Sal, quais são os projetos que você esta envolvido no momento e os próximos passos?
Além do Sal, acabo de finalizar um outro curta, em parceria com a Arica Filmes, chamado “Passagem das Horas” que está iniciando sua trajetória de um ano em festivais. Fora este, estou em processo de captação para mais 4 projetos de curtas metragens com diversos parceiros e gravo os longas “O Segredo de Davi” dirigido por Diego Freitas e “4X100” dirigido por Tomás Portella no mês de Julho. Em outubro estreia o longa “Não Se Aceitam Devoluções”, dirigido por André Moraes em cinemas de todo o Brasil.

Apesar de jovem você é um ator bem experiente. Esta bagagem tem chamado à atenção por onde você passa. O que mais o Guilherme precisa melhorar e qual a importância de se manter sempre atualizado e pronto para atuar?
O ofício de ator é um processo contínuo de descoberta e aperfeiçoamento. Eu migrei do teatro para a linguagem audiovisual há poucos anos, portanto considero que estou sempre aprendendo. Acho que o ator, ao mesmo tempo em que precisa estar sempre pronto para o papel ou projeto que aparecer, sabe no íntimo que nunca está pronto, que está sempre em movimento e isso é uma das coisas mais lindas de ser ator.

Para finalizar, um assunto que está em alta: séries de TV. Porque este tipo de trabalho virou uma febre mundial? E porque tantos estúdios apostam neste tipo de produção?
A série de TV vem sendo um território de experimentação para a linguagem. Acho que muitos roteiristas talentosos americanos conseguiram emplacar projetos mais audaciosos e maravilhosos na TV por que não estavam conseguindo fazer o mesmo no cinema. Sinto que o cinema de Hollywood está refém das superproduções sequenciais ao melhor estilo Marvel, Hobbit, Star Wars, etc. e que são atreladas a um gigantesco mercado de merchandising. Na realidade todos estes filmes são muito parecidos e nas séries existe um espaço para o desenvolvimento de personagens realmente apaixonantes e estórias complexas. Resta saber se num breve futuro, também não assistiremos a uma padronização deste mercado.