Guardiões da Galáxia Vol.2 se consolida como a saga de Fantasia Espacial da década

Lembra daquelas tardes chuvosas em sua infância, (especialmente na década de 80-90) que você ficava assistindo filmes como “Star Wars IV: Uma nova esperança” ou “Mercenários das Galáxiaso” na Sessão da Tarde? Se sim, “Guardiões da Galáxia Vol. 2” (2017) é o filme ideal para você. Dirigido po James Gunn, a sequência dos heróis cósmicos da Marvel traz de volta todos os elementos nostálgicos que consagraram a série, porém com uma dose de originalidade vista poucas vezes em obras do gênero.

Guardiões da Galáxia Vol. 2 já começa sem muitas introduções, apresentando os heróis Peter Quill (Chris Patt), Gamora (Zoe Saldana), Drax (David Bautista), Rocket Racoon (voz de Bradley Cooper) e mini Groot (voz de Vin Diesel) em uma missão rotineira, lutando contra uma criatura interdimensional. A sequência inicial da luta é algo fantástico e jamais vista em filmes de heróis, deixando cenas de ação em obras como “Capitão América: Guerra Civil” no chinelo.

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Falar sobre a história é entregar revelações durante os 136 minutos do longa. Porém dá para falar que a trama basicamente gira em torno de Peter e sua família, fato apresentado anteriormente, porém não aprofundado. Na realidade, a trama busca consolidar todos os seus personagens, trabalhando o psicológico e dilemas como Gamora e sua irmã Nebulosa (Karen Gillan), Drax e a perda de sua família, e até mesmo Yondu (Michael Rooker), que é um renegado do seu clã, devido ao rapto do jovem Peter, buscando sua aceitação.

Não há dúvidas que esse seja o longa mais engraçado da Marvel Studios, porém sem ser escrachado. É um humor que lembra bastante a fase do escritor Dan Abnett, responsável pelos Guardiões nas revistas em quadrinhos, nos anos de 2008 a 2010. A comédia está presente a todo momento, lembrando um sitcom, porém sem exageros. Vale ressaltar que Dan Abnett também é responsável pelo roteiro em conjunto com James Gunn.

O humor empregado é marca registrada e funciona bem durante toda a obra. Ao contrário de outras produções do estúdio, que insistem em forçar situações, as coisas acontecem naturalmente. Outro ponto de destaque vai para o roteiro consistente e fechado, não deixando diversas pontas soltas para serem seguidas em outros filmes da Marvel.

Porém nem tudo é comédia e o drama está bastante presente, especialmente na segunda metade do longa. Os diálogos são trabalhados de forma sutil e real, sem cargas melodramáticas extremas. Uma das conversas mais belas e humana acontece no meio de uma batalha, de forma natural, sem precisar do efeito “pôr do sol”, comumente utilizado por diretores.

Para os fãs de longa data, são feitas inúmeras referências e homenagens, que com certeza empolgarão quem leu os quadrinhos (inclusive os antigos) de nossos heróis. Talvez esse seja o filme que mais conseguiu passar a sensação de estar lendo uma história em quadrinhos, com cortes e sequências de ação que não necessariamente precisam de grandeza crescente ou algo do tipo. Apenas acontecem e terminam de forma natural.

Tecnicamente falando, “Guardiões Vol. 2” é um dos filmes de aventura mais belos já feitos. As sequências de batalhas espaciais são fantásticas e (me desculpem fãs) conseguem superar de longe as batalhas de “Star Wars”. Parece a todo momento que o espectador está em um jogo de videogame futurista, porém sem o elemento artificial que é geralmente percebido em animações.

Além disso, os planos sequências e as tomadas são belíssimas, reforçadas por uma paleta de cores gritantes e exageradas, que remontam aos anos 80 e os tornam até melhores do que realmente foram. Tudo é colorido e belo, até mesmo na escuridão do espaço. Forte candidato a indicação para a categoria de efeitos especiais.

A trilha sonora é espetacular e segue pela mesma tendência de seu antecessor, contendo músicas de bandas famosas da década de 70 e 80. Porém dessa vez há um discurso fantástico sobre a própria trilha sonora, com uma meta linguagem que irá deixar maravilhado o espectador mais atento.

Realmente é difícil pensar em um ponto realmente negativo. Alguns podem reclamar da comédia, ponto válido para quem nunca leu os quadrinhos. Porém vale lembrar que essa foi a escolha dos roteiristas, especialmente para criar uma identidade diferente dos demais filmes da Marvel Studios. Até mesmo o vilão (principal crítica em outras produções) é ameaçador e possui motivos válidos e reais, não sendo jogado apenas para acontecer uma batalha épica no final da obra.

“Guardiões da Galáxia Vol. 2” é quase um filme perfeito de heróis. Personagens cativantes, diálogos engraçadíssimos, batalhas espaciais épicas, além de um visual maravilhoso e uma história sólida, que fará o espectador rir (e muito) e chorar (dependendo, muito também). Pode-se dizer que é a obra que consolida (fãs de Star Wars, mais uma vez me desculpem) o gênero de fantasia espacial da década.

Ficha Técnica:
Ano: 2017
Título: Guardiões da Galáxia Vol. 2.
Título original: Guardians of the Galaxy Vol. 2
Roteiro: James Gunn, Dan Abnett
Direção: James Gunn
Elenco (principais): Christ Patt, Zoe Saldana, David Bautista, Vin Diesel (voz), Bradley Cooper (voz).

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Patrick “Rick” Ribeiro – Arquivista nas horas vagas. Viciado em Games, Cinema, Séries de TV e Livros. Escreve sobre games aqui pois acha que são a maior sopa cultural de todas.